Mitos do vegetarianismo
TraduΓ§Γ£o de Myths of Vegetarianism
Traduzido por Renato Alves.
βMitos e verdades sobre o vegetarianismoβ. Publicado originalmente na Townsend Letter for Doctors & Patients, em julho de 2000. Revisado em janeiro de 2002.
βUma determinaΓ§Γ£o inabalΓ‘vel para se considerem todas as evidΓͺncias Γ© o ΓΊnico mΓ©todo de preservaΓ§Γ£o contra os extremos flutuantes da opiniΓ£o da modaβ. – Alfred North Whitehead
Bill e Tanya se sentaram diante de mim, em meu consultΓ³rio, com um humor lΓΊgubre: haviam perdido seu primeiro filho no segundo mΓͺs de gestaΓ§Γ£o. Especialmente Tanya estava desconcertada: βPor que isso aconteceu comigo? Por que perdi meu bebΓͺ?β
O jovem casal viera me ver, principalmente por causa das infecΓ§Γ΅es respiratΓ³rias recorrentes de Tanya, e queriam algum conselho a respeito de como poderiam evitar o transtorno de outra gravidez fracassada.
Questionando Tanya sobre sua alimentaΓ§Γ£o, rapidamente percebi a causa de suas infecΓ§Γ΅es, bem como de seu aborto espontΓ’neo: praticamente nΓ£o havia gordura em sua alimentaΓ§Γ£o, que era predominantemente vegetariana. Por causa da retΓ³rica midiΓ‘tica exaustiva em relaΓ§Γ£o aos supostos perigos do consumo de produtos de origem animal, em oposiΓ§Γ£o aos alegados benefΓcios Γ saΓΊde do estilo de vida vegetariano, Tanya deliberadamente removeu coisas como creme, manteiga, carnes e peixe de sua alimentaΓ§Γ£o. Embora ela gostasse de fΓgado, evitava-o, pela preocupaΓ§Γ£o com as βtoxinasβ.
Tanya e Bill partiram com um frasco de vitamina A, outros suplementos e uma prescriΓ§Γ£o alimentar que incluΓa quantias fartas de gorduras animais e carne. Assim que deixou minha sala, Tanya olhou para mim e disse tristemente: βΓs vezes, eu simplesmente nΓ£o sei em que acreditar. Em todo lugar que olho hΓ‘ essas coisas vegetarianas recomendadas, com baixo teor de gordura. Eu segui isto, e veja o que aconteceuβ.
Eu lhe garanti que, se ela e seu marido mudassem sua alimentaΓ§Γ£o e aguardassem pacientemente que seu ΓΊtero debilitado se restabelecesse, eles seriam pais felizes, no devido tempo. Em novembro de 2000, Bill e Tanya, com muita alegria, deram Γ luz seu primeiro filho, uma menina.
A evoluΓ§Γ£o de um mito
Junto com o temor sem justificativa e sem embasamento cientΓfico, desenvolvido nas ΓΊltimas dΓ©cadas, contra gordura saturada e colesterol, surgiu a idΓ©ia de que o vegetarianismo Γ© uma opΓ§Γ£o alimentar mais saudΓ‘vel para as pessoas. Γ como se todos os peritos em saΓΊde e autoridades governamentais da Γ‘rea estivessem incitando as pessoas a comer menos produtos de origem animal e a consumir mais legumes, grΓ£os, frutas e verduras. Estas exortaΓ§Γ΅es sΓ£o acompanhadas de afirmaΓ§Γ΅es e estudos supostamente provando que o vegetarianismo Γ© mais saudΓ‘vel Γ s pessoas e que o consumo de carne estΓ‘ relacionado a doenΓ§a e morte. No entanto, diversas autoridades questionaram estes dados, mas suas objeΓ§Γ΅es sΓ£o foram fortemente ignoradas.
Como veremos, muitas das alegaΓ§Γ΅es vegetarianas nΓ£o possuem comprovaΓ§Γ£o, e algumas sΓ£o simplesmente falsas e perigosas. Existem benefΓcios da alimentaΓ§Γ£o vegetariana para determinados quadros de saΓΊde, e algumas pessoas atuam melhor com menos gordura e proteΓna, mas, como um profissional que teve de cuidar de vΓ‘rios ex-vegetarianos e ex-veganos (vegetarianos completos), sei muito bem os efeitos perigosos de uma alimentaΓ§Γ£o isenta de produtos de origem animal saudΓ‘veis. Espero que todos os leitores avaliem mais cuidadosamente sua postura em relaΓ§Γ£o ao vegetarianismo, apΓ³s a leitura deste texto.
Mito nΒΊ1: O consumo de carne Γ© um dos responsΓ‘veis pela crise de fome e exaure os recursos naturais da Terra.
Alguns vegetarianos alegaram que a criaΓ§Γ£o de animais demanda pastagens que poderiam ser usadas para o plantio de grΓ£os para alimentar a populaΓ§Γ£o famΓ©lica dos paΓses do Terceiro Mundo. TambΓ©m foi alegado que alimentar animais Γ© uma das causas responsΓ‘veis pela fome mundial, porque a criaΓ§Γ£o de animais consome alimentos que poderiam ser direcionados para alimentar seres humanos. Portanto, a soluΓ§Γ£o Γ fome mundial Γ© as pessoas se tornarem vegetarianas. Estes argumentos sΓ£o ilΓ³gicos e simplistas.
O primeiro argumento despreza o fato de que cerca de 2/3 das terras de nosso planeta sΓ£o inadequados para o plantio. Primordialmente, sΓ£o as Γ‘reas abertas, desΓ©rticas e montanhosas que fornecem alimento para o pastoreio de animais, e a terra estΓ‘ atualmente sendo bem aproveitada (1).
O segundo argumento tambΓ©m Γ© falho, porque ignora as contribuiΓ§Γ΅es vitais que a criaΓ§Γ£o de animais faz ao bem-estar da humanidade. TambΓ©m estΓ‘ equivocado ao pensar que o alimento crescido no solo e dado como alimento Γ criaΓ§Γ£o animal poderia ser aproveitado para alimentar seres humanos:
Os animais de criaΓ§Γ£o pecuΓ‘ria sempre fizeram grande contribuiΓ§Γ£o ao bem-estar das sociedades humanas, provendo alimento, abrigo, combustΓvel, fertilizante e outros produtos e serviΓ§os. Eles sΓ£o um recurso renovΓ‘vel e utilizam outro recurso renovΓ‘vel, as plantas, para produzirem aqueles produtos e serviΓ§os. Ademais, o esterco produzido pelos animais ajuda a melhorar a fertilidade do solo e, por conseguinte, auxilia as plantas. Em alguns paΓses em desenvolvimento, o esterco nΓ£o pode ser usado como fertilizante, mas Γ© secado e usado como fonte de combustΓvel.
Devido ao fato de a populaΓ§Γ£o mundial estar crescendo mais rapidamente do que o suprimento de alimentos, hΓ‘ muitos pensando que estamos nos tornando cada vez menos capazes de sustentar alimentos de origem animal, porque alimentar os animais com produtos vegetais Γ© um uso ineficaz do potencial como alimento humano. Γ verdade que Γ© mais eficaz humanos comerem produtos de origem vegetal diretamente, ao invΓ©s de deixarem os animais converterem-nos em alimento humano. Na melhor das hipΓ³teses, os animais produzem um quilo ou menos, para cada trΓͺs quilos de plantas consumidos. Entretanto, esta ineficΓ‘cia se aplica somente Γ s plantas e produtos de origem vegetal que o ser humano consegue utilizar. O fato Γ© que mais de dois terΓ§os do alimento destinado a animais sΓ£o substΓ’ncias ou indesejΓ‘veis ou completamente inadequadas como alimento humano. Assim sendo, por sua capacidade de converter materiais vegetais nΓ£o comestΓveis em alimentaΓ§Γ£o humana, os animais nΓ£o apenas nΓ£o competem com os humanos, mas tambΓ©m auxiliam enormemente, aumentando tanto a quantidade quanto a qualidade da alimentaΓ§Γ£o das sociedades humanas (2).
Ademais, atualmente, existe alimento cultivado mais do que o suficiente no mundo para alimentar todas as pessoas do planeta. O problema Γ© que a pobreza largamente disseminada torna impossΓvel ao pobre famΓ©lico obter a comida. Em um relatΓ³rio abrangente, o Population Reference Bureau atribuiu o problema da fome mundial Γ pobreza, nΓ£o ao consumo de carne (3). TambΓ©m nΓ£o considerou o vegetarianismo em massa como uma soluΓ§Γ£o para aquele problema.
Todavia, o que realmente aconteceria, se a criaΓ§Γ£o de animais fosse abandonada, a favor da agricultura em massa, ocasionada pela adesΓ£o da humanidade ao vegetarianismo?
Se um grande nΓΊmero de pessoas passar ao vegetarianismo, a demanda por carne nos Estados Unidos e Europa se declinaria, o suprimento de grΓ£os aumentaria drasticamente, mas o poder aquisitivo das pessoas pobres (famΓ©licas) na Γfrica e Γsia nΓ£o mudaria em nada.
O resultado seria bem previsΓvel: haveria um Γͺxodo em massa das Γ‘reas de cultivo. Enquanto que, hoje, a quantidade total de grΓ£os produzidos poderia alimentar 10 bilhΓ΅es de pessoas, a quantia total de grΓ£os produzidos neste mundo pΓ³s-carne provavelmente regrediria a cerca de 7 ou 8 bilhΓ΅es. A tendΓͺncia de os produtores venderem suas terras a criadores[1] e outros seria rapidamente acelerada (4).
Em outras palavras, haveria menos alimento disponΓvel para o mundo comer. Adicionalmente, a monocultura de grΓ£os e legumes, que Γ© o que ocorreria, se a criaΓ§Γ£o de animais fosse abandonada, e mundo produzisse exclusivamente alimento de origem vegetal para sua alimentaΓ§Γ£o, o solo se exauriria rapidamente, e seria necessΓ‘rio o uso intensivo de fertilizantes artificiais, uma tonelada que requer dez toneladas de Γ³leo bruto para produzir (5).
Tanto quanto o impacto em nosso ambiente, um olhar mais de perto revela o grande estrago que a plantaΓ§Γ£o em massa e exclusiva faria. O produtor de laticΓnios orgΓ’nicos e pesquisador inglΓͺs Mark Purdey aponta sabiamente que, se βfosse para os sistemas agrΓcolas veganos ganharem posiΓ§Γ£o no solo, entΓ£o, o uso agroquΓmico, a erosΓ£o do solo, as culturas de rendimento, as paisagens de pradarias e a saΓΊde debilitada cresceriam vertiginosamenteβ (6).
Ray Audette, autor de Neanderthin, concorda com esta visΓ£o:
Desde os tempos antigos, o fator mais destrutivo ao meio-ambiente tem sido a monocultura agrΓcola. A produΓ§Γ£o de trigo na antiga SumΓ©ria transformou planΓcies outrora fΓ©rteis em salinas que permanecem estΓ©reis, 5.000 anos depois. Assim como exaure tanto os recursos dos solos quanto os das Γ‘guas, a monocultura agrΓcola tambΓ©m causa danos ambientais, por alterar o delicado equilΓbrio dos ecossistemas naturais. A produΓ§Γ£o mundial de arroz, em 1993, por exemplo, provocou 155 milhΓ΅es de caos de malΓ‘ria, por ocasionar Γ‘reas de procriaΓ§Γ£o para mosquitos nos arrozais. O contato humano com patos presentes nestas plantaΓ§Γ΅es resultou em 500 milhΓ΅es de casos de gripe no mesmo ano (7).
De qualquer forma, nΓ£o hΓ‘ muita dΓΊvida de que os mΓ©todos de produΓ§Γ£o comercial, se de plantas ou de animais, causam prejuΓzos ao ambiente. Com o uso intenso de agroquΓmicos, pesticidas, fertilizantes artificiais, hormΓ΄nios, esterΓ³ides e antibiΓ³ticos, comuns na agricultura moderna, necessita-se ser descoberta uma forma melhor de integrar criaΓ§Γ£o animal com agricultura. Uma possΓvel soluΓ§Γ£o poderia ser o retorno Γ βproduΓ§Γ£o mistaβ, descrita abaixo.
O consumidor instruΓdo e o produtor esclarecido, juntos, podem promover um retorno da produΓ§Γ£o mista, onde o cultivo de frutos, verduras e grΓ£os Γ© combinado com a criaΓ§Γ£o de animais e aves, de maneira eficiente, econΓ΄mica e ecolΓ³gica. Por exemplo, os frangos criados em regime aberto, em quintais, comendo insetos e pragas e fornecendo ovos de alta qualidade. Ovelhas pastejando em pomares, evitando o uso de herbicidas; e vacas pastando em bosques e outras Γ‘reas marginais, fornecendo leite puro, rico, tornando estas terras economicamente viΓ‘veis ao produtor. NΓ£o Γ© o cultivo que leva Γ fome e Γ inaniΓ§Γ£o, mas as prΓ‘ticas agrΓcolas imprudentes e os sistemas de distribuiΓ§Γ£o monopolΓstico (8).
A βproduΓ§Γ£o mistaβ Γ© tambΓ©m mais saudΓ‘vel ao solo, que produz mais, se cuidado conforme as orientaΓ§Γ΅es tradicionais. Mark Purdey apontou com precisΓ£o que os campos de colheita em uma produΓ§Γ£o mista proverΓ£o atΓ© cinco safras ao ano; enquanto que um βmono-plantioβ, uma ou duas (9). Qual produΓ§Γ£o estΓ‘ gerando mais alimento Γ s pessoas no mundo? Purdey pontuou bem os horrores ecolΓ³gicos da βproduΓ§Γ£o em bateriaβ e vislumbrou soluΓ§Γ΅es futuras, dizendo:
Nossas autoridades governamentais da Γ‘rea agrΓcola fariam muito bem em declarar ilegal a produΓ§Γ£o obcecada pelo lucro, usando unidades de confinamento animal, sistemas de bateria e burocracias do beef-burger, com todos os seus desperdΓcios, crueldade deplorΓ‘vel, sistema de chorume anti-ozΓ΄nio, imunotoxicidade induzida por drogas e substΓ’ncias quΓmicas, resultando em βdoenΓ§a da vaca loucaβ (vide mito nΒΊ 13) e salmonela, degradaΓ§Γ£o das florestas tropicais etc. Nossa direΓ§Γ£o futura deve abraΓ§ar o meio alegre e saudΓ‘vel das produΓ§Γ΅es mistas, ressuscitando o velho sistema tradicional extensivo como esquema bΓ‘sico e, entΓ£o, reforΓ§ando a produtividade Γ s demandas do dia de hoje pela incorporaΓ§Γ£o de uma aplicaΓ§Γ£o mais atualizada de ciΓͺncia biolΓ³gica nestes sistemas de produΓ§Γ£o (10).
Desta forma, nΓ£o parece que a criaΓ§Γ£o de animais, quando adequadamente executada, danifica o meio-ambiente. TambΓ©m nΓ£o parece que adotar o vegetarianismo ou depender da agricultura para suprir o mundo com alimento sejam idΓ©ias praticΓ‘veis ou ecologicamente sΓ‘bias.
Mito nΒΊ 2: A vitamina B12 pode ser obtida de fontes de origem vegetal.
De todos os mitos, talvez este seja o mais perigoso. Enquanto lacto e ovo-lacto-vegetarianos possuem fontes de vitamina B12 em sua alimentaΓ§Γ£o (de laticΓnios e ovos), veganos (vegetarianos plenos) nΓ£o as possuem. Veganos que nΓ£o suplementam sua alimentaΓ§Γ£o com vitamina B12, mais adiante, desenvolverΓ£o anemia (um distΓΊrbio de saΓΊde fatal), bem como danos graves aos sistemas nervoso e digestivo. Muitos, senΓ£o todos os veganos, apresentam metabolismo debilitado de B12, e todos os estudos com grupos veganos demonstraram baixas concentraΓ§Γ΅es de vitamina B12 na maioria dos indivΓduos (11). Diversos estudos tΓͺm documentado carΓͺncia de B12 em crianΓ§as veganas, freqΓΌentemente com conseqΓΌΓͺncias terrΓveis (12). Adicionalmente, alegaΓ§Γ΅es sΓ£o feitas na literatura vegana e vegetariana de que a B12 estΓ‘ presente em certas algas, no tempΓͺ (produto de soja fermentada) e no levedo de cerveja. Todos os casos nΓ£o se tratam de vitamina B12, encontrada somente em alimentos de origem animal. Levedo de cerveja e outras leveduras nutricionais nΓ£o contΓͺm naturalmente B12. SΓ£o sempre enriquecidos por uma fonte externa.
NΓ£o existe B12 real em fontes de origem vegetal, mas anΓ‘logos a B12. SΓ£o parecidos Γ verdadeira B12, mas nΓ£o sΓ£o exatamente o mesmo e, por causa disso, nΓ£o sΓ£o bio-disponΓvel (13). Deve-se notar, neste ponto, que estes anΓ‘logos Γ B12 podem comprometer a absorΓ§Γ£o da verdadeira vitamina B12 pelo corpo, devido Γ absorΓ§Γ£o competitiva, colocando veganos e vegetarianos que consomem grande quantidade de soja, algas e levedos a um risco maior de carΓͺncia desta vitamina (14).
Algumas autoridades vegetarianas alegam que a B12 Γ© produzida por certas bactΓ©rias fermentantes no intestino delgado. Isto pode ser verΓdico, mas Γ© uma forma nΓ£o aproveitΓ‘vel pelo corpo. A B12 necessita de fator intrΓnseco, localizado no estΓ΄mago, para sua devida absorΓ§Γ£o, no Γleo. Uma vez que o produto das bactΓ©rias nΓ£o possui o fator intrΓnseco para se ligar a ele, nΓ£o pode ser absorvido (15).
Γ verdade que veganos hindus, vivendo em certas partes da Γndia, nΓ£o sofrem de carΓͺncia de vitamina B12. Isto levou alguns a concluΓrem que alimentos de origem vegetal fornecem, sim, esta vitamina. Esta conclusΓ£o, entretanto, Γ© errΓ΄nea, porquanto muitos insetos pequenos, suas fezes, ovos, larvas e/ou resΓduos, sΓ£o deixados nos alimentos de origem vegetal que estas pessoas consomem, por causa da abstinΓͺncia do uso de pesticidas e por causa de mΓ©todos de limpeza ineficientes. Esta Γ© a maneira como estas pessoas obtΓͺm sua vitamina B12. Esta querela nasceu do fato de, quando hindus indianos veganos posteriormente migraram para a Inglaterra, eles contraΓrem anemia megaloblΓ‘stica, poucos anos depois. Na Inglaterra, o suprimento de alimento Γ© mais limpo, e os resΓduos de insetos sΓ£o completamente removidos dos alimentos de origem vegetal (16).
As ΓΊnicas fontes confiΓ‘veis e assimilΓ‘veis de vitamina B12 sΓ£o produtos de origem animal, principalmente carne de Γ³rgΓ£os e ovos (17). Embora presente em menor quantidade do que em carne e ovos, laticΓnios contΓͺm B12. Portanto, veganos deveriam considerar acrescentar laticΓnios em sua alimentaΓ§Γ£o. Se estes nΓ£o podem ser tolerados, ovos, preferencialmente do tipo caipira, passam a ser uma necessidade real.
Que a vitamina B12 pode ser obtida apenas de alimentos de origem animal Γ© um dos mais fortes argumentos contra o veganismo ser uma forma βnaturalβ de alimentaΓ§Γ£o humana. Hoje em dia, veganos evitam anemia pela suplementaΓ§Γ£o de vitaminas ou alimentos enriquecidos. Se estas mesmas pessoas tivessem vivido exatamente poucas dΓ©cadas atrΓ‘s, quando estes produtos nΓ£o eram disponΓveis, eles teriam morrido.
Mito nΒΊ 3: Nossas necessidades de vitamina D podem ser resolvidas com a luz solar.
Embora nΓ£o um mito vegetariano em si, Γ© amplamente difundida a crenΓ§a de que pode-se satisfazer as necessidades de vitamina D simplesmente pela exposiΓ§Γ£o da pele aos raios solares, por 15 a 20 minutos, algumas vezes na semana. Sempre existiram preocupaΓ§Γ΅es com carΓͺncia de vitamina D em vegetarianos e veganos, uma vez que este nutriente, em sua forma complexa plena, Γ© encontrado somente em gorduras animais (18), as quais veganos nΓ£o consomem, e vegetarianos mais moderados o fazem apenas em quantidades limitadas, devido a sua alimentaΓ§Γ£o isenta de carne.
Γ verdade que um nΓΊmero limitado de alimentos de origem vegetal, como alfafa, sementes de girassol e abacate contΓͺm a forma vegetal da vitamina D (ergocalciferol ou vitamina D2). Embora a D2 possa ser usada para prevenΓ§Γ£o e tratamento do raquitismo em seres humanos, doenΓ§a por carΓͺncia de vitamina D, Γ© questionΓ‘vel se esta forma Γ© tΓ£o eficaz quanto a D3, de origem animal (colecalciferol). Alguns estudos mostraram que a D2 nΓ£o Γ© tΓ£o bem aproveitada quanto a D3 em animais (19), e clΓnicos relataram resultados frustrantes, usando a vitamina D2 para tratar distΓΊrbios relacionados a carΓͺncia de vitamina D (20).
Embora a vitamina D possa ser criada por nossos corpos, por aΓ§Γ£o da incidΓͺncia de luz solar em nossa pele[2], Γ© muito difΓcil obter quantia melhor possΓvel de vitamina D por uma breve incursΓ£o ao sol. HΓ‘ trΓͺs faixas de radiaΓ§Γ£o ultravioleta que sΓ£o emitidas do Sol, chamadas A, B e C. Apenas a forma βBβ Γ© capaz de catalisar a conversΓ£o de colesterol em vitamina D em nossos corpos (21), e os raios UV-B estΓ£o presentes apenas em certos momentos do dia, em certas latitudes e em certos momentos do ano (22). AlΓ©m do mais, dependendo da cor da pele, a obtenΓ§Γ£o de 200 a 400 IU de vitamina D a partir do Sol pode levar perΓodos tΓ£o longos quanto duas horas de exposiΓ§Γ£o contΓnua (23). Portanto, um vegano de pele escura acharΓ‘ impossΓvel obter a melhor quantidade possΓvel de vitamina D, expondo-se ao Sol por 20 minutos, algumas vezes na semana, mesmo se o banho solar ocorrer durante aqueles perΓodos restritos do dia e do ano, quando os raios UV-B estΓ£o disponΓveis.
A dose diΓ‘ria recomendada para a vitamina D Γ© de 400 IU, mas a pesquisa referencial de Dr. Weston Price acerca de alimentaΓ§Γ£o de nativos adultos saudΓ‘veis mostrou que o influxo diΓ‘rio de vitamina D (proveniente de alimentos de origem animal) era em torno de 10 vezes aquela quantia, ou 4.000 IU (24). ConseqΓΌentemente, Dr. Price pΓ΄s grande Γͺnfase na vitamina D, na alimentaΓ§Γ£o. Sem esta vitamina, por exemplo, Γ© impossΓvel utilizar minerais como cΓ‘lcio, fΓ³sforo e magnΓ©sio. Um estudo recente confirmou as recomendaΓ§Γ΅es de Dr. Price por quantias mais elevadas de vitamina D para adultos (24).
Uma vez que o raquitismo e/ou os Γndices de vitamina D foram bem documentados em relaΓ§Γ£o a muitos vegetarianos e veganos (26), uma vez que gorduras animais ou faltam ou sΓ£o deficientes na alimentaΓ§Γ£o vegetariana (bem como na das populaΓ§Γ΅es ocidentais em geral que costumeiramente procuram cortar o consumo de gordura animal), uma vez que a luz solar Γ© apenas uma fonte de vitamina D em determinados perΓodos de tempo e em certas latitudes, e uma vez que as recomendaΓ§Γ΅es nutricionais atuais para vitamina D sΓ£o muito baixas, enfatiza-se a necessidade de haver fontes confiΓ‘veis e abundantes deste nutriente em nossa alimentaΓ§Γ£o. Incluem-se nas boas fontes Γ³leo de fΓgado de bacalhau, banha de porcos expostos Γ luz solar, camarΓ£o, salmΓ£o nΓ£o criado em cativeiro, sardinhas, manteiga, laticΓnios integrais e ovos de galinhas alimentadas apropriadamente.
Mito nΒΊ 4: A necessidade do corpo por vitamina A pode ser inteiramente satisfeita pelo consumo de alimentos de origem vegetal.
A verdadeira vitamina A ou retinol e seus Γ©steres associados sΓ£o encontrados apenas em gorduras animais e Γ³rgΓ£os, como fΓgado (27). Plantas contΓͺm betacaroteno, uma substΓ’ncia que o corpo pode converter em vitamina A, se determinadas condiΓ§Γ΅es forem satisfeitas (vide abaixo). Entretanto, betacaroteno nΓ£o Γ© vitamina A. Γ tΓpico veganos e vegetarianos (assim como os escritores sobre nutriΓ§Γ£o mais populares) dizerem que alimentos de origem vegetal, como cenouras e espinafre, contΓͺm vitamina A e que o betacaroteno Γ© simplesmente tΓ£o bom quanto aquela vitamina. Estas coisas nΓ£o sΓ£o verdadeiras, muito embora o betacaroteno seja um fator nutricional importante para os seres humanos.
A conversΓ£o de caroteno em vitamina A nos intestinos somente pode ocorrer com a presenΓ§a de sais biliares. Isto significa que deve ser comida gordura junto com os carotenos, para estimular a secreΓ§Γ£o de bile. Adicionalmente, crianΓ§as e portadores de hipotireoidismo, problemas de vesΓcula biliar ou diabetes (somados estes quadros, representam uma parcela significativa da populaΓ§Γ£o) ou nΓ£o podem realizar a conversΓ£o ou a fazem muito precariamente. Por ΓΊltimo, a conversΓ£o realizada pelo corpo de caroteno em vitamina A nΓ£o Γ© muito eficiente: a grosso modo, utilizam-se 6 unidades de caroteno para fazer uma unidade de vitamina A. Isto significa que uma batata-doce (contendo cerca de 25.000 unidades de betacaroteno) proverΓ‘ apenas aproximadamente 4.000 unidades de vitamina A (supondo que vocΓͺ a comeu junto com gordura, que vocΓͺ nΓ£o Γ© diabΓ©tico, nΓ£o Γ© uma crianΓ§a e nΓ£o tem problema na tirΓ³ide ou na vesΓcula biliar) (28).
Portanto, depender de fontes de origem vegetal para a vitamina A nΓ£o Γ© uma idΓ©ia prudente. Isto fornece mais uma razΓ£o para se incluΓrem alimentos de origem animal e gorduras em nossa alimentaΓ§Γ£o. A manteiga e laticΓnios integrais, principalmente os feitos com leite de vacas criadas em pastos, sΓ£o boas fontes de vitamina A, assim como o Γ³leo de fΓgado de bacalhau. A vitamina A Γ© indispensΓ‘vel em nossa alimentaΓ§Γ£o, porquanto possibilita o corpo a usar proteΓnas e minerais, assegura visΓ£o perfeita, melhora o sistema imunolΓ³gico, possibilita a reproduΓ§Γ£o e combate infecΓ§Γ΅es (29). Assim como para o caso da vitamina D, Dr. Price descobriu que a alimentaΓ§Γ£o de pessoas saudΓ‘veis, com hΓ‘bitos alimentares primitivos, fornecia quantias substanciais de vitamina A, novamente enfatizando a grande necessidade que os seres humanos possuem por este nutriente, para manutenΓ§Γ£o da melhor condiΓ§Γ£o de saΓΊde possΓvel, agora e no futuro.
Mito nΒΊ 5: O consumo de carne causa osteoporose, doenΓ§as renais, doenΓ§as cardΓacas e cΓ’ncer.
Costumeiramente, veganos e vegetarianos tentam assustar as pessoas para que evitem alimentos de origem animal e gorduras, alegando que alimentaΓ§Γ£o vegetariana promove proteΓ§Γ£o contra determinadas doenΓ§as crΓ΄nicas, como as listadas acima. Entretanto, tais alegaΓ§Γ΅es sΓ£o difΓceis de serem conciliadas com fatos histΓ³ricos e antropolΓ³gicos. Todas as enfermidades mencionadas sΓ£o, primordialmente, ocorrΓͺncias do sΓ©culo XX, embora as pessoas consumam carne e gordura animal por muitos milhares de anos. Ademais, como mostrou a pesquisa de Dr. Price, existiram e existem diversos povos nativos ao redor do mundo (inuΓtes, maasais, suΓΓ§os etc.), cuja alimentaΓ§Γ£o tradicional era/Γ© muito rica em produtos de origem animal, mas que, todavia, nΓ£o sofriam e nΓ£o sofrem dos males supramencionados (30). Os estudos independentes do Dr. George Mann sobre os maasais, realizado muitos anos apΓ³s os de Dr. Price, confirmou o fato de que aquele povo, a despeito de ser constituΓdo quase exclusivamente de pessoas que se alimentam de carne, apresentavam pequena ou nenhuma incidΓͺncia de doenΓ§as cardΓacas ou enfermidades crΓ΄nicas (31). Isto prova que outros fatores, que nΓ£o alimentos de origem animal, causam estas doenΓ§as.
Diversos estudos supostamente mostraram que o consumo de carne Γ© a causa de vΓ‘rias enfermidades, mas tais estudos, avaliados de maneira idΓ΄nea, nΓ£o revelam tal coisa, como mostra o seguinte.
Osteoporose
A pesquisa do Dr. Herta Spencer sobre a ingestΓ£o de proteΓna e perda Γ³ssea mostrou que o consumo protΓͺico, na forma de carne real, nΓ£o apresenta impacto na densidade dos ossos. Estudos que supostamente provaram que consumo excessivo de proteΓna redundava em maior perda Γ³ssea nΓ£o foram realizados com carne de verdade, mas com pΓ³s de proteΓnas fracionadas e aminoΓ‘cidos isolados (32). Estudos recentes tambΓ©m mostraram que aumento da ingestΓ£o de proteΓna animal contribuΓa para maior densidade Γ³ssea em homens e mulheres (33). Todavia, alguns estudos atuais sobre alimentaΓ§Γ£o vegana e vegetariana indicaram que esta predispΓ΅e mulheres a osteoporose (34).
DoenΓ§as renais
Embora uma alimentaΓ§Γ£o com restriΓ§Γ΅es a proteΓnas seja ΓΊtil para pessoas com doenΓ§as renais, nΓ£o hΓ‘ evidΓͺncias de que consumir carne cause tais doenΓ§as (35). Vegetarianos tambΓ©m, tipicamente, alegam que proteΓna animal causa acidose[3], resultando em lixiviaΓ§Γ£o do cΓ‘lcio dos ossos e, por conseguinte, maior tendΓͺncia a cΓ‘lculos renais. Entretanto, esta opiniΓ£o Γ© falsa. Teoricamente, o enxofre e o fΓ³sforo, presentes na carne, podem formar Γ‘cido, quando depositados na Γ‘gua, mas isto nΓ£o significa que Γ© isso que acontece dentro do corpo. Na verdade, a carne contΓ©m proteΓnas e vitamina D completas (se a pele e a gordura sΓ£o consumidas), ambas auxiliando a manter o equilΓbrio de pH da corrente sangΓΌΓnea. Ademais, se alguΓ©m pratica uma alimentaΓ§Γ£o que inclua magnΓ©sio e vitamina B6 o suficiente e restringe o uso de aΓ§ΓΊcar refinado, tem pouco a temer de cΓ‘lculos renais, comendo ou nΓ£o carne (36). Alimentos de origem animal, como carne bovina, suΓna e carne de peixe e de carneiro sΓ£o boas fontes de magnΓ©sio e de e B6, como nenhum outro alimento. Qualquer tabela nutricional pode mostrar isto.
DoenΓ§as cardΓacas
Γ popular a crenΓ§a de que proteΓna animal participa das causas de doenΓ§as cardΓacas, mas Γ© destituΓda de fundamentaΓ§Γ£o na ciΓͺncia nutricional. Afora de estudos questionΓ‘veis, hΓ‘ poucos dados para sustentar a idΓ©ia de que o consumo de carne leva Γ quele tipo de enfermidades. Por exemplo, os franceses possuem uma das mais altas taxas per capita de consumo de carne e apresentam baixas taxas de doenΓ§as cardΓacas. Na GrΓ©cia, o consumo de carne Γ© maior do que a mΓ©dia, mas as taxas de doenΓ§as cardΓacas tambΓ©m sΓ£o baixas naquele paΓs. Por fim, na Espanha, um aumento no consumo de carne (juntamente com a reduΓ§Γ£o da ingestΓ£o de aΓ§ΓΊcar e carboidrato) ocasionou declΓnio nas doenΓ§as cardΓacas (37).
CΓ’ncer
A crenΓ§a de que a carne, especialmente a vermelha, Γ© uma das causas de cΓ’ncer, bem como de doenΓ§as cardΓacas, Γ© uma concepΓ§Γ£o popular que nΓ£o possui embasamento nos fatos. Embora seja verdade que alguns estudos mostraram relaΓ§Γ£o entre o consumo de carne e alguns tipos de cΓ’ncer (38), Γ© importante examinar cuidadosamente os estudos para se determinar qual tipo de carne foi analisada, assim como os mΓ©todos de preparaΓ§Γ£o empregados. Como, em inglΓͺs, temos apenas a palavra βcarneβ, freqΓΌentemente Γ© difΓcil de saber qual βcarneβ estΓ‘ sendo debatida em um estudo, a nΓ£o ser que seus autores a especifiquem.
O estudo que deflagrou a teoria carne = cΓ’ncer foi realizado por Dr. Ernst Wynder, durante a dΓ©cada dos anos de 1970. Wynder alegou que existia uma conexΓ£o direta, causal, entre ingestΓ£o de gordura animal e incidΓͺncia de cΓ’ncer de cΓ³lon (39). Seus dados acerca de βgorduras animaisβ eram, na verdade, acerca de gorduras vegetais (40). Em outras palavras, a teoria carne = cΓ’ncer estΓ‘ baseada em um estudo falso.
Se alguΓ©m examinar atentamente a pesquisa, rapidamente perceberΓ‘ que sΓ£o as carnes processadas, como frios e salsichas, que geralmente estΓ£o implicadas em causa de cΓ’ncer (41) e nΓ£o a carne em si. AlΓ©m do mais, os mΓ©todos de cozimento parecem merecer consideraΓ§Γ£o no tocante a a carne se tornar ou nΓ£o carcinogΓͺnica (42). Em outras palavras, adicionaram-se substΓ’ncias quΓmicas Γ carne, e escolheram-se mΓ©todos de cozimento que deixam a desejar; nΓ£o a carne em si.
No final, embora a conexΓ£o entre carne e cΓ’ncer foi descoberta, o mecanismo real de como isso acontece enganou os cientistas (43). Isto significa que, possivelmente, outros fatores que nΓ£o a carne participam ativamente em alguns casos de cΓ’ncer. Lembre-se: estudos cientΓficos de pessoas que tradicionalmente consomem carne mostram que elas apresentam muito pouca incidΓͺncia de cΓ’ncer. Isto demonstra que outros fatores sΓ£o atuantes, quando o cΓ’ncer surge em um consumidor de carne nestes tempos modernos. NΓ£o Γ© cientificamente justo acusar somente um fator alimentar, enquanto ignoram-se outros candidatos mais provΓ‘veis.
Deve-se notar, neste ponto, que os adventistas do SΓ©timo Dia sΓ£o costumeiramente estudados em anΓ‘lise populacional para se provar que uma alimentaΓ§Γ£o vegetariana Γ© mais saudΓ‘vel e estΓ‘ relacionada a menor risco de cΓ’ncer (vide parΓ‘grafo posterior, nesta seΓ§Γ£o). Ao mesmo tempo em que Γ© verdade que a maioria dos membros desta denominaΓ§Γ£o cristΓ£ nΓ£o consome carne, eles tambΓ©m nΓ£o fumam ou ingerem bebida alcoΓ³lica, cafΓ© ou chΓ‘, todos estes sendo provavelmente fatores que promovem cΓ’ncer (44).
Os mΓ³rmons sΓ£o um grupo religioso frequentemente negligenciado pelos estudos vegetarianos. Embora sua Igreja estimule a moderaΓ§Γ£o, os mΓ³rmons nΓ£o se abstΓͺm de carne. Assim como os adventistas, os mΓ³rmons evitam tabaco, Γ‘lcool e cafeΓna. NΓ£o obstante serem pessoas que se alimentam de carne, um estudo sobre os mΓ³rmons de Utah mostrou que eles tinham taxa de incidΓͺncia de cΓ’ncer 22% menor do que a geral e uma taxa 34% menor de mortalidade devido a cΓ’ncer de cΓ³lon de que a mΓ©dia dos EUA (45). Um estudo realizado com porto-riquenhos, que consomem grande quantidade de carne suΓna, relevou taxas muito baixas de cΓ’ncer de cΓ³lon e de mama (46). Resultados similares podem servir de exemplo para demonstrar que o consumo de carne e de gordura animal nΓ£o estΓ‘ relacionado com cΓ’ncer (47). Obviamente, outros fatores sΓ£o atuantes.
Comumente, alega-se que vegetarianos apresentam taxas de cΓ’ncer mais baixas do que a das pessoas que se alimentam de carne, mas um estudo de 1994 sobre adventistas vegetarianos da Igreja do SΓ©timo Dia, na CalifΓ³rnia, mostrou que, enquanto apresentavam taxas menores para alguns tipos de cΓ’nceres (por exemplo, de mama e de pulmΓ£o), apresentavam taxas maiores de diversos outros (doenΓ§a de Hodgkin, melanoma maligno; de cΓ©rebro, pele, de ΓΊtero, de prΓ³stata; endometrial, cervical e ovariano), alguns, de forma significativa. Naquele estudo, seus autores admitiram que:
Todavia, o consumo de carne nΓ£o estΓ‘ relacionado a maior risco [de cΓ’ncer].
E que:
No geral, nΓ£o foi observada associaΓ§Γ£o significante entre cΓ’ncer de mama e alto consumo de gorduras animais ou produtos de origem animal. (48)
Ademais, costuma-se alegar que alimentaΓ§Γ£o rica em alimentos de origem vegetal, como grΓ£os integrais e legumes, reduz o risco de cΓ’ncer, mas pesquisa analisando o sΓ©culo passado demonstra que uma alimentaΓ§Γ£o com base em carboidratos Γ© a principal instigadora de cΓ’ncer, nΓ£o a alimentaΓ§Γ£o baseada em alimentos de origem animal minimamente processados (49).
A aΓ§Γ£o predominante da propaganda midiΓ‘tica sobre saΓΊde e vegetarianismo realizou um trabalho eficiente de βsurrar a carneβ, a ponto de a maioria das pessoas chegar a pensar que nΓ£o existe nada de saudΓ‘vel quanto Γ carne, principalmente a vermelha. Todavia, na verdade, alimento de carne, como bovina e de carneiro, sΓ£o fontes excelentes de uma variedade de nutrientes, como qualquer tabela nutricional pode mostrar. Nutrientes, como vitaminas A, D, diversas do complexo B, Γ‘cidos graxos essenciais (em pequenas quantias), magnΓ©sio, zinco, fΓ³sforo, potΓ‘ssio, ferro, taurina e selΓͺnio sΓ£o abundantes nas carnes bovina, de carneiro, de porco, de peixe, nos frutos do mar e na carne de aves. Fatores nutricionais, como coenzima Q10, carnitina e Γ‘cido alfa-lipΓ³ico tambΓ©m estΓ£o presentes. Alguns destes nutrientes sΓ£o encontrados somente em alimentos de origem animal. As plantas nΓ£o os fornecem.
Mito nΒΊ 6: As gorduras saturadas e o colesterol consumido causam doenΓ§as cardΓacas, aterosclerose e/ou cΓ’ncer. AlimentaΓ§Γ£o com baixo teor de gordura e de colesterol Γ© a mais saudΓ‘vel para as pessoas.
Este, tambΓ©m, nΓ£o Γ© um mito especΓfico do vegetarianismo. Entretanto, as pessoas sΓ£o freqΓΌentemente instigadas a aderir Γ alimentaΓ§Γ£o vegetariana ou vegana, porque se acredita que tal alimentaΓ§Γ£o oferece proteΓ§Γ£o contra doenΓ§as cardΓacas e cΓ’ncer, uma vez que ela provΓ©m menor quantidade, ou abstinΓͺncia, de alimentos de origem animal e gorduras animais.
Embora seja muito comum se acreditar que gorduras saturadas e o colesterol consumido βentupam artΓ©riasβ e causem doenΓ§as cardΓacas, tais idΓ©ias provaram-se falsas por cientistas como Linus Pauling, Russell Smith, George Mann, John Yudkin, Abram Hoffer, Mary Enig, Uffe Ravnskov e outros pesquisadores proeminentes (50). Ao contrΓ‘rio, estudos mostraram que placa arterial Γ©, primordialmente, composta de gorduras insaturadas, principalmente as poli-insaturadas, e nΓ£o de saturadas, vindas de animais, da palma ou do coco (51).
Γcidos trans-graxos, em oposto Γ s gorduras saturadas, provaram-se, por pesquisadores como Enig, Mann e Fred Kummerow, serem fatores causais de aterosclerose acelerada, doenΓ§as cardΓacas coronΓ‘rias, cΓ’ncer e outras enfermidades (52). Γcidos trans-graxos sΓ£o encontrados em alimentos modernos, como margarina, gordura vegetal e alimentos feitos com elas[4]. Enig e seus colegas tambΓ©m mostraram que a ingestΓ£o excessiva de Γ‘cido graxo poli-insaturado Γ΄mega-6[5], proveniente de Γ³leos vegetais refinados, Γ© um dos maiores culpados por detrΓ‘s de cΓ’ncer e doenΓ§as cardΓacas; nΓ£o as gorduras animais.
Em estudo recente com milhares de mulheres suecas, sustentaram-se as conclusΓ΅es e dados de Enig, mostrando inexistir correlaΓ§Γ£o entre consumo de gordura saturada e aumento de risco de cΓ’ncer de mama. Entretanto, o estudo, sim, mostrou, como o fez os trabalhos Enig, forte ligaΓ§Γ£o entre o uso de Γ³leos vegetais e maior incidΓͺncia de cΓ’ncer de mama (53).
Os principais estudos populacionais que supostamente comprovam a teoria de que gorduras animais e colesterol causam doenΓ§as cardΓacas, na verdade, nΓ£o se manteriam, se sob uma inspeΓ§Γ£o mais minuciosa. O Estudo CardΓaco de Framingham Γ© freqΓΌentemente mencionado como prova de que a ingestΓ£o de colesterol e gordura saturada causa doenΓ§as cardΓacas e debilitaΓ§Γ£o da saΓΊde. Este estudo, realizado com 6.000 pessoas, comparou dois grupos, durante muitos anos, em intervalos de cinco anos. Um grupo consumiu pouco colesterol e gordura saturada; enquanto o outro, alta quantia. Surpreendentemente, Dr. William Castelli, o diretor do estudo, disse:
Em Framingham, Massachusetts, quanto mais gordura saturada consumida, quanto mais colesterol consumido, quanto mais calorias consumidas, menor o colesterol sérico⦠descobrimos que as pessoas que mais se alimentaram de colesterol, mais de gordura saturada e de mais calorias apresentaram menor peso e eram as mais ativas fisicamente. (54)
Os dados de Framingham mostraram que os voluntΓ‘rios com maiores Γndice de colesterol e maior peso corriam risco levemente maior de doenΓ§as cardΓacas coronΓ‘rias. Mas o ganho de peso e o colesterol sΓ©rico apresentavam relaΓ§Γ£o inversa com a ingestΓ£o de gordura e colesterol. Em outras palavras, nΓ£o houve relaΓ§Γ£o alguma (55).
Na mesma linha, o US Multiple Risk Factor Intervention Trial patrocinou o National Heart and Lung Institute e comparou as taxas de mortalidade e hΓ‘bitos alimentares de mais de 12.000 homens. Os que consumiram menos gordura saturada e colesterol mostraram uma taxa levemente menor de doenΓ§as cardΓacas, mas apresentaram uma taxa de mortalidade, no todo, muito maior do que a dos demais homens do estudo (56).
AlimentaΓ§Γ£o com baixo teor de gorduras e colesterol, portanto, nΓ£o Γ© saudΓ‘vel Γ s pessoas. Estudos mostraram reiteradamente que tal alimentaΓ§Γ£o estΓ‘ relacionada a depressΓ£o, cΓ’ncer, distΓΊrbios psicolΓ³gicos, fadiga, violΓͺncia e suicΓdio (57). Mulheres com baixo colesterol sΓ©rico vivem menos do que mulheres com maior (58). O mesmo se deu no caso dos homens (59).
CrianΓ§as com alimentaΓ§Γ£o com baixo teor de gorduras e/ou veganas podem sofrer de problemas de crescimento, subdesenvolvimento e transtornos de aprendizagem (60). Apesar disto, Dr. Benjamin Spock recomendou ao American Heart Association alimentaΓ§Γ£o com baixo teor de gorduras para as crianΓ§as! HΓ‘ que somente lamentar-se pelos jovens desafortunados, que serΓ£o criados por pais ignorantes, levados por tamanha mΓ‘ informaΓ§Γ£o genocida.
Existem muitos benefΓcios Γ saΓΊde pelas gorduras saturadas, dependendo da gordura em questΓ£o. Γleo de coco, por exemplo, Γ© rico em Γ‘cido lΓ‘urico, uma poderosa substΓ’ncia anti-fΓΊngica e anti-microbial. O coco tambΓ©m contΓ©m quantia apreciΓ‘vel de Γ‘cido caprΓlico, outro anti-fΓΊngico eficiente (61). Manteiga de vacas criadas em pasto Γ© rica em minerais-traΓ§o, especialmente selΓͺnio, bem como em todas as vitaminas lipossolΓΊveis e Γ‘cidos graxos benΓ©ficos que protegem contra cΓ’ncer e infecΓ§Γ΅es fΓΊngicas (62).
De fato, o corpo necessita de gorduras saturadas, para utilizar apropriadamente Γ‘cidos graxos. (63). Gorduras saturadas tambΓ©m reduzem os Γndices sangΓΌΓneos de lipoproteΓna (a), danosa aos vasos sangΓΌΓneos (64). SΓ£o necessΓ‘rias para utilizaΓ§Γ£o devida do cΓ‘lcio para os ossos (65). Estimulam o sistema imunolΓ³gico (66). SΓ£o o alimento preferido do coraΓ§Γ£o e Γ³rgΓ£os vitais (67). E, junto com o colesterol, acrescenta estabilidade estrutural Γ s cΓ©lulas e parede intestinal (68). SΓ£o excelentes para cozinhar, uma vez que sΓ£o quimicamente estΓ‘veis e nΓ£o se degradam pelo calor, diferentemente do caso dos Γ³leos vegetais poli-insaturados. DemovΓͺ-las da alimentaΓ§Γ£o, portanto, nΓ£o Γ© recomendado.
Em relaΓ§Γ£o Γ aterosclerose, sempre se alega que vegetarianos possuem taxas muito menores deste problema do que as das pessoas que se alimentam de carne. Entretanto, o International Atherosclerosis Project, de 1968, que examinou mais de 20.000 cadΓ‘veres de diversos paΓses, concluiu que vegetarianos possuΓam exatamente tanto aterosclerose quanto pessoas que se alimentam de carne (69). Outros estudos populacionais revelaram dados similares. (70) Isto se deve pelo fato de aterosclerose nΓ£o ser, em grande parte, relacionada Γ alimentaΓ§Γ£o. Γ conseqΓΌΓͺncia do envelhecimento. Existem coisas que podem acelerar o processo aterosclerΓ³tico, devido a danos excessivos por radicais livres Γ s artΓ©rias, por causa de exaurimento de antioxidantes (causado por coisas como fumo, alimentaΓ§Γ£o precΓ‘ria, excesso de Γ‘cidos graxos poli-insaturados na alimentaΓ§Γ£o, diversas carΓͺncias nutricionais, remΓ©dios etc.), mas isto Γ© diferente do estriamento das gorduras e enrijecimento das artΓ©rias que ocorrme com todas as pessoas, com o decorrer do tempo.
TambΓ©m nΓ£o parece que alimentaΓ§Γ£o vegetariana protege contra doenΓ§as cardΓacas. Um estudo sobre veganos, em 1970, mostrou que mulheres veganas possuΓam maiores taxas de mortalidade por doenΓ§as cardΓacas do que suas contrapartes nΓ£o vegetarianas (71). Um estudo recente mostrou que os indianos, a despeito de serem vegetarianos, apresentam taxas elevadas de doenΓ§as arteriais coronΓ‘rias (72). AlimentaΓ§Γ£o com baixo teor de gorduras e alto teor de carboidrato (o que Γ© o caso da alimentaΓ§Γ£o vegetariana) tambΓ©m pode trazer risco maior de doenΓ§as cardΓacas, diabetes e cΓ’ncer, devido a efeitos hiperinsulinΓͺmicos no corpo (73). Estudos recentes tambΓ©m mostraram que vegetarianos possuem maior Γndice de homocisteΓna no sangue (74). A homocisteΓna Γ© uma causa conhecida de doenΓ§as cardΓacas. Finalmente, alimentaΓ§Γ£o com baixo teor de gordura/colesterol, geralmente preferida para prevenir ou tratar de doenΓ§as cardΓacas, nΓ£o atende a nenhum dos dois objetivos e pode, na verdade, aumentar determinados fatores de risco deste problema (75).
Estudos que chegaram Γ conclusΓ£o de que vegetarianos correm menor risco de doenΓ§as cardΓacas sΓ£o tipicamente baseados em marcadores falsos de menor ingestΓ£o de gordura saturada, menor Γndice de colesterol sΓ©rico e taxas de HDL/LDL. Como vegetarianos tendem a comer menos gordura saturada e geralmente possuem menor Γndice de colesterol sΓ©rico, concluiu-se que estΓ£o em menor risco de doenΓ§as cardΓacas. TΓ£o logo se perceba que estas mediΓ§Γ΅es nΓ£o sΓ£o preditores precisos de inclinaΓ§Γ£o a doenΓ§as cardΓacas, a suposta proteΓ§Γ£o do vegetarianismo desfazer-se-Γ‘ (76).
Sempre deve ser lembrado que uma sΓ©rie de coisas influencia uma pessoa a desenvolver doenΓ§as cardΓacas ou cΓ’ncer. Ao invΓ©s de se focar em afirmaΓ§Γ΅es fraudulentas sobre gordura saturada, colesterol ingerido e consumo de carne, as pessoas deveriam prestar mais atenΓ§Γ£o a outros fatores mais realistas, como Γ‘cidos trans-graxos, ingestΓ£o excessiva de gordura poli-insaturada, de aΓ§ΓΊcar e de carboidrato, fumar, carΓͺncia de determinadas vitaminas e minerais e obesidade. Estas coisas todas permaneceram conspicuamente ausentes nos povos tradicionais saudΓ‘veis que Dr. Price estudou.
Mito nΒΊ 7: Vegetarianos vivem mais tempo e possuem mais energia e resistΓͺncia do que pessoas que se alimentam de carne.
Em um livro de orientaΓ§Γ΅es vegetariano, publicado na GrΓ£ Bretanha, havia a seguinte alegaΓ§Γ£o:
VocΓͺ e seus filhos nΓ£o devem comer carne para permanecerem saudΓ‘veis. Com efeito, os vegetarianos afirmam que estΓ£o entre as pessoas mais saudΓ‘veis do mundo e podem ter expectativa de vida de nove anos a mais do que pessoas que se alimentam de carne (isto porque, comumente, doenΓ§as cardΓacas e vasculares sΓ£o mais raras). Atualmente, quase metade da populaΓ§Γ£o na Bretanha procura evitar carne, de acordo com uma pesquisa da Food Research Association, em janeiro de 1990. (77)
Comentando sobre esta alegaΓ§Γ£o de maior duraΓ§Γ£o de vida, o autor Craig Fitzroy perspicazmente salienta que:
O βbenefΓcio dos nove anosβ Γ© repetido com freqΓΌΓͺncia, mas se trata, invariavelmente, de indΓcio causal sem qualquer fonte de informaΓ§Γ£o confiΓ‘vel por parte do vegetarianismo. Todavia, qualquer um que acredite que, desprezando o assado dominical da mamΓ£e, acrescerΓ‘ uma dΓ©cada em sua vida neste planeta estΓ‘, quase com certeza, rendendo-se a um desejo um tanto impossΓvel de ser realizado. (78)
E Γ© isto o que muitas das alegaΓ§Γ΅es sobre aumento de longevidade dos vegetarianos sΓ£o: boato. NΓ£o hΓ‘ prova de que uma alimentaΓ§Γ£o vegetariana saudΓ‘vel, comparada a uma alimentaΓ§Γ£o onΓvora saudΓ‘vel, resulte em vida maior. Ademais, pessoas que optam por um estilo de vida vegetariano tambΓ©m escolhem, tipicamente, nΓ£o fumarem, exercitarem-se. Em resumo, viver um estilo de vida mais saudΓ‘vel. Estas coisas tambΓ©m influenciam na longevidade de alguΓ©m.
Na literatura cientΓfica, existem surpreendentemente poucos estudos realizados a respeito da longevidade de vegetarianos. O PhD Russell Smith, em sua grandiosa revisΓ£o de estudos sobre doenΓ§as cardΓacas, mostrou que, quanto maior o consumo de produto de origem animal entre alguns grupos de estudo, menor a taxa de mortalidade! (79). Tais resultados nΓ£o foram obtidos entre pessoas vegetarianas estudadas. Por exemplo, em um estudo publicado por Burr e Sweetnam, em 1982, sobre anΓ‘lise de dados a respeito de mortalidade, revelou-se que, embora vegetarianos possuΓssem uma taxa ligeiramente menor (0,11%) de doenΓ§as cardΓacas, em relaΓ§Γ£o Γ dos nΓ£o vegetarianos, a taxa de mortandade, considerando-se todas as causas, era muito maior, no caso dos vegetarianos (80).
NΓ£o obstante as alegaΓ§Γ΅es mostradas em estudos que o consumo de carne aumentou o risco de doenΓ§as cardΓacas e reduziu o tempo de vida, os autores destes estudos, na verdade, encontraram o oposto. Por exemplo, em uma anΓ‘lise, em 1984, de um estudo de 1978 dos adventistas vegetarianos do SΓ©timo Dia, H. A. Kahn concluiu:
Embora nossos resultados acrescentem alguns fatos substanciais Γ questΓ£o das doenΓ§as relacionadas Γ alimentaΓ§Γ£o, reconhecemos quΓ£o distantes eles estΓ£o, por exemplo, de estabelecer que homens que consomem carne freqΓΌentemente ou mulheres que raramente comem salada estejam, destarte, encurtando suas vidas. (81)
D.A. Snowden chegou em uma conclusΓ£o similar (82). NΓ£o obstante estas admissΓ΅es estarrecedoras, os estudos concluΓram, por algum motivo, o exato oposto e aconselharam as pessoas a reduzirem a presenΓ§a de alimentos de origem animal em sua alimentaΓ§Γ£o.
Ademais, ambos os estudos lanΓ§am mΓ£o de certos dados alimentares que claramente nΓ£o mostraram conexΓ£o entre ovos, queijo, leite integral, gordura presente na carne (todos alimentos ricos em gordura e colesterol) e doenΓ§as cardΓacas. Comentou Dr. Smith:
Em vigor, o estudo de Kahn [e Snowden] Γ© mais outro exemplo de resultados negativos que sΓ£o manipulados e incorretamente interpretados para sustentar afirmaΓ§Γ΅es politicamente corretas de que vegetarianos vivem mais. (83)
Geralmente, afirma-se que pessoas que consomem carne possuem tempo de vida menor, mas os aborΓgenes da AustrΓ‘lia, que tradicionalmente consomem grande quantidade de produtos de origem animal, sΓ£o famosos por sua longevidade (ao menos, antes da colonizaΓ§Γ£o pelos europeus). Na sociedade aborΓgene, existe uma casta especial dos anciΓ£os (84). Obviamente, se nΓ£o houvesse pessoas idosas, tal grupo nΓ£o existiria. Em seu livro Nutrition and Physical Degeneration, Dr. Price apresenta inΓΊmeras fotografias de pessoas nativas anciΓ£s do mundo todo. Exploradores como Vilhjalmur Stefansson relataram grande longevidade entre os inuΓtes (novamente, antes da colonizaΓ§Γ£o) (85).
Igualmente, os russos das montanhas do CΓ‘ucaso vivem atΓ© idade muito avanΓ§ada, sob alimentaΓ§Γ£o com carne de porco gordurosa e derivados de leite cru[6]. Os hunzas, tambΓ©m conhecidos por sua saΓΊde vigorosa e longevidade, consomem porΓ§Γ΅es substanciais de leite de cabra que possui teor de gordura saturada maior do que o de leite de vaca (86). Em contrapartida, de forma predominante, os vegetarianos hindus da regiΓ£o sul da Γndia possuem o menor tempo de duraΓ§Γ£o de vida do mundo, em parte devido a falta de alimentaΓ§Γ£o, mas tambΓ©m por causa de carΓͺncia especΓfica de proteΓna animal em sua alimentaΓ§Γ£o (87). Os comentΓ‘rios de Leon Abrams elucidam:
Vegetarianos comumente sustentam que uma alimentaΓ§Γ£o de carne e gordura animal leva a morte precoce. Os dados antropolΓ³gicos de sociedades primitivas nΓ£o corroboram tais alegaΓ§Γ΅es. (88)
Em relaΓ§Γ£o Γ resistΓͺncia e nΓveis de energia, Dr. Price viajou ao redor do mundo, durante as dΓ©cadas dos anos 1920 e 1930, investigando alimentaΓ§Γ£o nativa. Sem qualquer exceΓ§Γ£o, ele encontrou forte correlaΓ§Γ£o entre alimentaΓ§Γ£o rica em gorduras animais, saΓΊde vigorosa e habilidade atlΓ©tica. IncluΓam-se nos alimentos especiais para atletas suΓΓ§os, por exemplo, tigelas de nata fresca e crua. Na Γfrica, Dr. Price descobriu que grupos, cuja alimentaΓ§Γ£o era rica em carnes gordurosas e peixe, como fΓgado, regularmente ganhavam os prΓͺmios em competiΓ§Γ΅es atlΓ©ticas e que tribos que consumiam carne sempre dominavam tribos cuja alimentaΓ§Γ£o era, em grande medida, vegetariana. (89)
Γ popular em nutriΓ§Γ£o esportiva recomendar-se o βcarregamento de carboidratoβ para atletas aumentarem seus nΓveis de resistΓͺncia. Entretanto, estudos recentes realizados em Nova Iorque e Γfrica do Sul mostraram que o oposto Γ© verdadeiro: atletas que faziam o βcarregamento de carboidratoβ possuΓam resistΓͺncia significativamente menor do que os que faziam o βcarregamento de gorduraβ antes de eventos atlΓ©ticos (90).
Mito nΒΊ 8: A alimentaΓ§Γ£o do βhomem das cavernasβ era com baixo teor de gordura e/ou vegetariana. Seres humanos se evoluΓram como vegetarianos.
Nossos ancestrais paleolΓticos eram caΓ§adores-coletores, e trΓͺs escolas de pensamento desenvolveram-se conforme o que era sua alimentaΓ§Γ£o. Um grupo defende alimentaΓ§Γ£o com alto teor de gordura e se embasa em produtos de origem animal, suplementada com frutas de estaΓ§Γ£o, bagas, castanhas, raΓzes comestΓveis e gramΓneas silvestres. A segunda argumenta que povos primitivos consumiam sortimento de carnes magras e grande quantidade de alimentos de origem vegetal. O terceiro advoga que nossos ancestrais se evoluΓram como vegetarianos.
A abordagem da alimentaΓ§Γ£o paleolΓtica βsem gorduraβ foi defendida de forma muito voraz pelos doutores Loren Cordain e Boyd Eaton, em diversas publicaΓ§Γ΅es populares e profissionais (91). Cordain e Eaton crΓͺem na HipΓ³tese LipΓdica das doenΓ§as cardΓacas, a crenΓ§a (derrotada no mito nΓΊmero seis, acima) de que gordura saturada e colesterol consumido fazem parte das causas de doenΓ§as cardΓacas. Por causa disto e pelo fato de que povos paleolΓticos e seus equivalentes modernos nΓ£o sofriam / nΓ£o sofrem de doenΓ§as cardΓacas, Cordain e Eaton adotaram a teoria de que os povos paleolΓticos consumiam a maior parte de suas calorias de gordura de fontes mono-insaturadas e poli-insaturadas, ao invΓ©s de gorduras saturadas. Acreditando que gorduras saturadas sΓ£o perigosas para nossas artΓ©rias, Cordain e Eaton nΓ£o arredaram o pΓ© do pensamento nutricional atualmente estabelecido e estimulam populaΓ§Γ΅es modernas a consumirem uma alimentaΓ§Γ£o semelhante Γ de nossos ancestrais. Esta alimentaΓ§Γ£o, crΓͺem, era rica em carnes magras e em uma variedade de vegetais, mas pobre em gordura saturada. Entretanto, as evidΓͺncias que eles apresentam para sustentar esta teoria sΓ£o muito seletivas e capciosas (92). Gorduras saturadas nΓ£o causam doenΓ§as cardΓacas, como mostrado acima, e nossos ancestrais paleolΓticos consumiam um bom tanto de gordura saturada de uma variedade de plantas e de fontes de origem animal.
De fontes abalizadas, sabemos que humanos prΓ©-histΓ³ricos do continente norte-americano consumiam animais como mamute, camelo, preguiΓ§a terrestre, bisΓ£o, carneiro montanhΓͺs, antilocabra, castor, alce, gazela e lhama (93). βMamute, preguiΓ§a terrestre, carneiro montanhΓͺs, bisΓ£o e castores sΓ£o animais com teor de gordura, na acepΓ§Γ£o moderna de que possuem uma camada delgada de gordura subcutΓ’nea, da mesma maneira que muitas espΓ©cies de ursos e porcos selvagens, cujos restos mortais foram encontrados nos sΓtios paleolΓticos ao longo de todo o mundoβ (94). AnΓ‘lise de muitos tipos de gordura de animais selvagens como antΓlope, bisΓ£o, caribu, cΓ£o, alce, alce americano, foca e carneiro montanhΓͺs mostra que eles sΓ£o ricos em gorduras saturadas e mono-insaturadas, mas relativamente pobres em poli-insaturadas (95).
Ademais, ao mesmo tempo em que bΓΊfalo e animais selvagens podem prover carnes de mΓΊsculo magro e nΓ£o-estriado, Γ© um erro assumir que apenas estas partes destes aniamais eram consumidas pelos grupos de caΓ§adores-coletores, como os americanos nativos que freqΓΌentemente caΓ§avam animais, de acordo com sua gordura e Γ³rgΓ£os com gordura, como mostrarΓ‘ a seΓ§Γ£o seguinte.
Antropologistas/exploradores como Vilhjalmur Stefansson relataram que os inuΓtes e tribos indΓgenas norte-americanas se preocupavam, quando suas presas de caribu eram muito magras: eles sabiam que poderiam se suceder doenΓ§as, se nΓ£o consumissem gordura suficiente (96). Em outras palavras, estes povos primitivos nΓ£o gostavam de comer carne magra.
IndΓgenas da regiΓ£o norte do CanadΓ‘ tambΓ©m caΓ§avam deliberadamente caribus e alces mais velhos, porque esses animais portavam uma placa de mais de 22 quilos de gordura dorsal que os Γndios comiam com gosto. Esta βgordura dorsalβ Γ© altamente saturada. Nativos norte-americanos se abstinham de caΓ§ar bisΓ΅es durante o verΓ£o (quando os depΓ³sitos de gordura nos animais estΓ£o baixos, devido a escassez de suprimento de comida durante o inverno), preferindo caΓ§ar, matar e consumi-los no outono, quando estavam mais gordos (97).
O explorador Samuel Hearne, escrevendo em 1768, descreveu como as tribos nativas norte-americanas com quem entrara em contato caΓ§avam seletivamente caribus, de acordo precisamente por suas partes com gordura:
Aos vinte e dois do mΓͺs de julho, encontramos diversos forasteiros, que nos acompanharam na perseguiΓ§Γ£o dos caribus, os quais estavam, naquela Γ©poca, tΓ£o abundantes que, todos os dias, conseguΓamos nΓΊmero suficiente para nosso sustento e, deveras, mui amiΓΊde, matΓ‘vamos muitos, meramente por suas lΓnguas, tutano e gordura (98).
Enquanto Cordain e Eaton estΓ£o certamente corretos ao dizerem que nossos ancestrais consumiam carne, suas alegaΓ§Γ΅es acerca da ingestΓ£o de gordura, bem como do tipo de gordura consumida, estΓ£o simplesmente incorretas.
Ao mesmo tempo em que muitas autoridades vegetarianas e veganas gostam de pensar que evoluΓmo-nos como espΓ©cie sob alimentaΓ§Γ£o vegana ou vegetariana, pouco hΓ‘, no domΓnio da antropologia nutricional, para sustentar estas idΓ©ias.
Para inΓcio de conversa, em suas expediΓ§Γ΅es, Dr. Price jamais encontrara uma cultura totalmente vegetariana. Deve ser lembrado que Dr. Price visitou e investigou diversos grupos populacionais que eram, para todos os efeitos, os equivalentes, no sΓ©culo XX, de nossos ancestrais caΓ§adores-coletores. Dr. Price estava em busca de uma cultura vegetariana, mas voltou de mΓ£os vazias. Price declarou:
AtΓ© o momento, nΓ£o encontrei um grupo Γ©tnico sequer que construa e mantenha corpos excelentes, vivendo inteiramente de alimentos de origem vegetal (99).
Os dados antropolΓ³gicos corroboram isto: ao longo do globo terrestre, todas as sociedades apresentam preferΓͺncia por alimentos de origem animal e gorduras, e nossos ancestrais apenas se tornaram produtores agrΓcolas em grande escala, quando tiveram de sΓͺ-lo, devido a aumento de pressΓ΅es populacionais (100). Abrams e outras autoridades mostraram que a busca do homem prΓ©-histΓ³rico por mais alimentos de origem animal foi o que incitou sua expansΓ£o pela Terra, e que ele, ao que tudo indica, caΓ§ou determinadas espΓ©cies em extinΓ§Γ£o (101).
Price tambΓ©m descobriu que estes povos que, em caso de necessidade, consumiam mais grΓ£os e legumes, possuΓam taxas de cΓ‘ries dentΓ‘rias maiores do que Γ s daqueles que consumiam mais produtos de origem animal. Em seus escritos a respeito do vegetarianismo, Abrams apresenta evidΓͺncias arqueolΓ³gicas que sustentam esta descoberta: crΓ’nios de povos antigos que eram, em grande parte, vegetarianos, com dentes contendo cΓ‘ries e abscessos, bem como mostra evidΓͺncias de tuberculoses e outras doenΓ§as infecciosas (102). O aparecimento do plantio e o aumento da dependΓͺncia a alimentos de origem vegetal para nossa subsistΓͺncia foram claramente prejudiciais para nossa saΓΊde.
Por fim, Γ© simplesmente impossΓvel nossos ancestrais prΓ©-histΓ³ricos terem sido vegetarianos, porque nΓ£o seriam capazes de obter calorias ou nutrientes suficientes para sobreviverem com os alimentos de origem vegetal disponΓveis, porque os seres humanos nΓ£o sabiam como cozinhar ou manipular o fogo naqueles tempos, e a grande maioria dos alimentos de origem vegetal, principalmente grΓ£os e legumes, precisa ser cozida, para se tornar comestΓvel aos seres humanos (103). Muitas pessoas nΓ£o sabem que muitos dos alimentos de origem vegetal que consumimos sΓ£o atualmente venenosos em seu estado cru (104).
Baseando-se em todas estas evidΓͺncias, Γ© certo que nossos ancestrais, os genitores[7] da humanidade, consumiam deveras uma alimentaΓ§Γ£o nΓ£o vegetariana, rica em Γ‘cidos graxos saturados.
Mito nΒΊ 9: Consumo de carne e gordura saturada cresceu no sΓ©culo XX, com correspondente aumento de doenΓ§as cardΓacas e cΓ’ncer.
As estatΓsticas sΓ£o sustentam tais fantasias. O consumo de manteiga declinou, de 18 libras (8,165 kg) por pessoa ao ano, em 1900, para menos de 5 libras (2,27 kg) por pessoa ao ano, nos dias de hoje (105). Ademais, os ocidentais, instigados pelas agΓͺncias governamentais de saΓΊde, reduziram seu consumo de ovos, nata, banha e carne suΓna. O consumo de carne de frango se elevou nas ΓΊltimas poucas dΓ©cadas, mas a carne de frango contΓ©m menor quantidade de gordura saturada do que a carne bovina ou suΓna.
Ainda, uma pesquisa sobre livros de culinΓ‘ria publicados nos Estados Unidos, no ΓΊltimo sΓ©culo, mostrou que as pessoas dos tempos mais antigos consumiam grande quantia de alimentos de origem animal e gorduras saturadas. Por exemplo, no Baptist Ladies Cook Book (Monmouth, Illinois, 1895), praticamente em todas as receitas havia manteiga, nata e banha. Receitas para vegetais com creme de nata tambΓ©m eram numerosas. Um exame do Searchlight Recipe Book (Capper Publications, 1931) tambΓ©m apresenta receitas semelhantes: fΓgado com creme de nata, pepino com creme de nata, coraΓ§Γ΅es cozidos com creme de leite etc. Judeus ingleses, conforme o Jewish Housewives Cookbook (London, 1846), tambΓ©m possuΓam alimentaΓ§Γ£o rica em nata, manteiga, ovos e sebo de boi e de cordeiro. Em uma receita de waffles alemΓ£es, por exemplo, havia dΓΊzias de gemas de ovos e mais de 450g de manteiga. Em uma receita de torta de ostra do Baptist cookbook, havia um litro de nata e uma dΓΊzia de ovos. E assim por diante.
NΓ£o parece, entΓ£o, que as pessoas consumiam alimentaΓ§Γ£o com menos gordura no ΓΊltimo sΓ©culo. Γ verdade que o consumo de carne bovina se elevou nas ΓΊltimas dΓ©cadas; todavia, o que tambΓ©m se elevou, de maneira abrupta, foi o consumo de margarina e outros produtos contendo Γ‘cidos trans-graxos[8] (106), alimentos destituΓdos de vida, βalimentosβ embalados, Γ³leos vegetais processados[9] (107), carboidratos (108) e aΓ§ΓΊcar refinado (109). Como nΓ£o sΓ£o encontradas doenΓ§as crΓ΄nicas, como cΓ’ncer e enfermidades cardΓacas, em povos nativos que se alimentam de carne bovina, como os maasais e samburus, nΓ£o Γ© possΓvel ser o consumo desta carne o culpado por detrΓ‘s destas epidemias modernas. Certamente, isto desvia o dedo acusatΓ³rio, de forma honesta, para outros fatores nutricionais como as causas mais provΓ‘veis.
Mito nΒΊ 10: Produtos de soja sΓ£o substitutos apropriados para carne e laticΓnios.
Γ comum veganos e vegetarianos ocidentais confiarem em diversos produtos de soja para suas necessidades protΓͺicas. HΓ‘ pouca dΓΊvida de que a indΓΊstria bilionΓ‘ria da soja lucrou imensamente, desde a doutrinaΓ§Γ£o anti-colesterol e anti-carne do pensamento nutricional vigente. Levando em consideraΓ§Γ£o que, nΓ£o muito tempo atrΓ‘s, a soja era um alimento asiΓ‘tico primordialmente utilizado como condimento, atualmente, uma variedade de produtos processados de soja se prolifera no mercado norte-americano. Enquanto os alimentos tradicionais Γ base de soja, como missΓ΄, tamari, tempΓͺ e natto sΓ£o claramente saudΓ‘veis em determinadas quantias, os βalimentosβ hiper-processados Γ base de soja, consumidos por grande parte dos vegetarianos, nΓ£o o sΓ£o.
GrΓ£os de soja nΓ£o fermentados e alimentos feitos deles sΓ£o ricos em Γ‘cido fΓtico (110), um anti-nutriente que se liga a minerais no trato digestivo e os conduz para fora do corpo. Vegetarianos sΓ£o famosos por sua propensΓ£o a carΓͺncias de minerais, principalmente zinco (111), e Γ© o alto teor de fitato na alimentaΓ§Γ£o Γ base de grΓ£os e legumes a que se culpar por isto (112). Embora diversas tΓ©cnicas tradicionais de preparo de alimento, como o repouso em Γ‘gua, germinaΓ§Γ£o e fermentaΓ§Γ£o podem reduzir significativamente o teor de fitato em grΓ£os e legumes (113), tais mΓ©todos nΓ£o sΓ£o comumente conhecidos ou usados por populaΓ§Γ΅es modernas, incluindo vegetarianos. Isto os deixa (assim como outros que se alimentam com grande quantia de grΓ£os integrais) em risco maior de carΓͺncia de minerais.
Alimentos processados de soja tambΓ©m sΓ£o ricos em inibidores de tripsina, atrapalhando a digestΓ£o de proteΓnas. ProteΓna texturizada de soja (TVP), βleiteβ de soja e pΓ³s de proteΓna, substitutos populares de carne e de leite aos vegetarianos, sΓ£o alimentos completamente montados, advindos do tratamento dos grΓ£os de soja com calor e diversos banhos alcanilizantes para extraΓ§Γ£o do conteΓΊdo de gordura dos grΓ£os ou para neutralizar seus potentes inibidores enzimΓ‘ticos (110). Tais prΓ‘ticas desnaturam inteiramente o elemento protΓͺico dos grΓ£os, deixando-o muito difΓcil de ser digerido. O glutamato monossΓ³dico[10] (MSG), uma neurotoxina, Γ© rotineiramente adicionado Γ proteΓna texturizada para deixΓ‘-la saborosa como os vΓ‘rios alimentos que ela imita (114).
Em um Γ’mbito estritamente nutricional, os grΓ£os de soja, da mesma forma que os legumes, sΓ£o deficientes em cisteΓna e metionina, aminoΓ‘cidos vitais contendo enxofre, assim como em triptofano, outro aminoΓ‘cido essencial. Ainda, grΓ£os de soja nΓ£o contΓͺm vitaminas A ou D, necessΓ‘rias para o corpo assimilar e aproveitar as proteΓnas dos grΓ£os (115). Γ, provavelmente, por esta razΓ£o que as culturas asiΓ‘ticas que consomem grΓ£os de soja os combinam com peixe ou caldos de peixe (abundantes em vitaminas lipossolΓΊveis) ou outros alimentos com gorduras.
Pais que alimentam seus filhos com fΓ³rmula infantil Γ base de soja devem se conscientizar de seu teor de fito-estrΓ³geno extremamente elevado. Alguns cientistas estimaram que uma crianΓ§a sendo alimentada com fΓ³rmula de soja estΓ‘ ingerindo a quantia hormonal equivalente a cinco pΓlulas contraceptivas por dia (116). Tal ingestΓ£o elevada poderia redundar em resultados desastrosos. Ainda, a fΓ³rmula de soja nΓ£o contΓ©m colesterol, vital para o desenvolvimento do cΓ©rebro e do sistema nervoso.
Embora a pesquisa ainda esteja em andamento, alguns estudos recentes indicaram que os fito-estrΓ³genos da soja poderiam ser causa de algumas formas de cΓ’ncer de mama (117), defeitos penianos congΓͺnitos (118) e leucemia infantil (119). Independentemente disto, tΓͺm-se claramente mostrado que fito-estrΓ³genos, ou isoflavonas, deprimem a funΓ§Γ£o tiroidiana (120) e causam infertilidade em todas as espΓ©cies animais estudadas atΓ© o momento (121). Certamente, produtos modernos de soja e suplementos de isoflavona isolada nΓ£o sΓ£o alimentos saudΓ‘veis para vegetarianos, veganos ou qualquer outro tipo de pessoa, embora sejam exatamente os mais consumidos.
Mito nΒΊ 11: O corpo humano nΓ£o Γ© estruturado para consumo de carne.
Alguns grupos vegetarianos alegam que, como os seres humanos possuem dentes moedores, como animais herbΓvoros, e intestinos mais longos do que os de animais carnΓvoros, isto prova que o corpo humano estΓ‘ mais bem adaptado para o vegetarianismo (122). Este argumento falha em considerar diversas caracterΓsticas fisiolΓ³gicas humanas, que claramente indicam uma arquitetura para o consumo de produto animal.
Em primeiro lugar e acima de tudo, estΓ‘ nossa produΓ§Γ£o estomacal de Γ‘cido clorΓdrico, algo nΓ£o encontrado em herbΓvoros. O HCl ativa enzimas decompositoras de proteΓnas. Ademais, o pΓ’ncreas humano fabrica toda uma gama de enzimas digestivas para operar sobre uma ampla variedade de comidas, de origem tanto animal quanto vegetal. Mais ainda, a comparaΓ§Γ£o minuciosa, feita por Dr. Walter Voegtlin, entre o sistema digestivo humano, o canino (um carnΓvoro)e o de uma ovelha (um herbΓvoro) mostra claramente que, anatomicamente, somos mais prΓ³ximos de um cΓ£o carnΓvoro do que de uma ovelha herbΓvora (123).
Ao mesmo tempo em que seres humanos possuem intestinos mais extensos do que os de animais carnΓvoros, nΓ£o sΓ£o tΓ£o longos quanto os de herbΓvoros, nem possuΓmos estΓ΄magos multi-compartimentados como o dos herbΓvoros, nem ruminamos. Nossa fisiologia indica claramente um consumidor misto ou um onΓvoro, da mesma forma que nossos parentes, os gorilas monteses e chimpanzΓ©s, todos observados consumindo pequenos animais e, em alguns casos, outros primatas (124).
Mito nΒΊ 12: Consumir carne animal causa comportamento violento e agressivo em seres humanos.
Algumas autoridades da alimentaΓ§Γ£o vegetariana, como Dr. Rudolph Ballantine (125), alegam que o medo e o terror (caso haja, vide mito nΒΊ 15) que um animal vivencia durante o processo de morte, de alguma forma, sΓ£o βtransferidosβ para sua carne e Γ³rgΓ£os e βse tornamβ parte da pessoa que os consome.
Adicionalmente ao fato de que nΓ£o existem estudos cientΓficos para sustentar tal teoria, estes pensadores fariam bem em se lembrarem do fato de que tendΓͺncia a raiva irracional Γ© um sintoma de baixo Γndice de vitamina B12, que, como vimos, Γ© comum em veganos e vegetarianos. Ademais, durante suas viagens, Dr. Price sempre observou extrema felicidade e carΓ‘teres agradΓ‘veis nas pessoas que encontrara; todas elas, pessoas que se alimentam de carne.
Mito nΒΊ 13: Produtos de origem animal contΓͺm numerosas toxinas nocivas.
Um informativo vegetariano recente alegou o seguinte:
A maioria das pessoas nΓ£o percebe que derivados de carne sΓ£o carregados de venenos e toxinas! Todos eles, carne, peixe e ovos se decompΓ΅em e se putrefam de forma extremamente rΓ‘pida. TΓ£o logo um animal Γ© morto, sΓ£o liberadas enzimas auto-destruidoras, causando a formaΓ§Γ£o de substΓ’ncias desnaturadas chamadas ptiloaminas, que causam cΓ’ncer (126).
EntΓ£o, o artigo prosseguiu, mencionando a βdoenΓ§a da vaca loucaβ (BSE), parasitas, salmonela, hormΓ΄nios, nitratos e pesticidas como toxinas presentes em produtos de origem animal.
Se carne, peixe e ovos, realmente, liberam βptiloaminasβ, Γ© muito estranho que pessoas nΓ£o tenham morrido em massa de cΓ’ncer, pelos ΓΊltimos milhΓ΅es de anos. Tamanhas alegaΓ§Γ΅es sensacionalistas e disparatadas nΓ£o podem se sustentar por fatos histΓ³ricos.
HormΓ΄nios, nitratos e pesticidas estΓ£o presentes em produtos de origem animal comercialmente criados (bem como em frutos, grΓ£os e verduras comercialmente produzidas) e sΓ£o claramente coisas com que se preocupar. Entretanto, hΓ‘ como evitar estas substΓ’ncias quΓmicas, tomando o cuidado de consumir carne, ovos e laticΓnios orgΓ’nicos, de animal criado em Γ‘rea aberta e pasto, que nΓ£o contenham toxinas nocivas, feitas pelo homem.
Evitam-se facilmente parasitas por precauΓ§Γ΅es normais no preparo dos alimentos. Carnes em conserva ou fermentadas, um costume em sociedades tradicionais, sempre sΓ£o protegidas de parasitas. Em suas viagens, Dr. Price sempre encontrou pessoas saudΓ‘veis, isentas de doenΓ§as e sem parasitas, comendo carne e laticΓnios crus, como parte de sua alimentaΓ§Γ£o.
Igualmente, Dr. Francis Pottenger, em seus experimentos com gatos, demonstrou que os gatos mais saudΓ‘veis e felizes eram os com alimentaΓ§Γ£o completamente crua. Gatos consumindo carnes cozidas e leite pasteurizado adoeciam, morriam e apresentavam diversos parasitas (127). Salmonela pode ser transmitida por produtos de origem vegetal tambΓ©m.
Vegetarianos constantemente alegam que carne Γ© nociva a nossos corpos porque ocorre liberaΓ§Γ£o de amΓ΄nia, devido Γ decomposiΓ§Γ£o de suas proteΓnas. Embora verdade que a produΓ§Γ£o de amΓ΄nia seja causada pela digestΓ£o da carne, nossos corpos rapidamente a convertem em inofensiva urΓ©ia. A suposta toxicidade da carne Γ© grandemente exagerada por vegetarianos.
βDoenΓ§a da vaca loucaβ ou encefalopatia espongiforme bovina (BSE), provavelmente, nΓ£o Γ© causada por vacas se alimentando de partes animais em sua comida, sendo esta uma prΓ‘tica alimentar realizada hΓ‘ mais de um sΓ©culo. O produtor orgΓ’nico inglΓͺs Mark Purdey defendeu, de maneira convincente, que vacas com doenΓ§a da vaca louca eram exatamente as tratadas com aplicaΓ§Γ£o de um inseticida organofosfatado particular em suas lombas ou que pastejavam em solos deficientes de magnΓ©sio e com nΓveis elevados de alumΓnio (128). Pequenos surtos de βdoenΓ§a da vaca loucaβ tambΓ©m ocorreram entre pessoas que residem prΓ³ximas a fΓ‘bricas de cimento e de produtos quΓmicos e em determinadas Γ‘reas com solos vulcΓ’nicos (129).
Purdey desenvolveu a teoria de que pesticidas organofosfatados adentravam a gordura da vaca por meio da pulverizaΓ§Γ£o e, entΓ£o, eram ingeridos pelas vacas, cumulativamente, alimentadas com partes de animais. Visto desta forma, sΓ£o os pesticidas, atravΓ©s dos animais que se contaminavam com ele (e nΓ£o os animais em si ou seus βprΓonsβ associados), que causaram este surto. Como observado anteriormente, alimentar vacas com partes animais ocorre por mais de 100 anos. Nunca foi problema, antes da introduΓ§Γ£o destes inseticidas especΓficos.
Recentemente, Purdey obteve apoio de Dr. Donald Brown, bioquΓmico inglΓͺs que tambΓ©m defende causa nΓ£o infecciosa de BSE. Brown atribui BSE a toxinas ambientais, principalmente sobrecarregadas de manganΓͺs (130).
Mito nΒΊ 14: Consumir carne ou produtos de origem animal Γ© menos βespiritualβ do que consumir apenas alimentos de origem vegetal.
FreqΓΌentemente, alega-se que os que se alimentam de carne ou produtos de origem animal sΓ£o, de alguma forma, menos βespiritualizadosβ do que os que nΓ£o o fazem. Embora esta nΓ£o seja uma questΓ£o nutricional ou acadΓͺmica, quem inclui produtos de origem animal em sua alimentaΓ§Γ£o Γ© comumente levado a se sentir inferior de alguma forma. Esta questΓ£o, portanto, merece ser abordada.
Diversas religiΓ΅es nΓ£o impΓ΅em restriΓ§Γ΅es no consumo de animais, assim como nΓ£o o fizeram seus fundadores. Judeus consomem carne de cordeiro em sua festividade mais sagrada, o Pessah. MuΓ§ulmanos tambΓ©m celebram Ramadan com o mesmo tipo de carne, antes de adentrarem seu jejum. Jesus Cristo, assim como outros judeus, partilhou da carne na Γltima Ceia (de acordo com os evangelhos canΓ΄nicos). Γ verdade que algumas formas de budismo dispΓ΅em de Γ³bices ao consumo da carne, mas laticΓnios sΓ£o sempre permitidos. Doutrina semelhante Γ© encontrada no hinduΓsmo. Como parte da celebraΓ§Γ£o samhain, pagΓ£os celtas abatiam o animal mais fraco do rebanho e curavam sua carne para o inverno vindouro. NΓ£o Γ© verdade, portanto, que consumir alimentos de origem animal sempre estΓ‘ relacionado a βinferioridade espiritualβ.
Todavia, sempre se alega, uma vez que consumir carne envolve a derrubada de uma vida, que, de alguma forma, equivale-se a assassinato. Deixando de lado as filosofias religiosas que geralmente permeiam esta questΓ£o, o que parece ser Γ© uma incompreensΓ£o da forΓ§a vital e como ela atua. PopulaΓ§Γ΅es modernas (vegetarianas e nΓ£o-vegetarianas) perderam seu contato com o que Γ© necessΓ‘rio para sobreviver em nosso mundo β algo o que os povos nativos jamais perderam de vista. NΓ³s nΓ£o necessariamente caΓ§amos ou limpamos nossa carne: compramos filΓ©s e peΓ§as no supermercado. NΓ£o necessariamente labutamos em arrozais: compramos sacos de arroz integral. E assim por diante.
Quando um norte-americano nativo matava um animal selvagem para alimentaΓ§Γ£o, ele costumeiramente oferecia uma oraΓ§Γ£o de agradecimento ao espΓrito do animal por prover sua vida, de forma que ele pudesse viver. Em nosso mundo, a vida se alimenta de vida. DestruiΓ§Γ£o sempre Γ© equilibrada com geraΓ§Γ£o. Isto Γ© uma coisa boa: se descontrolada, a forΓ§a vital se torna cancerΓgena. Se o consumo de alimento de origem animal Γ© concebido desta maneira, dificilmente se tratarΓ‘ de assassinato, mas de sacrifΓcio. PopulaΓ§Γ΅es modernas fariam bem em se lembrarem disso.
Mito nΒΊ 15: Consumir alimentos de origem animal Γ© desumano.
Indubitavelmente, algumas crias animais para finalidades comerciais vivem em condiΓ§Γ΅es deplorΓ‘veis em que enfermidades e sofrimento sΓ£o corriqueiros. Em paΓses como CorΓ©ia, animais destinados a alimentaΓ§Γ£o, como cΓ£es, sΓ£o, Γ s vezes, mortos de forma horrorosa, por exemplo, espancados atΓ© a morte com um porrete. Nossas recomendaΓ§Γ΅es por alimentos de origem animal muito certamente nΓ£o endossam tais prΓ‘ticas.
Como observado em nosso debate sobre o mito nΒΊ 1, produΓ§Γ£o comercial de crias animais resultam em produto alimentar nΓ£o saudΓ‘vel, seja o produto carne, leite, manteiga, nata ou ovos. Nossos ancestrais nΓ£o consumiam tais gΓͺneros alimentΓcios de baixa qualidade, nem nΓ³s deverΓamos fazΓͺ-lo.
Γ possΓvel criar animais humanamente. Eis o motivo por que se deve estimular a criaΓ§Γ£o orgΓ’nica, preferencialmente biodinΓ’mica: Γ© mais limpa e mais eficiente e produz animais mais saudΓ‘veis, bem como os alimentos originΓ‘rios de tais animais. Assim, cada um deve fazer todo esforΓ§o possΓvel para comprar alimentos de origem animal produzidos organicamente (bem como alimentos de origem vegetal da mesma maneira produzidos). Isto nΓ£o apenas provΓ©m melhor nossos corpos, uma vez que alimentos orgΓ’nicos apresentam maior concentraΓ§Γ£o de nutrientes (131) e sΓ£o isentos de resΓduos de hormΓ΄nios e pesticidas, mas tambΓ©m se apΓ³iam pequenos produtores e, portanto, melhor para a economia (132).
Todavia, muitas pessoas enfrentam problemas filosΓ³ficos com o consumo de carne, e tais sentimentos devem ser respeitados. LaticΓnios e ovos nΓ£o sΓ£o resultantes de morte animal e sΓ£o boas alternativas para tais pessoas.
TambΓ©m nΓ£o deve ser esquecido que a agricultura envolve o desmatamento da terra para plantar as lavouras e a proteΓ§Γ£o e manutenΓ§Γ£o de tais plantios, resultando em muitas mortes de animais (133). Portanto, a crenΓ§a de que βnos tornando vegetarianosβ, de alguma forma, pouparemos a vida de animais nΓ£o Γ© fundamentada em fatos.
O mΓ©rito do vegetarianismo
Enquanto uma alimentaΓ§Γ£o purificadora, o vegetarianismo Γ©, em alguns casos, uma boa opΓ§Γ£o. Diversos problemas de saΓΊde (por exemplo, gota) podem ser freqΓΌentemente aliviados por uma reduΓ§Γ£o temporΓ‘ria no consumo de produtos de origem animal, com aumento do de origem vegetal. Mais tais medidas nΓ£o devem ser permanentes ao longo da vida: existem nutrientes vitais encontrados somente em alimentos de origem animal que precisamos ingerir para termos a melhor saΓΊde possΓvel. Ademais, nΓ£o existe uma alimentaΓ§Γ£o que funcione para todas as pessoas. Alguns vegetarianos e veganos, no zelo de se manterem convertidos, sΓ£o cegos para este fato bioquΓmico.
A βindividualidade bioquΓmicaβ Γ© um assunto que merece esclarecimento. Concebido pelo bioquΓmico nutricional Roger Williams, PhD, o termo se refere ao fato de que pessoas diferentes necessitam de nutrientes diferentes, com base em sua respectiva constituiΓ§Γ£o genΓ©tica particular. Fatores Γ©tnicos e raciais tambΓ©m figuram neste conceito. Uma alimentaΓ§Γ£o que funcione para um pode nΓ£o funcionar tΓ£o bem para outro. Como mΓ©dico, presenciei diversos clientes seguindo alimentaΓ§Γ£o vegetariana com problemas de saΓΊde sΓ©rios: obesidade, candidΓase, hipotireoidismo, cΓ’ncer, diabetes, sΓndrome do intestino solto, anemia e fadiga crΓ΄nica. Por causa da retΓ³rica amplamente difundida de que uma alimentaΓ§Γ£o vegetariana Γ© βsempre mais saudΓ‘velβ do que uma que inclua carne ou produtos de origem animal, estas pessoas nΓ£o viram motivos para mudar sua alimentaΓ§Γ£o, embora aquela fosse a causa de seus problemas. O que estas pessoas realmente necessitavam para a melhor saΓΊde possΓvel era mais alimentos de origem animal e gorduras e menos carboidratos.
Ademais, devido a peculiaridades na genΓ©tica e bioquΓmica individuais, algumas pessoas simplesmente nΓ£o podem seguir alimentaΓ§Γ£o vegetariana, por causa de coisas como intolerΓ’ncia a lectina e deficiΓͺncia de enzimas desnaturalizantes. As lectinas presentes em legumes, uma caracterΓstica saliente na alimentaΓ§Γ£o vegetariana, nΓ£o sΓ£o toleradas por muitas pessoas. Outras apresentam sensibilidade a grΓ£os, principalmente ao glΓΊten, ou a proteΓnas de grΓ£os em geral. Novamente, uma vez que grΓ£os sΓ£o o principal recurso na alimentaΓ§Γ£o vegetariana, algumas pessoas nΓ£o podem ser bem sucedidas nela. (134)
CarΓͺncia de enzima dessaturase ocorre comumente em pessoas com ascendΓͺncia de povos como inuΓtes, escandinavos, norte-europeus e costeiros. Sua falta de capacidade para converter Γ‘cido alfa-linolΓͺico em EPA e DHA, dois Γ‘cidos graxos Γ΄mega-3 profundamente relacionados ao funcionamento dos sistemas imunolΓ³gico e nervoso. A razΓ£o para isto Γ© porque os ancestrais de tais pessoas conseguiam abundΓ’ncia de EPA e DHA de grandes quantias de peixes de Γ‘gua fria que consumiam. Com o passar do tempo, devido Γ falta de uso, eles perderam a capacidade de fabricar a enzima necessΓ‘ria para criar EPA e DHA em seus corpos. Para tais pessoas, o vegetarianismo Γ© simplesmente impossΓvel. Elas PRECISAM obter seu EPA e DHA de alimentos, e EPA somente Γ© encontrado em alimentos de origem animal. DHA estΓ‘ presente em algumas algas, mas a quantia Γ© muito menor do que em Γ³leos de peixe (135).
TambΓ©m Γ© evidente que a alimentaΓ§Γ£o vegana nΓ£o Γ© adequada para todas as pessoas, devido Γ produΓ§Γ£o insuficiente de colesterol no fΓgado, e o colesterol Γ© encontrado somente em alimentos de origem animal. FreqΓΌentemente, Γ© dito que o corpo produz colesterol o bastante para sua sobrevivΓͺncia e que nΓ£o hΓ‘ razΓ£o para se consumirem alimentos que o contenham (alimentos de origem animal). Entretanto, uma pesquisa recente indica o contrΓ‘rio. O trabalho de Singer, na Universidade da CalifΓ³rnia, em Berkeley, mostrou que o colesterol dos ovos melhora a memΓ³ria em pessoas com mais idade (136). Em outras palavras, o prΓ³prio colesterol das pessoas idosas nΓ£o era suficiente para melhorar sua memΓ³ria, mas o acrescentado pela alimentaΓ§Γ£o de ovos era.
Embora pareΓ§a que algumas pessoas se dΓͺem bem com apenas um pouco de carne ou sem carne alguma e permanecem saudΓ‘veis, como lacto-vegetarianos ou ovo-lacto-vegetarianos, a razΓ£o para isto Γ© porque estes tipos de alimentaΓ§Γ£o sΓ£o mais saudΓ‘veis para estas pessoas, nΓ£o porque sΓ£o mais saudΓ‘veis em geral. Todavia, a ausΓͺncia total de produtos de origem animal, como carne, peixe, insetos, ovos, manteiga e laticΓnios, deve ser evitada. Embora possa demorar anos, problemas seguramente surgirΓ£o, devidos a tal alimentaΓ§Γ£o, e certamente se propagarΓ£o nas geraΓ§Γ΅es futuras. A pesquisa crucial de Dr. Price demonstrou inequivocamente isto. A razΓ£o para tal Γ© evoluΓ§Γ£o simples: a humanidade se evoluiu, consumindo alimentos de origem animal e gorduras como parte de sua alimentaΓ§Γ£o, e nossos corpos estΓ£o adaptados e acostumados a eles. NΓ£o pode mudar a evoluΓ§Γ£o em poucos anos.
Dr. Abrams bem disse, quando escrevera:
Os seres humanos sempre alimentaram de carne. O fato de nenhuma sociedade humana ser inteiramente vegetariana e de as pessoas inteiramente vegetarianas sofrerem de problemas de debilitaΓ§Γ£o de saΓΊde parece inequivocamente provar que uma alimentaΓ§Γ£o com vegetais deve ser suplementada com, ao menos, uma quantia mΓnima de proteΓna animal para suster a saΓΊde. Os seres humanos se alimentam de carne e sempre assim o fizeram. TambΓ©m consomem vegetais e sempre assim o fizeram, mas alimentos de origem vegetal devem ser suplementados por ampla quantia de proteΓna animal, para se manter a melhor saΓΊde possΓvel (137).
Notas do autor:
O autor gostaria de agradecer Sally Fallon, assistente mΓ©dica; Lee Clifford, cirurgiΓ£o mestre, nutricionista clΓnico certificado; e Dr. H. Leon Abrams Jr., por seu generoso auxΓlio na preparaΓ§Γ£o e revisΓ£o deste artigo.
Este artigo nΓ£o foi patrocinado ou pago pela indΓΊstria da carne e de laticΓnios.
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[1] No original, developers. (Nota do Tradutor: NT)
[2] A incidΓͺncia deve ser direta, ou seja, a pele deve estar exposta, sem pelΓculas de bloqueadores ou filtros solares, assim como os raios solares nΓ£o devem prΓ©-passar por vidros ou outras interfases. (NT)
[3]DiminuiΓ§Γ£o excessiva do pH do sangue, conferindo-lhe carΓ‘ter Γ‘cido. (NT)
[4] Gordura vegetal, parcial ou totalmente hidrogenada Γ© do tipo trans. Muitos Γ³leos vegetais do tipo Γ΄mega-3, 6 e 9, costumeiramente extraΓdos a frio ou por meio de solventes quΓmicos, como o tΓ³xico hexano, usados na alimentaΓ§Γ£o e apregoados como saudΓ‘veis, oxidam-se muito facilmente e se convertem em gordura trans. (NT)
[5] SΓ£o exemplos deste tipo: Γ³leo canola, Γ³leo de soja, milho, algodΓ£o, amendoim, cΓ‘rtamo, girassol etc. (NT)
[6] NΓ£o pasteurizado. (NT)
[7] No original, progenitors. (NT)
[8] Como o caso das gorduras parcial e integralmente hidrogenadas. (NT)
[9] Vide nota de roda-pΓ© 5. (NT)
[10] Ou simplesmente chamado de glutamato de sΓ³dio. (NT)
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