Estrela de βΓ espera de um milagreβ e porta-voz da PETA morre de doenΓ§a cardΓaca, aos 54 anos idade
βGreen Mileβ Star & PETA Spokesperson Dies of Heart Disease, 54, de Anthony Colpo
(http://anthonycolpo.com/green-mile-star-dies-after-becoming-vegetarian/)
Traduzido por Renato Alves.
Qualquer um que assistiu ao filme Γ espera de um milagre [The Green Mile] lembra-se, sem dΓΊvida alguma, do fΓsico avantajado, de 131,5 kg, de Michael Clarke Duncan. Enquanto sua musculatura protuberante fazia olhos e mandΓbulas saltarem, sua atuaΓ§Γ£o, ao lado de Tom Hanks, conferiu-lhe gratificaΓ§Γ΅es, incluindo a indicaΓ§Γ£o para um Academy Award e Globo de Ouro como melhor ator coadjuvante.
O papel de Duncan foi particularmente digno de nota, por se tratar de um raro exemplo onde foi dado a um fisiculturista corpulento um papel βsΓ©rioβ e destacado, em um longa-metragem de Hollywood, ao invΓ©s do papel usual como valentΓ£o troglodita ou herΓ³i do filme que nΓ£o tira o dedo do gatilho.
Infelizmente, Michael Clarke Duncan, descrito por muitos como um βgigante amΓ‘velβ, morreu em 3 de setembro de 2012, aos 54 anos de idade, apΓ³s ter sofrido princΓpio de ataque cardΓaco em julho. Duncan βsofreu de enfarte do miocΓ‘rdio em 13 de julho e nunca se recuperou completamenteβ β declarou um porta-voz.
Antes de se tornar um ator reconhecido, Duncan, nascido em Chicago, utilizava sua estatura de 1,98 m como guarda-costas de celebridades como Will Smith, Martin Lawrence, Jamie Foxx, LL Cool J e The Notorious B.I.G., ao mesmo tempo em que realizava pequenas participaΓ§Γ΅es em programas de televisΓ£o e filmes.
Em 1998, Duncan foi escalado para o elenco do filme Armagedom, no papel de Bear, onde estabeleceu amizade com seu colega de elenco Bruce Willis. A influΓͺncia de Willis o ajudou a emplacar o papel que o levou ao estrelado, no filme Γ espera de um milagre. EntΓ£o, Duncan apareceu em diversos filmes que o tornaram um astro: Meu vizinho mafioso, Planeta dos macacos, O rei escorpiΓ£o (onde estrelou ao lado de seu amigo, Dwayne βThe Rockβ Johnson), A ilha e Demolidor: o homem sem medo.
A adesΓ£o de Duncan ao vegetarianismo
Em 2009, Duncan sucumbiu ao apelo vegano e passou para uma alimentaΓ§Γ£o isenta de carne. Dois meses apenas antes de seu ataque cardΓaco, Duncan exibiu seu fΓsico imenso em uma nova peΓ§a publicitΓ‘ria da PETA, apresentando o slogan βEu sou Michael Clarke Duncan e eu sou vegetarianoβ [βI Am Michael Clarke Duncan, and I Am a Vegetarianβ].
Em um vΓdeo para a campanha, o ator indicado para um Oscar disse que, anteriormente, ele βconsumia muita carneβ e βnotou que tinha muitos problemas tambΓ©mβ. Se a carne era a causa destes problemas Γ© altamente questionΓ‘vel, entretanto, Duncan decidiu βtentar algo novo, empolgante e diferenteβ e se tornou vegetariano. Dentre suas fontes de inspiraΓ§Γ£o para esta mudanΓ§a radical na alimentaΓ§Γ£o, estΓ£o vΓdeos da PETA e os livros Magra e poderosa [Skinny Bitch] e Magro e poderoso [Skinny Bastard].
Ironicamente, Duncan alegou no vΓdeo da campanha publicitΓ‘ria que ele se sentia muito mais saudΓ‘vel, desde que se tornara vegetariano. βEstou muito mais forte do que quando eu comia carneβ.
https://www.youtube.com/watch?v=V8jQp0kq_L4
βA maioria de seus animais selvagens mais poderosos sΓ£o vegetarianos, entΓ£o, estou tentando elevar minha forΓ§a para aquele patamar[1]. NΓ£o sei se conseguirei ou nΓ£o, mas os elefantes sΓ£o vegetarianos[2]. Eles sΓ£o tΓ£o grandes, tΓ£oβ¦β.
Aprendendo com os erros alheios
Duncan faleceu aos 54 anos, um ano a menos que a morte prematura de meu pai (ele morreu com 55 anos de um segundo e fulminante ataque cardΓaco).
A ocorrΓͺncia do ataque cardΓaco derradeiro de meu pai foi rΓ‘pida, nΓ£o tanto por causa de maus conselhos de saΓΊde, mas por causa de total falta de conselho sobre estilo de vida por parte de seus mΓ©dicos. O distresse foi um grande problema para meu pai, que o levou Γ condiΓ§Γ£o de hipertenso e prΓ©-diabΓ©tico. Sem contar um seminΓ‘rio de duas horas para vΓtimas de ataque cardΓaco recente, onde os apresentadores vomitavam um monte de besteiras sem comprovaΓ§Γ£o cientΓfica e essencialmente inΓΊteis sobre colesterol, nΓ£o fora oferecido a meu pai qualquer conselho de saΓΊde, a nΓ£o ser advertΓͺncias tΓmidas para βtentar pegar mais leveβ.
Quanto a Duncan, Γ© difΓcil fazer qualquer comentΓ‘rio conclusivo com tΓ£o pouca informaΓ§Γ£o disponΓvel, mas existem alguns pontos que merecem ser debatidos.
Em primeiro lugar, a hipocrisia dos veganos. Se Duncan tivesse aderido Γ alimentaΓ§Γ£o com baixo teor de carboidratos ou a chamada βpaleolΓticaβ, trΓͺs anos atrΓ‘s, vocΓͺ pode apostar que a divulgaΓ§Γ£o de sua morte jΓ‘ estaria exageradamente estampada em todos os sites e fΓ³runs da internet.
Certamente, a turma vegana prefere agir como se jamais tivesse ouvido falar de sua morte, e, quando pressionada sobre esta questΓ£o, obviamente, insiste em dizer que sua morte possivelmente nΓ£o tem nada a ver com seus trΓͺs anos precedentes como vegetariano.
Se a adesΓ£o de Duncan ao vegetarianismo acelerou sua partida precoce ou nΓ£o, uma coisa Γ© certa: com certeza, nΓ£o o ajudou. Todos os alegados benefΓcios estrondosos da alimentaΓ§Γ£o vegetariana claramente nΓ£o se cumpriram para Duncan. O poderoso ator atΓ© poderia estar ficando mais forte, na academia de ginΓ‘stica, mas houve um mΓΊsculo que estava ficando mais fraco. E quando este mΓΊsculo pΓ‘ra de bombear, o quanto de peso vocΓͺ consegue levantar ou suportar nΓ£o importa em nada.
Antes de debatermos como uma alimentaΓ§Γ£o vegetariana poderia piorar um coraΓ§Γ£o jΓ‘ enfermo, vamos dar uma olhada em alguns outros fatores que poderiam ter influenciado no falecimento daquele gigante ator.
Os perigos de ficar marombado
Com 131,5 kg, Duncan era um cara grande. De acordo com a WikipΓ©dia, em 2002, solicitou-se a ele que ganhasse mais peso ainda (mais 18 kg) para o papel de Kingpin. Para isto, βele teria de levantar pesos por 30 minutos diariamente, praticar uma ou duas repetiΓ§Γ΅es de powerlifting[3] por dia e comer o que quisesse.β
Pessoal, a combinaΓ§Γ£o de pouco exercΓcio (pelo que parece, nΓ£o sΓ£o exercΓcios cardiovasculares) com o consumo de alimentos excessiva e indiscriminadamente Γ© algo realmente ruim. Se vocΓͺ quer encontrar uma forma de arruinar sua saΓΊde e encurtar seus anos de vida o mais rapidamente possΓvel, devem ser colocadas no topo da lista de seu plano de aΓ§Γ£o a comilanΓ§a e a falta de atividade fΓsica.
Γ muito lamentΓ‘vel, quando pessoas com este tipo de comportamento sofrem as conseqΓΌΓͺncias inevitΓ‘veis a sua saΓΊde e, entΓ£o, voltam-se contra e culpam, nΓ£o sua falta de atividade fΓsica ou as milhares de calorias extras das porcarias que comem, mas a boa e velha carne. Γ isso aΓ. O bode-expiatΓ³rio preferido de todos, a carne perfeitamente saudΓ‘vel e natural, a mesma que nos acompanha por 2,4 milhΓ΅es de anos[4], enquanto que incontΓ‘veis outras espΓ©cies herbΓvoras tombaram Γ margem do caminho, sempre leva a culpa dos interminΓ‘veis excessos que sΓ£o caracterΓsticos do dia-a-dia da alimentaΓ§Γ£o e do estilo de vida ocidentais.
Se hΓ‘ algo que vocΓͺs podem aprender das mortes de meu pai e de Michael Clarke Duncan Γ© que esta conduta nΓ£o se atΓ©m Γ s coisas que realmente importam e que sΓ£o fatais. Enquanto a propaganda da PETA e a formataΓ§Γ£o popular de tolices, como Magra e poderosa e Magro e poderoso convenceram Duncan a eliminar a carne de sua alimentaΓ§Γ£o, aposto que ninguΓ©m jamais lhe disse para verificar seu nΓvel de ferritina sΓ©rica. E, caso ele o verificou, aposto que ninguΓ©m disse uma palavra, a nΓ£o ser se estivesse acima de 400, o nΓvel oficial de hemocromatose.
NΓ£o importa que as mulheres entram em menopausa e param de drenar, regularmente, sangue com alto teor de ferro de seus corpos, que sua ferritina sΓ©rica suba de uma mΓ©dia de 23 para 89, um nΓvel no qual seu risco anterior de ataque cardΓaco prontamente se eleva, equiparando ao dos homens na mesma idade. E nΓ£o importa que ensaios clΓnicos aleatorizados conseguiram reduΓ§Γ£o significativa na incidΓͺncia de doenΓ§as cardiovasculares (e cΓ’ncer) e na mortalidade de pacientes com flebotomia regular (extraΓ§Γ£o sangΓΌΓnea).
Aposto que ele nΓ£o recebeu qualquer aviso a respeito dos riscos de se manter tamanho peso corporal por meio de uma alimentaΓ§Γ£o que parece ter sido delineada para levantamento de pesos pesados, junto com condicionamento cardiovascular pΓfio ou inexistente. E convenhamos, pessoal. Treino com pesos, da forma realizada por 99% dos praticantes, nΓ£o constitui condicionamento cardiovascular suficiente, principalmente quando realizado com poucas repetiΓ§Γ΅es e perΓodos extensos de repouso (e nΓ£o me venham com a balela de βagachamentos com respiraΓ§Γ£oβ, fazendo cΓ³cegas ao coraΓ§Γ£o e aos pulmΓ΅es, como sendo tΓ£o eficientes quanto duas horas de corrida em uma montanha. O vΓdeo abaixo mostra um homem que podia fazer vinte repetiΓ§Γ΅es de agachamento da forma mais bem executada possΓvel, o ΓΊltimo dos homens-fortes, Jesse Marunde. Os agachamentos se iniciam ao 1:15 do vΓdeo):
https://www.youtube.com/watch?v=RyyqDB6WMuI
Marunde, de 136 kg, segundo colocado no campeonato do Homem Mais Forte do Mundo, em 2005, ficando atrΓ‘s do polonΓͺs Mariusz Pudzianowski, a sensaΓ§Γ£o neste meio, morreu apΓ³s um treinamento, em 2007. A causa de sua morte foi defeito genΓ©tico cardΓaco, cardiomiopatia hipertrΓ³fica, uma das principais causas de morte sΓΊbita devido a problema cardΓaco entre atletas jovens. Ele tinha apenas 27 anos de idade.
https://www.youtube.com/watch?v=FV4dmHHPqDo (Jesse Marunde versus Mariusz Pudzianowski)
Jesse juntou-se Γ longa lista de homens-fortes gigantes que sofreram de problemas cardΓacos em idade desproporcionalmente jovem, incluindo O. D. Wilson (ataque cardΓaco fulminante, na idade de 37 anos), JΓ³n PΓ‘ll Sigmarsson (ataque cardΓaco fulminante aos 32 anos) e Magnus Ver Magnusson (ataque cardΓaco nΓ£o fatal aos 35).
Compare esta falta de longevidade alarmante Γ quela do homem-forte de antigamente, que colocava mais Γͺnfase no condicionamento cardiovascular, como Joe Rollino (morreu aos 104 anos de idade, por ter sido atropelado por um furgΓ£o, no bairro nova-iorquino do Brooklyn) e Jack LaLanne (morreu de pneumonia aos 96 anos).
http://anthonycolpo.com/wp-content/uploads/2012/09/joe-rollino.jpg (Os homens-fortes de hoje nΓ£o sΓ£o mais como os de antigamente: O famoso homem-forte Joe Rollino praticando boxe com sua sombra, em seu 103ΒΊ aniversΓ‘rio.)
O caso de Rollino Γ© particularmente instrutivo. Apesar de se aclamarem como praticantes de uma alimentaΓ§Γ£o superior, os vegetarianos tendem a ter poucos de seus membros entre a populaΓ§Γ£o centenΓ‘ria. Entretanto, Rollino foi um vegetariano longevo que tambΓ©m evitava cigarros e Γ‘lcool. Da mesma forma como Duncan o fez nos trΓͺs anos finais de sua vida, Rollino tambΓ©m se abstinha de carne e andava 8 km todas as manhΓ£s, com chuva ou com sol. JΓ‘ fora membro do Coney Island Polar Bear Club, um grupo de pessoas que nadavam no Oceano AtlΓ’ntico, na Γ©poca do ano em que as Γ‘guas estΓ£o mais cruΓ©is e geladas. βAs pessoas me disseram que Γ© dele o recorde por nadar diariamente, por oito anosβ – disse Louis Scarcella, 59 anos, ex-detetive de homicΓdios e membro do clube.
NΓ£o obstante sua forΓ§a notΓ‘vel, Rollino nunca foi uma pessoa corpulenta. Com 1, 65 m de altura, seu peso oscilava entre 56 kg e 68 kg. Parecia que ele tinha ganhado na loteria genΓ©tica. Em uma entrevista, em 2008, ele dissera ter βnascido forteβ.
Sob todos os pontos de vista, Joe Rollino aproveitou ao mΓ‘ximo a vida e ansiava com entusiasmo pelo dia seguinte. Ele nunca estava pessimista, sarcΓ‘stico, zangado ou ressentido e desfrutava de amplo cΓrculo social, no qual era bem acolhido e respeitado. Ainda mais do que o exercΓcio diΓ‘rio, fatores psicossociais que contribuem tΓ£o poderosamente para a saΓΊde sΓ£o lamentavelmente menosprezados pelo pΓΊblico, assim como pelos pesquisadores nutricionais, que preferem acreditar que a chave para a longevidade reside em algum tipo de mΓ©todo alimentar mΓ‘gico.
Desde que vocΓͺ faΓ§a as coisas certas para alcanΓ§Γ‘-lo, ter um corpo atlΓ©tico e com mΓΊsculos fortes contribui para saΓΊde mental e fΓsica. Mas as coisas tipicamente necessΓ‘rias para levar seu corpo de meramente desgastado Γ categoria de monstro de carteirinha nΓ£o sΓ£o saudΓ‘veis. Os registros histΓ³ricos indicam que pessoas pesando ao redor de 136 kg e que constantemente submetem seus coraΓ§Γ΅es a esforΓ§os agudos extremos, sem o prΓ©-condicionamento cardiovascular necessΓ‘rio, quase invariavelmente sofrem de problemas cardΓacos decorrentes e freqΓΌentemente tΓͺm sua longevidade grandemente diminuΓda.
Mas e quanto ao vegetarianismo e as doenΓ§as cardΓacas?
Defensores do vegetarianismo e do veganismo costumeiramente fazem afirmaΓ§Γ΅es ousadas em relaΓ§Γ£o a sua alimentaΓ§Γ£o, incluindo a de risco intensamente reduzido de doenΓ§as cardΓacas, bem como a capacidade de a alimentaΓ§Γ£o isenta de carne βreverterβ aquelas doenΓ§as.
As alegaΓ§Γ΅es a respeito da reduΓ§Γ£o do risco de doenΓ§as cardiovasculares advΓͺm de estudos epidemiolΓ³gicos, estas vastas minas de ouro de dados estatΓsticos facilmente manipulΓ‘veis, tendenciosos de acordo com o propΓ³sito. Mas quando vocΓͺ olha mais de perto estes estudos, algumas coisas se destacam:
- No geral, vegetarianos fumam menos, exercitam-se mais e sΓ£o menos propensos a estarem acima do peso do que as pessoas onΓvoras. Isto explicaria seu risco menor de doenΓ§as cardiovasculares. Apesar disso, pessoas que consomem carne e possuem estes mesmos hΓ‘bitos saudΓ‘veis tambΓ©m desfrutam de risco significativamente menor de doenΓ§as cardiovasculares.
- NΓ£o obstante seu risco menor de doenΓ§as cardiovasculares, os vegetarianos nΓ£o desfrutam, em mΓ©dia, do benefΓcio da longevidade de forma alguma, levando a crer que outros aspectos prejudiciais de sua alimentaΓ§Γ£o ou estilo de vida contrabalanceiem os benefΓcios vasculares devidos a reduΓ§Γ£o de fumo, de inatividade fΓsica e dos Γndices de obesidade. O maior estudo de acompanhamento de doenΓ§as cardiovasculares, cΓ’ncer e taxas gerais de mortalidade em vegetarianos e onΓvoros Γ© o estudo EPIC-Oxford. O artigo mais recente do estudo EPIC, com acompanhamento de 2007 e abrangendo mais de 64.000 participantes, mais uma vez, nΓ£o encontrou diferenΓ§a na mortalidade geral entre vegetarianos e nΓ£o-vegetarianos. Pessoas que consomem peixe e vegetarianos apresentaram taxas levemente menores de doenΓ§as cardiovasculares do que as dos consumidores de carne, mas taxas maiores de derrame. A incidΓͺncia total de cΓ’ncer foi significativamente menor entre consumidores de peixe e borderline significativamente menor entre vegetarianos do que entre consumidores de carne. Em total contraste ao dogma anti-carne predominante, o risco de cΓ’ncer colorretal foi significativamente maior entre vegetarianos. Quanto Γ somatΓ³ria de todas as causas de morte, a mortalidade de consumidores de peixe foi um pouquinho mais baixa do que a de consumidores de carne, e a mortalidade de vegetarianos foi um pouquinho mais alta. [1,2].
Em relaΓ§Γ£o Γ s alegaΓ§Γ΅es de que a alimentaΓ§Γ£o vegetariana/vegana Γ© mais saudΓ‘vel ao coraΓ§Γ£o, seus defensores invariavelmente apontam para os trabalhos do Dr. Caldwell Esselstyn e Dr. Dean Ornish.
Citar o trabalho de Esselstyn quanto a este respeito Γ© muita insinceridade. Ao mesmo tempo em que ele, de fato, relatou regressΓ£o de espessura coronΓ‘ria e notΓ‘vel reduΓ§Γ£o em ocorrΓͺncias cardiovasculares em seu trabalho publicado, seu procedimento envolveu diversos fatores diferentes em conjunto, como evitar-se carne, erradicaΓ§Γ£o de alimentos processados e refinados, evitar-se aΓ§ΓΊcar, reduΓ§Γ£o de calorias e perda de peso. O estudo coorte do qual ele obteve seus dados originalmente contava com uma mulher e vinte e trΓͺs homens, sem qualquer grupo de controle compatibilizado. A ΓΊnica coisa que lembrava βcontroleβ eram seis pacientes sem queixas que deixaram seu programa e retornaram Γ βassistΓͺncia padrΓ£oβ. Esselstyn e seus apoiadores sΓ£o ligeiros em rotular carne como um agente aterogΓͺnico, mas a ciΓͺncia idΓ΄nea prega que, antes de alguΓ©m sequer pensar em fazer tais alegaΓ§Γ΅es, deve-se testar sua hipΓ³tese, comparando dois grupos pareados em todos os sentidos, exceto pelo consumo de carne. Esselstyn nΓ£o chegou nem perto disto. Seu relatΓ³rio descreve, nΓ£o um ensaio controlado aleatorizado, mas um acompanhamento clΓnico de um grupo pequeno e seleto de pacientes seguindo procedimentos alimentares variados. Para se alegar que o trabalho de Esselstyn confirma caracterΓstica aterogΓͺnica da carne, frente a todas estas discrepΓ’ncias, Γ©, falando muito francamente, estupidez.
Quanto a Ornish, o grupo procedimental de seu extensamente elogiado Lifestyle Heart Trial tambΓ©m foi submetido a um programa de procedimentos variados, neste caso, incluindo nΓ£o apenas uma diversidade de mudanΓ§as alimentares, mas tambΓ©m atividade fΓsica e reduΓ§Γ£o de distresse. Ornish relatou maior regressΓ£o de espessura arterial e menor nΓΊmero de ocorrΓͺncias cardiovasculares em seu grupo procedimental, em comparaΓ§Γ£o do grupo de controle. NΓ£o foi tΓ£o extensamente elogiado o fato de ter havido maior taxa de mortalidade no grupo procedimental, apΓ³s cinco anos de acompanhamento (duas mortes, em contraste com uma, no grupo de controle). Isto pode ter sido obra do acaso, de acordo com Ornish, apesar de um dos Γ³bitos do grupo de tratamento ter sido de um participante que parara de seguir o procedimento, e o outro, de um participante que, conforme consta nos relatΓ³rios, teve sua freqΓΌΓͺncia cardΓaca alvo excedida durante atividade fΓsica, com conseqΓΌΓͺncias fatais [3].
Pena nΓ£o dispormos de um ensaio mais amplo, para analisarmos mais detidamente. Espere um minuto… nΓ³s temos! O projeto Multicenter Lifestyle Demonstration procurou aplicar o procedimento do ensaio original de Ornish a um grupo maior de pacientes cooptados de clΓnicas de profissionais mΓ©dicos dos Estados Unidos, de oito centros mΓ©dicos de todo o paΓs, habilitadas em todos os aspectos do programa Lifestyle, o qual administraram a pacientes com doenΓ§a na artΓ©ria coronΓ‘ria. O estudo nΓ£o foi aleatorizado nem controlado. Ao invΓ©s disso, os resultados obtidos de 194 pacientes que concluΓram o procedimento foram comparados com os de 139 pacientes que nΓ£o fizeram parte do programa Lifestyle.
ApΓ³s trΓͺs anos, nΓ£o houve diferenΓ§as significativas em taxas de ocorrΓͺncias cardΓacas nem de mortalidade entre pacientes do procedimento e dos grupos de controle. O nΓΊmero de ocorrΓͺncias cardΓacas por paciente, ao ano, do acompanhamento, quando comparado o do grupo procedimental com o do grupo de controle, foi o seguinte: 0,012 contra 0,012 para enfarte de miocΓ‘rdio; 0,014 contra 0,006 para derrame; 0,006 contra 0,012 para mortes nΓ£o relacionadas a ocorrΓͺncia cardΓaca; e 0,014 contra 0,012 para mortes relacionadas a ocorrΓͺncia cardΓaca (nenhuma das diferenΓ§as foi estatisticamente relevante) [4].
O programa de Ornish atΓ© pode promover melhoras, em curto prazo, na imagem da seΓ§Γ£o transversal da artΓ©ria, mas qualquer alegaΓ§Γ£o de que reduz mortalidade efetiva por doenΓ§as cardΓacas e por derrame Γ© claramente falsa. De acordo com seus prΓ³prios dados, ao contrΓ‘rio das alegaΓ§Γ΅es que ele faz em livros e entrevistas, seu programa nΓ£o faz nada do tipo. E, mesmo se fizesse, a natureza multifacetada de seu programa de procedimentos automaticamente impossibilitaria a emissΓ£o de qualquer alegaΓ§Γ£o de que a privaΓ§Γ£o de carne foi o fator responsΓ‘vel.
Vale reiterar que o ensaio de procedimento alimentar contra doenΓ§as cardiovasculares de maior sucesso de todos os tempos foi o Lyon Diet Heart Study, de Michel de Lorgeril, uma alimentaΓ§Γ£o nΓ£o-vegetariana, contendo carne bovina e peixe. ApΓ³s um acompanhamento mΓ©dico de 27 meses, as doenΓ§as cardiovasculares e a mortalidade geral durante o tratamento sofreram uma queda, respectivamente, de 81% e 60%. Estamos nos referindo a reduΓ§Γ΅es gigantescas de mortes efetivas, pessoal, nΓ£o a meras mudanΓ§as microscΓ³picas na espessura arterial, como as determinadas por angiografia. A reduΓ§Γ£o da mortalidade no grupo procedimental de de Lorgeril foi tΓ£o drΓ‘stica que o ensaio teve de ser terminado antecipadamente, por nΓ£o ser Γ©tico continuar mantendo o grupo de controle no estudo. NΓ£o Γ© necessΓ‘rio dizer que nada relatado por Esselstyn ou Ornish jamais poderia se equiparar Γ s reduΓ§Γ΅es drΓ‘sticas nas taxas efetivas de Γ³bito vistas naquele estudo.
Apenas algumas das muitas falhas nutricionais da alimentaΓ§Γ£o vegetariana
Quando alguΓ©m com condicionamento cardΓaco precΓ‘rio realiza atividade extenuante, existe aumento acentuado da possibilidade de que seu mΓΊsculo cardΓaco sofra dificuldades para contraΓ§Γ£o e do que se conhece como isquemia (falta perigosa de oxigΓͺnio). Ademais, qualquer propensΓ£o a coagulaΓ§Γ£o sangΓΌΓnea de maneira mais imediata pode estimular trombose, a formaΓ§Γ£o de coΓ‘gulos sangΓΌΓneos.
Existem diversos nutrientes que desempenham papΓ©is fundamentais na contraΓ§Γ£o do mΓΊsculo cardΓaco e na reduΓ§Γ£o do risco de trombose, e uma alimentaΓ§Γ£o vegetariana oferece quantias menores de muitos deles, incluindo, mas nΓ£o se limitando a eles, taurina, carnitina, creatina e Γ‘cidos graxos Γ΄mega-3 de cadeia longa.
A suplementaΓ§Γ£o de carnitina tem sido usada por mΓ©dicos italianos com sucesso, no tratamento de pacientes com doenΓ§as cardiovasculares e insuficiΓͺncia cardΓaca, e estudos comparativos mostram que veganos e vegetarianos possuem Γndices menores de carnitina do que os de pessoas onΓvoras [5-7]. Reconhecidamente, as diferenΓ§as sΓ£o maiores em crianΓ§as do que em adultos, e desconhece-se exatamente qual, se as pequenas diferenΓ§as desempenham algum papel na patogenesia de doenΓ§as cardiovasculares.
A taurina Γ© um amino-Γ‘cido com provimento muito menor para os vegetarianos, e atΓ© mesmo alguns defensores veganos prolΓficos reconhecem que esta deficiΓͺncia poderia predispor veganos a maior risco de doenΓ§as cardiovasculares:
βOs Γndices de taurina no plasma sΓ£o menores, e a excreΓ§Γ£o de taurina pela urina Γ© substancialmente menor em vegetarianos do que em onΓvoros. Plaquetas sangΓΌΓneas sΓ£o ricas em taurina, que atua fisiologicamente no refreamento do influxo de cΓ‘lcio, incitado por agonistas agregantes, com isso, ajustando, por reduΓ§Γ£o, a agregaΓ§Γ£o plaquetΓ‘riaβ.
Traduzido, este palavreado cientΓfico significa βCarΓͺncia de taurina nos vegetarianos pode promover coagulaΓ§Γ£o sangΓΌΓneaβ. Considerando que a coagulaΓ§Γ£o sangΓΌΓnea Γ© um fator precipitante importante em muitos ataques cardΓacos, isto nΓ£o Γ© uma boa coisa.
Outro fator que parece agravar esta predisposiΓ§Γ£o a aumento de trombose Γ© a alta razΓ£o entre Γ‘cidos graxos Γ΄mega-6 e Γ΄mega-3, vista no plasma de vegetarianos. Pesquisadores do RMIT da cidade mais fantΓ‘stica da AustrΓ‘lia e βmais habitΓ‘vel do mundoβ, Melbourne, descobriram que a razΓ£o nβ3:nβ6 das plaquetas e do plasma era significativamente menor em ovo-lacto-vegetarianos e veganos do que em consumidores de carne. EntΓ£o, amostras sangΓΌΓneas destes trΓͺs grupos foram submetidas a testes de agregaΓ§Γ£o plaquetΓ‘ria. Antes de eu lhe dizer o que aconteceu β prepare-se, pessoal, aΓ vem mais palavrΓ³rio cientΓfico:
βAgregaΓ§Γ£o plaquetΓ‘ria estimulada por colΓ‘geno e adenosina difosfato no sangue integral mostrou tendΓͺncia significativamente oposta Γ razΓ£o nβ3:nβ6, tanto no plasma quanto nos fosfolipΓdios plaquetΓ‘rios. Descobriu-se maior quantidade de 11-dehidro-tromboxane B2 (11-dehidro-TXB2) plasmΓ‘tico, um metabΓ³lito estΓ‘vel da tromboxane A2, em grupos de ovo-lacto-vegetarianos e veganos do que naqueles de pessoas que consomem carneβ.
Estre trecho basicamente significa que vegetarianos possuem risco potencialmente maior de trombose do que o de onΓvoros.
E, pessoal, nem vou mencionar a carΓͺncia de vitamina B-12, que somente os defensores veganos mais iludidos insistem que nΓ£o seja um problema. Γ um problema enorme, conforme explica este artigo[5].
E eis um link[6] para um estudo descrevendo um homem de 56 anos que praticou alimentaΓ§Γ£o vegetariana por 40 anos, sendo, nos 4 ΓΊltimos, alimentaΓ§Γ£o vegana. Nossa! Ele deve ter tido artΓ©rias impressionantes, se acreditarmos nos encantos da βalimentaΓ§Γ£o Γ base de alimentos de origem vegetalβ. Ao contrΓ‘rio, ele foi levado ao hospital com aterosclerose aΓ³rtica, angina e necessitando de substituiΓ§Γ£o da vΓ‘lvula aΓ³rtica. E ele ainda recebeu um bΓ΄nus por seus esforΓ§os, que a maioria dos onΓvoros nΓ£o recebem: carΓͺncia de vitamina B-12.
Em sΓntese, nΓ£o existem, absolutamente, evidΓͺncias crΓveis de que alimentaΓ§Γ£o vegetariana ou vegana possa reduzir a incidΓͺncia de doenΓ§as cardiovasculares ou mortalidade, mas existem diversas linhas de evidΓͺncias, a nΓ£o ser que vocΓͺ nasceu com a genΓ©tica de um Joe Rollino, de que ela, na verdade, aumenta estes desfechos.
Isto, meus amigos, Γ© o fundamento terrivelmente fajuto sobre o qual o pessoal Γ© levado a adotar alimentaΓ§Γ£o vegetariana. A propaganda vegetariana / vegana certamente nΓ£o ajudou Michael Clarke Duncan e, atΓ© mesmo, pode ter antecipado sua partida antes de hora.
NΓ£o caia no mesmo erro.
Nota de isenΓ§Γ£o de lucros: Sem contar um saco de ossos para sopa que um aΓ§ougueiro, certa vez, deu-me, este que vos escreve jamais recebeu qualquer benefΓcio da indΓΊstria da carne, financeiro ou de qualquer outro tipo.
ReferΓͺncias
- Key TJ, et al. Mortality in British vegetarians: results from the European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition (EPIC-Oxford). American Journal of Clinical Nutrition, 2009; 89 (Suppl): 1613Sβ1619S.
- Key TJ, et al. Cancer incidence in vegetarians: results from the European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition (EPIC-Oxford). American Journal of Clinical Nutrition, 2009 89: (Suppl): 1620S-1626S.
- Ornish D, et al. Intensive lifestyle changes for reversal of coronary heart disease. Journal of the American Medical Association, Dec 16, 1998; 280 (23): 2001-2007.
- Koertge J, et al. Improvement in medical risk factors and quality of life in women and men with coronary artery disease in the Multicenter Lifestyle Demonstration Project. American Journal of Cardiology, Jun 1, 2003; 91 (11): 1316-1322.
- Lombard KA, et al. Carnitine status of lactoovovegetarians and strict vegetarian adults and children.Β American Journal of Clinical Nutrition, 1989 Aug; 50 (2): 301-306.
- Rebouche CJ, et al. Utilization of dietary precursors for carnitine synthesis in human adults. Journal of Nutrition, 1989 Dec; 119 (12): 1907-1913.
- Etzioni A, et al. Systemic carnitine deficiency exacerbated by a strict vegetarian diet.Β Archives of Disease in Childhood, 1984 Feb; 59 (2): 177-179.
Fontes para informaΓ§Γ£o sobre Michael Clark Duncan:
- http://en.wikipedia.org/wiki/Michael_Clarke_Duncan
- http://www.guardian.co.uk/world/2012/sep/04/michael-clarke-duncan-green-mile-dead?newsfeed=true
- http://www.kshb.com/dpp/entertainment/celebrity/Green-Mile-star-joins-veggie-campaign_23162602
- http://www.smh.com.au/entertainment/movies/green-mile-actor-michael-clarke-duncan-dead-at-54-20120904-25b6l.html
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Anthony Colpo Γ© um pesquisador independente, especialista em condicionamento fΓsico e autor de The Fat Loss Bible [A bΓblia da perda de gorduras] e The Great Cholesterol Con [A grande fraude do colesterol]. Para mais informaΓ§Γ΅es, visite TheFatLossBible.net ou TheGreatCholesterolCon.com .
Copyright Β© Anthony Colpo.
[1] AfirmaΓ§Γ£o questionΓ‘vel, bastando averiguar a exuberΓ’ncia e abundΓ’ncia, em igual medida, de fortes, vigorosos e imponentes animais carnΓvoros no mundo selvagem, a comeΓ§ar pelo que recebe o tΓtulo do rei dos animais, o leΓ£o. (Nota do Tradutor: NT)
[2] AlΓ©m da forΓ§a, Γ© notΓ³ria a porcentagem de gordura corporal dos paquidermes, nΓ£o servindo, portanto, de bom argumento em relaΓ§Γ£o Γ saΓΊde, se, por mimetizaΓ§Γ£o, desejΓ‘ssemos que nosso corpo tivesse a mesma estrutura do daquele animal. Ademais, uma comparaΓ§Γ£o entre os sistemas digestivos do elefante e do ser humano apontaria a alimentaΓ§Γ£o herbΓvora adequada Γ quele animal, o que nΓ£o poderia ser afirmado veementemente Γ segunda espΓ©cie. (NT)
[3] Powerlifting Γ© uma prΓ‘tica de musculaΓ§Γ£o composta de estΓ‘gios, que podem ser realizados em sequΓͺncia ou isoladamente: agachamento, supino e levantamento. (Fonte: Hipertrofia.org. NT)
[4] Obviamente, dada a mudanΓ§a das espΓ©cies utilizadas pelo homem, para sua alimentaΓ§Γ£o, bem como mudanΓ§as nutricionais dos mesmos animais e alteraΓ§Γ΅es ambientais, como o advento de poluentes artificiais, nΓ£o se pode afirmar que a composiΓ§Γ£o nutricional da carne, como alimento, manteve-se intacta, ao longo da histΓ³ria da humanidade. Todavia, tal fato nΓ£o desabona a linha argumentativa do autor. (NT)
[5] http://www.ajcn.org/content/78/1/3.full .
[6] http://annals.org/article.aspx?articleid=694510 .
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