A dieta mediterrΓ’nea: pasta ou pastrami*?
TraduΓ§Γ£o de The Mediterranean Diet: Pasta or Pastrami?, de Sally Fallon e Mary G. Enig, PhD.
Traduzido por Renato Alves.
(*) Pasta Γ© termo que designa, de forma genΓ©rica, massas. Pastrami Γ© um tipo de carne defumada. (Nota do Tradutor).
A dieta mediterrΓ’nea βΓ© caracterizada por abundΓ’ncia de alimentos de origem vegetal (frutos, verduras, pΓ£es, cereais, grΓ£os de leguminosas, castanhas e sementes). Frutas frescas, como sobremesa diΓ‘ria tΓpica, azeite de oliva como a principal fonte de gordura, laticΓnios (principalmente queijo e iogurte) e carne de peixe e de frango, consumidas em quantias pequenas ou moderadas, de nenhum a quatro ovos semanalmente consumidos, carne vermelha em pequena quantia e vinho, em quantidades pequenas, normalmente Γ s refeiΓ§Γ΅es. Esta alimentaΓ§Γ£o contΓ©m baixo teor de gordura saturada (menos ou igual a 7 a 8% de energia), com gordura total abrangendo menos de 25% a mais de 35% de energia, ao longo da regiΓ£oβ (1).
Isto, de acordo com os ditadores nutricionais, Γ© a alimentaΓ§Γ£o que devemos adotar, para nos protegermos de doenΓ§as crΓ΄nicas, principalmente enfermidades cardΓacas.
O autor desta teoria e primeiro a descrever a dieta mediterrΓ’nea nestes termos foi Ancel Keys, concebedor da hipΓ³tese lipΓdica, a saber, as doenΓ§as cardΓacas sΓ£o causadas pelo βprincipal vilΓ£o alimentarβ, a gordura saturada de carnes e laticΓnios (2). De acordo com Keys, seu primeiro contato com a dieta mediterrΓ’nea se deu nos primΓ³rdios da dΓ©cada dos anos de 1950, quando ele visitava um professor, em Oxford. Em 1951, ele presidia a primeira conferΓͺncia do Food and Agriculture Organization of the United Nations, em sua sede, em Roma.
βA conferΓͺncia foi a respeito de somente carΓͺncias nutricionais. Quando perguntei sobre a alimentaΓ§Γ£o e a nova epidemia de doenΓ§as cardΓacas coronΓ‘rias, Gino Bergami, professor de psicologia, da Universidade de NΓ‘poles, disse que nΓ£o havia problemas de doenΓ§as cardΓacas em NΓ‘polesβ.
Dr. Keys retornou a Oxford, onde, como professor mal remunerado, ele e sua esposa, a duras penas, viviam em uma casa sem aquecimento e sobreviviam Γ base de racionamento de comida. EntΓ£o, ele teve a brilhante idΓ©ia de visitar a ensolarada NΓ‘poles, para verificar a afirmaΓ§Γ£o do Professor Bergami. Uma vez lΓ‘, descobriu as trattorias e ceava βmassa simples e pizza normalβ. Keys disse que ataques cardΓacos eram, de fato, raros em NΓ‘poles, βexceto entre a pequena classe de ricos, cuja alimentaΓ§Γ£o se diferia daquela da populaΓ§Γ£o em geral: eles consumiam carne todos os dias, ao invΓ©s de uma vez por semana ou a cada duas semanasβ. Sua esposa se espantava, medindo Γndices de colesterol sΓ©rico βe vendo-os muito baixos, exceto entre membros do Rotary Clubβ. ApΓ³s esta βrigorosaβ pesquisa, Keys estava apto a concluir que βparece haver uma relaΓ§Γ£o entre alimentaΓ§Γ£o, colesterol sΓ©rico e doenΓ§as cardΓacas coronΓ‘riasβ.
βA essΓͺncia do que atualmente consideramos dieta mediterrΓ’nea Γ© prioritariamente vegetarianaβ β diz ele. βMassas de muitos tipos, folhas de verduras com borrifos de azeite de oliva, todos os tipos de legumes da estaΓ§Γ£o, e, costumeiramente, queijo, terminando com fruta e, freqΓΌentemente, regado a vinhoβ.
Primeiramente, Dr. Keys obteve apoio inexpressivo para suas teorias. Mas encontrou um ouvinte simpatizante, em 1952, quando apresentou suas idΓ©ias a um pequeno pΓΊblico em Nova Iorque, no Hospital Monte Sinai. Fred Epstein foi convencido pelos dados de Keys e comeΓ§ou a divulgar a mensagem βcom grande efeito sobre a Europa e a AmΓ©rica do Norteβ.
EntΓ£o, Keys publicou seu Seven Countries Study (3), no qual alegava a relaΓ§Γ£o entre taxas altas de doenΓ§as cardΓacas coronΓ‘rias e o consumo de gordura saturada em sete paΓses. Foi-lhe possΓvel isto, porque escolheu a dedo paΓses onde doenΓ§as cardΓacas e consumo de gorduras saturadas eram elevados e porque ignorou paΓses com este mesmo tipo de alimentaΓ§Γ£o, mas onde havia pouca incidΓͺncia daquelas doenΓ§as (4).
Publicada a βpesquisaβ de Keys, a dieta mediterrΓ’nea, ou, ao menos, o que se pensa ser a dieta mediterrΓ’nea, tornou-se diretriz governamental. A USDA imortalizou a carinhosa lembranΓ§a que Keys guardava das iguarias das trattorias da ensolarada NΓ‘poles, na forma de uma pirΓ’mide alimentar, assentada em muito pΓ£o branco e massas, encimada por uma generosa camada de frutas e verduras. Esta pizza estranhamente moldada recebe, entΓ£o, um borrifo de azeite de oliva e queijo, uma ou duas anchovas, uma pitada de aΓ§ΓΊcar e voilΓ ! A soluΓ§Γ£o alimentar para doenΓ§as crΓ΄nicas ferozes.
As doenΓ§as crΓ΄nicas ainda estΓ£o devastadoras, nΓ£o obstante a aceitaΓ§Γ£o mundial da pirΓ’mide alimentar, mas Keys, ao menos, saiu-se muito bem. Em 1993, apΓ³s Fred Epstein ter dado a palestra-resumo, na celebraΓ§Γ£o internacional do Seven Countries Study, em Fukuoka, JapΓ£o, e na quarta Palestra Anual de Ancel Keys, na American Heart Association Convention de 1993, choveram pedidos de entrevistas e consultoria para Keys. βEm maio de 1993, uma equipe de uma revista norte-americana veio em nossa casa, em Minnelea, Minnesota, trazendo um fotΓ³grafo da CalifΓ³rnia para registrar a cena, enquanto eu falava sobre a dieta mediterrΓ’neaβ.
Dr. Keys nΓ£o passa mais os invernos em Minnesota. Ele pode escapar para sua segunda residΓͺncia, no sul da ItΓ‘lia. Mas se incluem em suas fΓ©rias em NΓ‘poles alguns momentos tristes, Γ medida que percebe mudanΓ§as lamentΓ‘veis na dieta mediterrΓ’nea. βOs restaurantes estΓ£o cada vez mais populares, mas a comida que servem, geralmente, estΓ‘ longe de ser de padrΓ£o mediterrΓ’neo… Tudo Γ© lotado de manteiga ou margarina e carne moΓda. Servir apenas frutas para sobremesa nΓ£o Γ© comum, mas, sim, sorvete ou torta. Ao mesmo tempo em que os restaurantes italianos se gabam pela dieta mediterrΓ’nea, servem uma caricatura delaβ. Keys nΓ£o nos revela se sua recente prosperidade, que o permite cear em restaurantes com belas toalhas brancas de mesa, ao invΓ©s de em cafΓ©s Γ beira da calΓ§ada, fΓͺ-lo abandonar sua alimentaΓ§Γ£o monΓ‘stica, constituΓda de βfolhas borrifadas com azeite de olivaβ e frutas frescas. Realmente, deve ser desgastante observar banquetes italianos sofisticados com tamanhas caricaturas, como massa al Fredo, vitela scallopini e prosciutto, principalmente a alguΓ©m que fez votos rΓgidos de sacerdΓ³cio alimentar.
Mas a vida de um missionΓ‘rio nunca Γ© fΓ‘cil. NΓ£o! Γ uma estrada solitΓ‘ria, repleta de frustraΓ§Γ΅es. Imagine o exame de consciΓͺncia atΓ© o tardar da noite de Dr. Perez-Llamas e seus colegas que se ergueram para estudar os padrΓ΅es de alimentaΓ§Γ£o de um grupo de adolescentes da regiΓ£o de Murcia, no sudeste da Espanha (5). Os jovens mediterrΓ’neos estavam consumindo uma βalimentaΓ§Γ£o equilibradaβ, com muitas verduras e frutas? De jeito nenhum. A juventude desobediente estava consumindo, na maior parte das vezes, salsicha! βOs resultados mostraram um consumo muito baixo de verduras, algumas deficiΓͺncias na ingestΓ£o de leite e frutas e uma ingestΓ£o excessiva de gorduras… enquanto a ingestΓ£o de carne de peixe se mostrou insuficiente em nosso estudoβ.
Desencantado da vida, Dr. Perez-Llamas lamentou: βo estudo revela que, embora Murcia seja uma regiΓ£o tipicamente mediterrΓ’nea, as caracterΓsticas da alimentaΓ§Γ£o de seus adolescentes sΓ£o bem diferentes, no que concerne aos hΓ‘bitos alimentares tΓpicos da alimentaΓ§Γ£o mediterrΓ’neaβ.
Dr. Perez-Llamas propΓ΄s remediar estes pecados alimentares com uma versΓ£o moderna da inquisiΓ§Γ£o espanhola: β… foram dados conselhos nutricionais a mΓ£es e adolescentes. O uso das porΓ§Γ΅es espanholas de seis grupos alimentares bΓ‘sicos provou ser um mΓ©todo muito ΓΊtil para popularizaΓ§Γ£o dos princΓpios de alimentaΓ§Γ£o equilibrada em nossa populaΓ§Γ£oβ.
Outro grupo de sacerdotes nutricionais, chefiado por Dr. Alberti-Fidanza, realizou uma peregrinaΓ§Γ£o, em 1994, para estudar anciΓ£os italianos das Γ‘reas rurais de Crevalcore e Montegiorgio, dois dos distritos que Keys incluΓra no Seven Countries Study (6). Mas a geraΓ§Γ£o mais antiga havia se desencaminhado! NΓ£o mais praticava o puritanismo alimentar que Keys alegou ter observado dΓ©cadas anteriores. βNas duas Γ‘reas, especialmente em Montegiorgio, as pessoas estavam abandonando a dieta mediterrΓ’nea tradicionalβ.
A questΓ£o que os crentes nΓ£o perguntaram a si mesmos: A assim chamada dieta magra, mediterrΓ’nea, observada apΓ³s a guerra, era a verdadeira dieta mediterrΓ’nea? Ou estavam observando o finalzinho da privaΓ§Γ£o, ocasionada por meia dΓ©cada de conflito? Os habitantes de Crevalcore e Montegiorgio estavam abandonando a dieta mediterrΓ’nea ou a estavam retomando? Keys nΓ£o notou os italianos se deliciando com alimentos encorpados, no inΓcio da dΓ©cada dos anos de 1950, porque os italianos nunca fizeram tamanha coisa vergonhosa, ou era ele um professor muito pobre, naquela Γ©poca, para pagar algo alΓ©m do que pizza normal, em um cafΓ© Γ calΓ§ada
Recipes of All Nations (7) foi publicado em 1935, quase duas dΓ©cadas antes da nova religiΓ£o alimentar ter sido proclamada para o sofrimento de milhΓ΅es. Considere a descriΓ§Γ£o da comida em Sardenha. Certamente, os grΓ£os fazem parte de sua alimentaΓ§Γ£o, consumidos como pΓ£o, massa ou polenta, mas das maneiras mais interessantes. βUma de nossas formas preferidas de preparar macarrΓ£o Γ© cozinhΓ‘-lo ou em banha de carneiro ou de porco… com pequenos pedaΓ§os de carneiro ou porco, tomates picados, alho picado e coalhada, misturados com um pouco de Γ‘gua e sal e umedecido com um pouco de animal de caΓ§a, se disponΓvelβ. O nhoque Γ© condimentado com aΓ§afrΓ£o e βservido com molho de tomate ou de carne e queijo feito de ovelhaβ. A polenta branda Γ© realΓ§ada com βporco salgado picado, pequenos pedaΓ§os de salsicha e queijo raladoβ. La favata Γ© feito com βpedaΓ§os de porco salgado, cortado em nacos grandes, pernil, salsichas caseiras especiais, um punhado de feijΓ΅es secos, funcho selvagem e outras ervas com um pouco de Γ‘guaβ.
AtΓ© agora, nada com baixo teor de gordura. Mas, talvez, Keys e sua comitiva estavam βcertosβ em dizer que a carne Γ© parcamente consumida na regiΓ£o mediterrΓ’nea. Leia: βOs sardenses sΓ£o grandes consumidores de carne, mas seus mΓ©todos de cozer vΓ‘rios tipos de carne sΓ£o, na verdade, simples, quase primitivosβ. Da mesma forma como a maioria dos italianos, os sardenses preferem cordeiros jovens, cabritos ou leitΓ΅es, geralmente assados em uma fogueira. βA carne Γ©, por fim, dourada, regando-a continuamente com gordura quente…β. Os leitΓ΅es sΓ£o βtΓ£o tenros que mesmo a pele, orelhas e todo o resto podem ser comidos.β
A dieta da CΓ³rsega βde forma alguma, foi sujeitada a influΓͺncia externa…β. Sem novo catecismo, sem evangelistas alimentares por lΓ‘. Assim, os cΓ³rsegos podem desfrutar do seguinte, sem culpa: Todo tipo de peixe, incluindo pequenas lagostas, choco e marisco; pasta de anchova com figos; bacalhau salgado desidratado; bife dourado em banha; tiras de filΓ© de cabra, salgado e seco ao sol; castanhas misturadas com polenta e nata, servidas com diferentes tipos de carne ou morcela.
Uma bela enciclopΓ©dia nova de alimentos tradicionais, You Eat What You Are (8), tambΓ©m fornece uma visΓ£o um tanto diferente da culinΓ‘ria italiana do que a proclamada pelo evangelho segundo Ancel Keys. A autora Thelma Barer-Stein observa que a manteiga Γ© uma gordura muito utilizada para cozimento na parte norte da ItΓ‘lia; banha, na regiΓ£o central; e azeite de oliva, na sul. Mas a carne de porco Γ© consumida ao longo de toda a penΓnsula, geralmente na forma de salsichas, que todo mundo, menos um professor visitante norte-americano pode perceber, Γ© indispensΓ‘vel na cozinha italiana. Salame, bolonha e zamponi: nΓ£o haveria culinΓ‘ria italiana, sem estes itens. A salsicha Γ© uma forma de se fazer as vΓsceras tornarem-se deliciosas, como em pezzante, uma especialidade italiana feita de tendΓ΅es, fΓgados e pulmΓ΅es. Os cozinheiros usam muito pancetta (bacon estilo italiano), e as crianΓ§as adoram torresmos crocantes de pele de porco, chamados fritolli, ricos em vitamina D.
Judeus residentes na ItΓ‘lia faziam salsicha e frios, mas nΓ£o usavam carne de porco. Em seu livro The Classic Cuisine of the Italian Jews (9), a autora Edda Servi Machlin lembra-se da carne secca (carne salgada desidratada) de seus pais e da salsicce de minao (salsicha de carne bovina). βAmbos os pratos eram conhecidos e apreciados entre as comunidades por toda a ItΓ‘liaβ. Estes alimentos eram feitos no final de inverno e pendurados em βuma janela aberta, na direΓ§Γ£o norteβ por quatro a seis semanas ao ar seco. Eram outras especialidades a lingua salmistrata (lΓngua bovina em salmoura), o odor que poderia βressuscitar os mortosβ, e o salame dβoca (salsicha de ganso) (Vide Recurso Alimentar, p. 48.) Todas estas carnes eram fermentadas e consumidas cruas.
Em relaΓ§Γ£o a ovos, relata Machlin: βOs ovos sempre se figuraram entre os alimentos altamente nutritivos mais baratos. Para nΓ³s, nΓ£o foram apenas bΓ‘sicos, mas um remΓ©dio universal para muitas enfermidades, reais e imaginΓ‘rias, assim como as vitaminas o sΓ£o, para muitas pessoas, atualmente. Para serem totalmente eficientes, devem ser ingeridos crus e muito frescos. Na verdade, aquecidos diretamente do no ninho da galinha. Desta forma, naturalmente, toda famΓlia tinha um pequeno galinheiro no pomarβ.
A ItΓ‘lia produz tantos tipos de queijos quanto a FranΓ§a, incluindo dois dos melhores: parmesΓ£o e gorgonzola, ambos cheios de gordura e muito cremosos. Os queijos italianos guarnecem mais do que pizza. SΓ£o usados em recheios, pratos de legumes, saladas e sanduΓches. Um favorito Γ© a mozarella, cortado em cubos e feitos Γ parmegiana.
Os italianos sΓ£o mestres em preparar todo tipo de carne: de molejas a articulaΓ§Γ΅es Γ³sseas. Carnes magras recebem um molho cremoso ou recheio de presunto e queijo ricota.
Peixes e mariscos de todos os tipos sΓ£o usados em pratos com frutos do mar, sopas e guisados de peixe. Os ditadores nutricionais, envaidecidos com o sucesso de sua pirΓ’mide alimentar, parecerem ter perdido o Γͺxtase do calamari Γ parmegiana, bem frito e servido amontoado nos pratos: um prato leve, saudΓ‘vel, desde que feito com as gorduras tradicionais, nΓ£o com os Γ³leos vegetais parcialmente hidrogenados, usados para fritura. Em NΓ‘poles, onde Keys ouvira que sΓ£o raras as doenΓ§as cardΓacas, pratos leves de frutos do mar frescos sΓ£o tΓ£o populares quanto pizzas, e pequenos recipientes de ostras sΓ£o devorados na hora.
Certamente, os italianos adoram suas verduras, porque fazem-na ficar muito gostosa. Eles sabem que saladas sΓ£o mais gostosas com um bom molho de vinagre envelhecido e azeite de oliva. E flores cozidas, untadas com manteiga, banha ou nata.
Os italianos nΓ£o comeΓ§am geralmente o dia com ovos, mas os preparam para comΓͺ-los posteriormente. Os ovos sΓ£o usados em molhos encorpados e cremes, como o zabaglione. As sopas sΓ£o comumente servidas com ovos escalfados.
E quanto ao sorvete? Γ algo novo Γ alimentaΓ§Γ£o italiana, uma caricatura norte-ameriana? NΓ£o muito. βAs primeiras sorveterias ou gelaterias foram abertas na Tocana, nos anos de 1500, mas acredita-se que os italianos do sul sΓ£o responsΓ‘veis pela popularidade do sorvete na AmΓ©rica do Norteβ. E ninguΓ©m usa sorvete com maior inventividade do que os italianos, desde o spumone de NΓ‘polis Γ cassata, um bolo de sorvete decorativo, ao semifreddi, βum tipo de sorvete levemente espumante que apresenta diversos saboresβ. Γ verdade que os italianos, Γ s vezes, consomem sorvete com frutas frescas.
EstΓ‘ βclaroβ a todos que viajaram para a ItΓ‘lia ou comeram em um restaurante italiano que os italianos apΓ³stastas perverteram o paganismo alimentar de seus ancestrais… TΓ‘ bom… como se, em alguma vez, tivessem deixado de o praticarem. Assim, nutricionistas ortodoxos recentemente consagraram a alimentaΓ§Γ£o grega como a mais virtuosa das cozinhas mediterrΓ’neas politicamente corretas, descrita como constituΓda, principalmente, de azeite de oliva, pΓ£o e tomates.
Rosemary Barron administrou uma escola culinΓ‘ria em Creta, de 1980 a 1984, e passou muitos meses vivendo lΓ‘, jΓ‘ em 1963, quando participou de uma escavaΓ§Γ£o arqueolΓ³gica. Em 1991, ela publicou Flavors of Greece, recebendo um prΓͺmio βEditorβs Choiceβ da seΓ§Γ£o literΓ‘ria do jornal New York Times.
Γ verdade, ela relata, que os gregos consumiam muito pΓ£o. Na Γ‘rea mais ao interior do paΓs, o pΓ£o da famΓlia ainda Γ© geralmente feito com farinha moΓda na pedra e em fornos Γ lenha. O pΓ£o branco Γ© encontrado em lojas, mas ainda existe uma tradiΓ§Γ£o muito longa de muita variedade de pΓ£es integrais, incluindo um pΓ£o de forma do pastor, feito com farelo de trigo, de aveia e farinha de trigo integral. Muitos pΓ£es sΓ£o duplamente assados como roscas, normalmente consumidos no cafΓ©-da-manhΓ£.
Rosemary estima que o cretenses consomem diversos quilos de queijo por semana, fornecendo certa de 600 calorias de gordura por dia, ou 25% das calorias em uma alimentaΓ§Γ£o de 2400 calorias, vindas apenas de queijo. Uma vez que a gordura do queijo de leite de cabra Γ© quase 70% saturada, um queijo de 230g por dia proveria cerca de 18% de calorias na forma de gordura saturada, mais do que o dobro daquele βvilΓ£o alimentarβ, conforme sancionado pelos sacerdotes nutricionais.
Outras fontes de gordura saturada sΓ£o iogurte, leite e pequenas quantias de manteiga, usada em doces. O azeite de oliva Γ© a gordura preferida para cozimento e saladas. Γ usada generosamente, fornecendo muitas calorias de gordura, incluindo algumas na forma de gordura saturada.
E ainda hΓ‘ muita gordura saturada da carne, na alimentaΓ§Γ£o cretense. Carneio ou cabrito Γ© comido na primavera; e cabra, ao longo do ano. Costeletas ou assado de porco sΓ£o consumidos regularmente, e galinhas e galos velhos sΓ£o servidos, cozidos em Γ‘gua. A carne mais comum de todas Γ© a selvagem de pΓ‘ssaros da estaΓ§Γ£o, coelho e lebre. SΓ£o populares pequenos pΓ‘ssaros grelhados e enrolados em folhas de videira. Salsichas finas defumadas servem como aperitivo e guarniΓ§Γ£o.
O consumo mΓ©dio de ovos estΓ‘ em torno de dez por semana, usados como ingredientes em omeletes, bolos, pratos condimentados e o avgolemono, um molho de ovo e limΓ£o. Rosemary lembra-se de sua surpresa ao quebrar seu primeiro ovo cretense: a gema era laranja brilhante, tΓ£o brilhante que os ovos mexidos que ela fez com eles tambΓ©m ficaram laranjas.
Os cretenses gostam de comidas inusitadas, como caracΓ³is e carnes de Γ³rgΓ£os (rins, fΓgados e baΓ§o). Ovas de peixe sΓ£o consideradas iguaria e podem ser usadas em pequenos bolos ou fritas em Γ³leo, ou na taramosalata, uma massa servida como aperitivo.
Os residentes prΓ³ximos Γ costa consomem frutos do mar frescos todos os dias, incluindo mariscos, ouriΓ§os-do-mar, polvos, calamares e lulas. AtΓ© recentemente, o ΓΊnico meio de transporte era o burro, e nΓ£o havia refrigeradores. Isto significa que, a nΓ£o ser que vocΓͺ vivesse nas costas, vocΓͺ raramente comia frutos do mar. Os cretenses tinham diversos mΓ©todos para preservar o peixe, salgando ou defumando, e de criar molhos odorΓferos de peixe em apodrecimento. Pequenos peixes eram colocados em jarros de barro e cobertos com ervas e azeite de oliva. EntΓ£o, os burros carregavam estes βolhe o peixe pelo caminhoβ ao interior da regiΓ£o.
Todos esses alimentos de origem animal, incluindo as gemas laranjas de ovos, sΓ£o excelentes fontes de vitaminas A e D, as vitaminas lipossolΓΊveis que Weston Price descobriu serem vitais para boa aparΓͺncia e saΓΊde vigorosa. Quando alimentos ricos nestes ativadores lipossolΓΊveis sΓ£o abandonados, as geraΓ§Γ΅es seguintes apresentam rostos mais estreitos, mais cΓ‘ries dentΓ‘rias e mais doenΓ§as. SΓ£o menos atraentes e menos fortes. A presenΓ§a de quantias adequadas de vitaminas A e D na alimentaΓ§Γ£o cretense Γ© provavelmente o que protege as populaΓ§Γ΅es ao longo do MediterrΓ’neo da grande quantidade de pΓ£o ou massa e uso freqΓΌente de doces.
Cozinhar Γ© simples em Creta e ao longo da maior parte da GrΓ©cia. Ao invΓ©s de preparar caldo de carne ou mocotΓ³, os cretenses cozinham a carne e o peixe com os ossos. De fato, tradicionalmente, nenhuma carne ou peixe eram vendidos sem ossos, uma vez que os ossos sΓ£o uma prova do frescor.
Ainda nos dias de hoje, a maioria dos alimentos em Creta Γ© cozido em fornos pΓΊblicos. Portanto, a refeiΓ§Γ£o tΓpica Γ© preparada em uma caΓ§arola rasa que pode ser carregada para os fornos. Bons peixes e cortes tenros de carne sΓ£o preparados em grelhas ao ar livre.
Vegetais frescos maravilhosos, incluindo alcachofra e berinjela, frutas deliciosas, amΓͺndoas, pistaches, lentilhas e grΓ£os-de-bico contribuem para esta culinΓ‘ria mediterrΓ’nea saborosa. A bebida preferida Γ© o vinho caseiro.
A principal refeiΓ§Γ£o na maior parte da GrΓ©cia Γ© o almoΓ§o, consumido em casa e constituΓdo de um prato principal, geralmente um cozido ou uma caΓ§arola contendo carne, junto com legumes, salada, pΓ£o e queijo. EntΓ£o, tudo se fecha, atΓ© Γ s 5 PM. O jantar Γ© tarde para nossos padrΓ΅es, precedido por algumas horas de mezedes (petiscos), consumidos em um cafΓ© ou em casa, com uma bebida. Os mezedes podem ser pequenas quantias de pepino, tomate, queijo, azeitonas, frutos do mar ou fatias de salsicha. Em uma cena tΓpica de um vilarejo, os homens se sentam em cafΓ©s por algumas horas e as mulheres se sentam na Γ‘rea externa de suas casas, conversando umas com as outras. EntΓ£o, os homens vΓ£o para a casa, para jantarem por volta das 10 PM. Sobremesas como sorvete e massas doces sΓ£o consumidos em cafΓ©s, quando a famΓlia sai a passeio, nos dias de festas.
A UniΓ£o EuroΓ©ia Γ© um solo fΓ©rtil de zelotes do puritanismo alimentar, de forma que os gregos estΓ£o sendo pressionados a se encaixarem no esquema. NΓ£o se podem mais longos almoΓ§os e canapΓ©s demorados. A GrΓ©cia tem que seguir as mesmas horas do resto da Europa e comer as mesmas comidas, como os queijos industrializados com padrΓ£o de baixo teor em gordura, pΓ£o branco, carne magra embalada sem os ossos, produtos alimentΓcios comerciais assados Γ base de Γ³leos vegetais e refrigerantes. Isto sim Γ© a real caricatura da dieta mediterrΓ’nea moderna, sem alimentos ricos em gorduras animais, e este lixo Γ© bem mais fΓ‘cil de ser vendido, quando mΓ©dicos dizem que isso Γ© melhor para sua saΓΊde do que os alimentos tradicionais de seus ancestrais.
As pessoas da GrΓ©cia desfruam de uma das maiores longevidades do mundo, mas esta talvez nΓ£o dure, se elas adotarem a versΓ£o do professor universitΓ‘rio norte-americano da dieta mediterrΓ’nea, a qual dita a tendΓͺncia para alimentos processados.
βInfelizmenteβ β escreve Keys, βas mudanΓ§as atuais nos paΓses mediterrΓ’neos tendem a destruir as virtudes de saΓΊde da dieta, conforme chegamos a conhecΓͺ-las, quarenta anos atrΓ‘s. SΓ£o necessΓ‘rios esforΓ§os para reverterem-se estas mudanΓ§as. A educaΓ§Γ£o Γ© importante. Devemos nos concentrar na profissΓ£o mΓ©dica e nas escolas. NΓ£o Γ© suficiente que mΓ©dicos meΓ§am o colesterol sΓ©rico e digam aos pacientes com Γndice elevado para evitarem manteiga e carne rica em gordura. Eles tambΓ©m devem enfatizar a prevenΓ§Γ£o, mirando o pΓΊblico em geralβ.
Isso significa mais palestras nas vilas Γ s costas do mar. A segunda convenΓ§Γ£o anual, relata Key, foi realizada em Pioppi, um vilarejo da costa mediterrΓ’nea, βcerca de quatro quilΓ΄metros de nossa casa na ItΓ‘liaβ. Patrocinada pela International Society and Federation of Cardiology, estes refΓΊgios atraΓram βem torno de 800 mΓ©dicos em 30 cidades, de 22 paΓses.β Γ! Quanto sacrifΓcio feito, em nome da ciΓͺncia!
E o que este Colegiado de Cardiologistas consome, quando reunido em seu retiro italiano? Os mΓ©dicos instruΓdos se restringem a massa simples e carne magra? Petiscam limΓ΅es e verduras, na terra do spumone?
O maior dos sete pecados capitais nΓ£o Γ© a glutonaria, mas o orgulho. Orgulho tΓ£o cegante que presume impor sua prΓ³pria patologia a uma populaΓ§Γ£o inteira, comeΓ§ando com as crianΓ§as. βDurante estas palestrasβ β diz Keys, βsalientamos o tipo mediterrΓ’neo de dieta e seu papel ΓΊtil no controle da concentraΓ§Γ£o de colesterol sΓ©rico e reduΓ§Γ£o do risco associado de doenΓ§as coronΓ‘rias… Acredito isto seja importante levar a mensagem da dieta Γ s crianΓ§as em fase escolar… Nosso desafio Γ© vislumbrar como fazer as crianΓ§as dizer a seus pais que elas devem comer como os mediterrΓ’neos o fazem. Ao menos, devemos auxiliar as crianΓ§as a se livrarem de algumas concepΓ§Γ΅es sem sentido e convencΓͺ-las de que carne e laticΓnios encorpados nΓ£o tornarΓ£o os meninos mais fortes; e as meninas, mais bonitasβ. (10)
ComentΓ‘rio de um leitor: βUma falsificaΓ§Γ£oβ
A assim chamada βdieta mediterrΓ’neaβ Γ© uma falsificaΓ§Γ£o norte-americana, pelo simples motivo de que, na ItΓ‘lia, sem mencionar a regiΓ£o inteira mediterrΓ’nea, as pessoas se alimentam de formas diferentes, embora exista, historicamente falando, algo como uma dieta italiana. Eis a histΓ³ria: no final do sΓ©culo XIX, a ItΓ‘lia acabara de ser unificada em uma naΓ§Γ£o nascente. Naquela Γ©poca, Pellegrino Artusi escrevera um livro intitulado The Science in the Kitchen and the Art of Eating Well. Era uma coletΓ’nea de receitas tradicionais da Toscana e Emilia-Romagna (no que diz respeito a comida, Emilia estΓ‘ para a ItΓ‘lia, assim como a Borgonha estΓ‘ para a FranΓ§a) e se tornou o segundo livro mais vendido na ItΓ‘lia (sendo o primeiro a BΓblia). De fato, Γ© mencionado em um livro escolar do colegial, History of Italian Literature, e, por um bom motivo, Γ© responsΓ‘vel pela difusΓ£o de uma lΓngua comum na classe mΓ©dia da nova naΓ§Γ£o. Ele permaneceu a bΓblia da comida italiana para a classe mΓ©dia, atΓ© as dΓ©cadas dos anos 70 e 80, quando a fissura por baixo teor de gordura invadiu as cozinhas. Lembro que foi a Γ©poca em que realmente comeΓ§amos a consumir massas e pΓ£es.
O livro de Artusi Γ© a antΓtese do que hoje Γ© chamada dieta mediterrΓ’nea: por exemplo, em uma receita para cafΓ©-da-manhΓ£, vΓ£o ovos, manteiga, anchovas, alcaparras e atum. Artusi salienta o uso de gordura de origem animal e carne. Com efeito, o livro comeΓ§a com uma classificaΓ§Γ£o do poder nutritivo de diferentes tipos de carne, com a carne bovina ao topo da lista. Existe uma seΓ§Γ£o a respeito de massas na que Artusi adverte crianΓ§as, idosos e gestantes ou mulheres que amamentam sobre o consumo de massa, βporque seria desviar-se do consumo de alimentos mais ricos em nutrientes, como carne ou peixe…β e avisa: βpessoas com tendΓͺncia Γ obesidadeβ para se absterem de seu consumo, βporque todo mΓ©dico sabe que a farinha nΓ£o possui poder nutritivo e se converte imediatamente em gordura corporalβ.
Os produtos italianos mais famosos sΓ£o Γ base animal: 400 tipos de queijos tradicionais (Γ maioria dos quais se exige pelas leis de controle de pureza que sejam feitos de leite cru, como o Parmigiano Reggiano) e centenas de frios (prosciutto crudo, prosciutto cotto, salame, coppa, pancetta, mortadella dentre outros).
Durante a dΓ©cada dos anos de 1950 (quando Ancel Keys visitou a ItΓ‘lia e iniciou os mitos da dieta mediterrΓ’nea), muitas pessoas enfrentavam dificuldade para comprar carne, principalmente na regiΓ£o sul. Mas isto certamente nΓ£o era considerado algo bom. De fato, a maior parte das famΓlias que nΓ£o conseguia comprar carne tentava, assim mesmo, obter pequenos pedaΓ§os dela, ao menos, uma vez por semana, para alimentar as crianΓ§as. Meu avΓ΄, que lutara na Segunda Guerra Mundial, disse-me algumas vezes: βPare de reclamar de comida. VocΓͺ pode comer carne duas vezes ao dia. VocΓͺ nΓ£o faz idΓ©ia da sorte que tem. Em sua idade, eu conheci o que era fome de verdadeβ. Os mais velhos, que viveram no tempo do fascismo, guerra, ocupaΓ§Γ£o alemΓ£ e viram suas cidades destruΓdas pelos bombardeios anglo-saxΓ΅es freqΓΌentemente falam daquela maneira para a geraΓ§Γ£o mais nova.
Por fim, em um jornal local de uma cidade ao norte da ItΓ‘lia de onde eu venho, existe uma pΓ‘gina histΓ³rica, do tipo βcomo Γ©ramosβ. Poucos meses atrΓ‘s, publicaram-se os seguintes documentos de seus arquivos: no inΓcio da dΓ©cada dos anos de 1920, o preΓ§o dos alimentos estava aumentando. Um grupo de βesposas de classe mΓ©diaβ escreveu Γ s autoridades, pedindo a criaΓ§Γ£o de um comitΓͺ para controle dos preΓ§os. TambΓ©m foi escrita uma lista dos bons produtos alimentΓcios essenciais, cujos preΓ§os deveriam ser mantidos sob controle, em ordem de importΓ’ncia. O mais importante foi βmanteiga de primeira qualidadeβ. Em seguida, βmanteiga de segunda qualidadeβ. DaΓ, banha. Azeite de oliva. A lista de carnes e frios. NΓ£o hΓ‘ menΓ§Γ£o a pΓ£o ou massa na lista. Muito diferente da assim chamada βdieta mediterrΓ’neaβ.
Cristiano Nisoli
Universidade Park, PensilvΓ’nia
ReferΓͺncias:
(1) W C Willett, et al, βMediterranean diet pyramid: a cultural model for healthy eating,β American Journal of Clinical Nutrition June 1995 61(6S):1402S-1406S
(2) Ancel Keys, βMediterranean diet and public health: personal reflections,β American Journal of Clinical Nutrition 1995 61(suppl):1321S-1323S
(3) Ancel Keys, βDoenΓ§as cardΓacas coronΓ‘rias in seven countries,β Circulation, 1970 41, (Suppl.1)
(4) The statistician Russell H. Smith had this to say about the Seven Countries Study: The word βlandmarkβ has often been used. . . to describe Ancel Keysβ Seven Countries study, commonly cited as proof that the American diet is atherogenic. . . . the dietary assessment methodology was highly inconsistent across cohorts and thoroughly suspect. In addition, careful examination of the death rates and associations between diet and death rates reveal a massive set of inconsistencies and contradictions. . . It is almost inconceivable that the Seven Countries study was performed with such scientific abandon. It is also dumbfounding how the NHLBI/AHA alliance ignored such sloppiness in their many βrave reviewsβ of the study. . . In summary, the diet-CHD relationship reported for the Seven Countries study cannot be taken seriously by the objective and critical scientist.β Diet, Blood Cholesterol and Coronary heart disease: A Critical Review of the Literature, Volume 2, November 1981 pages 4-47 β 4-49
(5) F Perez-Llamas, et al, βEstimates of food intake and dietary habits in a random sample of adolescents in southeast Spain,β Journal of Human Nutrition and Diet, December 1996 9:(6):463-471
(6) A Alberti-Fidanza, et al, βDietary studies on two rural Italian population groups of the Seven Countries Study. 1. Food and nutrient intake at the thirty-first year follow-up in 1991,β European Journal of Clinical Nutrition February 1994 48(2)85-91
(7) Recipes of All Nations, Wm H. Wise & Co, New York, 1935, pages 779-781
(8) Thelma Barer-Stein, PhD, You Eat What You Are: People, Culture and Food Traditions, Firefly Books, Willowdale, Ontario, Canada 1999
(9) Edda Servi Machlin, The Classic Cuisine of Italian Jews, Dodd, Mead and Company, New York, 1981, pages 83-87
(10) Keys, op cit, 1995
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