A saga da vitamina A
TraduΓ§Γ£o de Vitamin A Saga, Sally Fallon e Mary G. Enig, PhD, 30 de marΓ§o de 2002.
Traduzido por Renato Alves.
| Nota: ApΓ³s a leitura deste artigo, por favor, leia tambΓ©m a seΓ§Γ£o Vitamin A, Vitamin D and Cod Liver Oil: Some Clarifications, em nossas InformaΓ§Γ΅es bΓ‘sicas sobre Γ³leo de fΓgado de bacalhau e artigos de recomendaΓ§Γ΅es. |
A descoberta da vitamina A e a histΓ³ria de sua aplicaΓ§Γ£o no campo da nutriΓ§Γ£o humana Γ© um relato de bravura e brilhantismo, representando a junΓ§Γ£o do que hΓ‘ de melhor na investigaΓ§Γ£o cientΓfica com tradiΓ§Γ΅es culturais do mundo todo. E o desserviΓ§o deste conhecimento por parte dos ditadores da indΓΊstria alimentΓcia oferece uma triste liΓ§Γ£o sobre o uso de poder e influΓͺncia para ocultar a verdade.
Um protagonista fundamental desta histΓ³ria fascinante Γ© Weston A. Price, quem descobriu que a alimentaΓ§Γ£o de povos tradicionais saudΓ‘veis continha, ao menos, dez vezes mais vitamina A do que a alimentaΓ§Γ£o norte-americana de seu tempo. Seu trabalho revelou que a vitamina A Γ© um dos diversos ativadores lipossolΓΊveis presentes apenas em gorduras animais e necessΓ‘rios para a assimilaΓ§Γ£o de minerais na alimentaΓ§Γ£o. Ele notou que alimentos tidos como sagrados pelos povos que ele estudou, como manteiga produzida na primavera, ovas de peixes e fΓgado de tubarΓ£o, eram excepcionalmente ricos em vitamina A.
Todas as culturas tradicionais reconheceram que determinadas comidas eram necessΓ‘rias para prevenΓ§Γ£o de cegueira. Em sua obra pioneira, Nutrition and Physical Degeneration, Weston Price conta a histΓ³ria de um explorador que, enquanto atravessava um planalto das Montanhas Rochosas, ficou cego por xeroftalmia, devido a carΓͺncia de vitamina A. Desesperado, ele foi encontrado por um Γndio que lhe pescou uma truta e lhe deu para comer βa carne da cabeΓ§a e dos tecidos posteriores aos olhos e os prΓ³prios olhosβ [1]. ApΓ³s poucas horas, sua visΓ£o comeΓ§ou a retornar e, depois de dois dias, seus olhos estavam quase normais. Muitos anos antes das viagens de Weston Price, cientistas haviam descoberto que a fonte mais rica de vitamina A no corpo de um animal Γ© a retina e os tecidos posteriores aos olhos.
Muitas culturas usavam fΓgado, outra fonte excelente de vitamina A, para vΓ‘rios tipos de cegueira [2]. Originalmente, o fΓgado era prensado contra o olho e, entΓ£o, comido, em um ritual atravΓ©s do qual o paciente direcionava os poderes curativos do fΓgado ao Γ³rgΓ£o visual afetado. Os egΓpcios descreveram esta cura hΓ‘, ao menos, 3.500 anos. PrΓ‘ticas semelhantes foram descritas na RΓΊssia do sΓ©culo XVIII; na Γ‘rea rural de Java, em 1978; e entre os habitantes de Terra-Nova[1], em 1929. Outras culturas usavam o fΓgado de tubarΓ£o. HipΓ³crates (460-327 a.C.) prescrevia fΓgado embebido em mel para cegueira em crianΓ§as desnutridas. Textos assΓrios, datando de 700 a.C., e escritos medicinais chineses do sΓ©culo VII d.C. apontam o uso de fΓgado no tratamento de cegueira noturna. Um tratado hebraico do sΓ©culo XII recomenda pressionar fΓgado de cabra aos olhos e, em seguida, seu consumo. Na Idade MΓ©dia, o mΓ©dico holandΓͺs Jacob van Laerlandt (1235-1299) escrevera o seguinte:
Quem Γ noite nΓ£o enxerga bem
Coma fΓgado de cabra
E, entΓ£o, Γ noite, verΓ‘ melhor[2].
A bravura da vitamina A
Cegueira noturna Γ© um problema comum em marinheiros durante viagens extensas, mas, com o advento das grandes armadas marΓtimas europΓ©ias, a sabedoria da terapia tradicional com fΓgado foi amplamente ignorada. Custou brava dedicaΓ§Γ£o ao mΓ©todo cientΓfico confirmar a validade dos tratamentos antigos. O primeiro a fazer isto foi Eduard Schwarz (1831-1862), um doutor naval de uma fragata austrΓaca que foi enviada ao redor do mundo em uma exploraΓ§Γ£o cientΓfica. Antes de sua partida de Viena, muitos mΓ©dicos lhe pediram para testar o antigo remΓ©dio popular para cegueira noturna de fΓgado cozido de boi. Durante a expediΓ§Γ£o, 75 dos 352 homens desenvolveram aquele quadro. Sempre quando caia o anoitecer, eles perdiam sua visΓ£o e tinham de ser conduzidos como cegos. Schwartz os alimentou com fΓgado de boi ou de porco e descobriu que a visΓ£o noturna de todos os enfermos foi restaurada.
A cura foi um βverdadeiro milagreβ – disse em seu relatΓ³rio publicado, no qual afirmou enfaticamente que cegueira noturna era doenΓ§a nutricional. Por causa disto, foi violentamente atacado pelos profissionais mΓ©dicos, que o acusaram de βfrivolidadeβ e βauto-engrandecimentoβ. TrΓͺs anos apΓ³s seu retorno da expediΓ§Γ£o, o mΓ©dico desacreditado morreu de tuberculose. Ele estava com 31 anos de idade. O uso de alimentos ricos em vitamina A para tratamento de tuberculose ainda nΓ£o havia sido descoberto.
Em 1904, o mΓ©dico japonΓͺs M. Mori descreveu a xeroftalmia em crianΓ§as subnutridas, cuja alimentaΓ§Γ£o consistia de arroz, cevada, cereais βe outros vegetaisβ. Xeroftalmia Γ© um problema de saΓΊde que progride de cegueira noturna a dissoluΓ§Γ£o da cΓ³rnea e, por fim, rompimento ocular. Ele tratou de crianΓ§as com fΓgado e Γ³leo de fΓgado de bacalhau, obtendo resultados excelentes. De fato, ele descobriu que Γ³leo de fΓgado de bacalhau era ainda mais eficaz do que fΓgado no restauro da funΓ§Γ£o visual. Mori o descreveu como βum medicamento excelente, quase especΓfico… De fato, na maioria dos casos, o efeito Γ© tΓ£o rΓ‘pido que, pela noite, as crianΓ§as com cegueira noturna jΓ‘ estΓ£o danΓ§ando por aΓ rapidamente, para alegria de suas mΓ£esβ. Γleo de fΓgado de bacalhau tambΓ©m auxiliou a reverter ceratomalacia, um problema relacionado a carΓͺncias nutricionais graves e caracterizado por ulceraΓ§Γ£o cΓ³rnea, extrema secura dos olhos e infecΓ§Γ£o.
Ao final da Primeira Guerra Mundial, um mΓ©dico chamado Bloch descobriu que alimentaΓ§Γ£o contendo leite integral, manteiga, ovos e Γ³leo de fΓgado de bacalhau curava cegueira noturna e ceratomalacia. Em um experimento importante, Bloch comparou os resultados quando alimentara um grupo de crianΓ§as com leite integral e outro com margarina como fonte ΓΊnica de gordura. Metade das crianΓ§as alimentadas com margarina desenvolveram problemas na cΓ³rnea, enquanto que as crianΓ§as que receberam gordura de manteiga e Γ³leo de fΓgado de bacalhau permaneceram saudΓ‘veis.
A descoberta efetiva da vitamina A Γ© creditada a um pesquisador chamado E. V. McCollum. Ele estava curioso quando ao fato de que vacas alimentadas com trigo nΓ£o se desenvolviam, tornavam-se cegas e davam Γ luz bezerros natimortos, ao passo que as alimentadas com milho amarelo nΓ£o apresentavam problemas de saΓΊde. O ano era 1907, e, neste perΓodo, os cientistas tinham condiΓ§Γ΅es de determinar o Γndice de proteΓna, carboidrato, gordura e minerais no alimento. O trigo e o milho usados nos experimentos de McCollum continham os mesmos nΓveis de minerais e macronutrientes. McCollum desejava saber se o trigo continha uma substΓ’ncia tΓ³xica ou se havia algo faltando nele, mas que estava presente no milho amarelo.
Para resolver o enigma, McCollum teve a idΓ©ia de usar animais de pequeno porte, como ratos e camundongos, ao invΓ©s de vacas, para seus experimentos alimentares. Eles comiam menos, ocupavam menos espaΓ§o, reproduziam-se rapidamente, e poderia ser lhes dada alimentaΓ§Γ£o controlada. Como muitas idΓ©ias boas, esta encontrou oposiΓ§Γ£o considerΓ‘vel. McCollum trabalhava no Wisconsin College of Agriculture, e o reitor lhe dissera para βfazer experimento com animais economicamente viΓ‘veis. O rato era uma praga para fazendeiros!β. McCollum foi forΓ§ado a trabalhar secretamente no porΓ£o do Agriculture Hall, onde estudava os efeitos de vΓ‘rios tipos de alimentaΓ§Γ£o em colΓ΄nias de ratos. Ele descobriu que ratos alimentados com proteΓna pura, leite desnatado puro, aΓ§ΓΊcar, minerais e banha ou azeite de oliva nΓ£o conseguiam crescer. Quando Γ³leo de manteiga ou extrato de gema de ovo eram adicionados em sua alimentaΓ§Γ£o, sua saΓΊde era restaurada. Ele descobriu um fator lipossolΓΊvel em determinados alimentos que era essencial para o crescimento e a sobrevivΓͺncia. Este foi nomeado de βfator lipossolΓΊvel Aβ, em oposiΓ§Γ£o a outros fatores alimentares, chamados βhidrossolΓΊveis Bβ.
A pesquisa de Osbourne e Mendel, publicada apenas cinco meses apΓ³s os estudos de McCollum, descobriu que Γ³leo de fΓgado de bacalhau apresentava os mesmos resultados da manteiga em estudos com ratos, confirmando, portanto, o trabalho antecedente de Mori, no JapΓ£o. Experimentos contΓnuos ajudaram os cientistas a determinar que a vitamina A era incolor, mas comumente associada, nos alimentos, com betacaroteno, que era amarelado. Na dΓ©cada dos anos de 1930, pesquisadores descobriram que a vitamina A Γ© formada pela conversΓ£o de betacarotenos na mucosa intestinal de animais e humanos.
O termo cientΓfico para vitamina A Γ© retinol, por causa de sua presenΓ§a nos olhos. A funΓ§Γ£o do retinol na visΓ£o foi esclarecida por diversos cientistas brilhantes, a partir de 1877, como o alemΓ£o W. Kuhne, que descobriu que as retinas roxas de rΓ£s adaptadas ao escuro se tornavam amarelas, quando expostas Γ luz. A coloraΓ§Γ£o pΓΊrpura Γ© restaurada em um ciclo bioquΓmico envolvendo vitamina A, que torna a visΓ£o possΓvel. Outros cientistas demonstraram o papel da vitamina A na diferenciaΓ§Γ£o celular, desenvolvimento Γ³sseo, reproduΓ§Γ£o e na funΓ§Γ£o do sistema imunolΓ³gico. Weston Price confirmou a importΓ’ncia da vitamina A na alimentaΓ§Γ£o tradicional durante seus estudos com povos primitivos, realizados entre os anos 30 e 40.
Devido ao trabalho cientΓfico destacado destes e de muitos outros pesquisadores, a administraΓ§Γ£o de Γ³leo de fΓgado de bacalhau para crianΓ§as em fase de crescimento, uma tradiΓ§Γ£o entre os povos Γ‘rticos, como escandinavos e esquimΓ³s, tornou-se prΓ‘tica padrΓ£o, atΓ© apΓ³s a Segunda Guerra Mundial. Ironicamente, ao mesmo tempo em que os norte-americanos pararam de dar Γ³leo de fΓgado de bacalhau a seus filhos, programas de administraΓ§Γ£o de vitamina A para crianΓ§as na Γfrica e Γsia alcanΓ§aram sucesso impressionante na prevenΓ§Γ£o de cegueira e doenΓ§as infecciosas. Este programa de tratamento com aquela vitamina foi invenΓ§Γ£o de outro pesquisador bravo, Alfred Sommer, oftalmologista da Johns Hopkins University, que pacientemente fez lobby polΓtico em favor de um programa internacional, apΓ³s verificar os efeitos maravilhosos da suplementaΓ§Γ£o de vitamina A na IndonΓ©sia e Nepal.
Em dΓ©cadas recentes, muita pesquisa acerca da vitamina A se concentrou em seu papel na prevenΓ§Γ£o de cΓ’ncer e seu uso em combinaΓ§Γ£o com terapias atΓ³xicas no tratamento da mesma enfermidade. Infelizmente, pesquisa sobre as propriedades anti-carcinogΓͺnicas da vitamina A ainda nΓ£o foram amplamente adotadas. Talvez, o exemplo mais trΓ‘gico seja o do Dr. Max Gerson, que tratara de muitos casos de cΓ’ncer terminal com resultados excelentes, usando suco de fΓgado cru, uma fonte rica de vitamina A. Em 1946, ele testemunhou diante de uma comissΓ£o do Congresso dos EUA sobre o sucesso de seu tratamento, mas foi seguidamente ignorado [3]. Em 1973, Dr. Kanematsu Sigiura, do Sloan Kettering Institute, publicou os resultados de estudos em tumores mamΓ‘rios de camundongos, usando doses altas de vitamina A e um derivado de sementes chamado laetrila [3]. Ele constatou regressΓ£o total de todos os tumores, em um total de cinco animais. O relatΓ³rio final observou que βDr. Sigiura jamais tivera observado semelhante regressΓ£o completa destes tumores em sua vasta experiΓͺncia com outros agentes quimioterΓ‘picosβ. Todavia, poucos meses mais tarde, o porta-voz do Sloan Kettering negou categoricamente existir algo de positivo na terapia [4].
O capricho da vitamina A
Ao mesmo tempo em que o processo em andamento de pesquisas sobre a vitamina A e seus efeitos Γ© uma dΓ‘diva a crianΓ§as e adultos ao redor do mundo, a agricultura moderna e os conglomerados de processamento alimentΓcio nΓ£o tΓͺm nada a ganhar com este tipo de conhecimento. PrΓ‘ticas de criaΓ§Γ£o por confinamento evitam firmemente a incorporaΓ§Γ£o da vitamina A em alimentos de origem animal e usam prioritariamente Γ³leos vegetais em detrimento de gorduras animais no processamento industrial. Alguns Γ³leos vegetais contΓͺm carotenos, mas nΓ£o a verdadeira vitamina A. Apenas gorduras animais a possuem, presente em grande quantidade somente quando os animais obtΓͺm uma fonte de carotenos ou da prΓ³pria vitamina A em sua alimentaΓ§Γ£o, como pastos verdes, insetos e carne de peixe.
Infelizmente, a grande maioria de livros populares a respeito de nutriΓ§Γ£o insiste em alegar que seres humanos podem obter vitamina A de frutas e vegetais. Pior ainda, as regulamentaΓ§Γ΅es da FDA[3] permitem fabricantes de alimentos processados rotularem carotenos como vitamina A. O rΓ³tulo de uma lata de tomates diz que tomates contΓͺm vitamina A, mesmo sendo a ΓΊnica fonte real de vitamina A nos tomates partes microscΓ³picas de insetos. A indΓΊstria alimentar e o pensamento nutricional acadΓͺmico predominante que defende a alimentaΓ§Γ£o com baixo teor de gordura, esta incentivada por aquela, beneficiam-se grandemente do fato de o pΓΊblico possuir apenas noΓ§Γ΅es vagas a respeito da vitamina A. De fato, a maioria dos alimentos que fornecem grandes quantias desta vitamina (manteiga, gemas de ovo, fΓgado, carne de Γ³rgΓ£os e frutos do mar) foi sujeitada a demonizaΓ§Γ£o intensa.
Sob as melhores condiΓ§Γ΅es possΓveis, seres humanos podem, de fato, converter carotenos em vitamina A. Isto ocorre no trato intestinal superior por aΓ§Γ£o de sais biliares e enzimas decompositoras de gorduras. De toda a famΓlia dos carotenos, o betacaroteno Γ© o mais fΓ‘cil de ser convertido em vitamina A. Estudos precedentes indicaram equivalΓͺncia de 4:1 entre betacaroteno e retinol. Em outras palavras, sΓ£o necessΓ‘rias quatro unidades de betacaroteno para produzir uma unidade de vitamina A. Esta taxa foi posteriormente revisada para 6:1, e pesquisa recente sugere taxa ainda maior [5]. Isto significa que vocΓͺ tem de comer uma imensa quantia de verduras e frutas para satisfazer as necessidades diΓ‘rias mΓnimas de vitamina A, pressupondo-se a melhor conversΓ£o possΓvel.
Mas a transformaΓ§Γ£o de caroteno em retinol raramente Γ© a melhor possΓvel. DiabΓ©ticos e aqueles com funΓ§Γ£o tiroidiana debilitada, um grupo ao qual poderia ser incluΓda, ao menos, metade dos adultos da populaΓ§Γ£o dos EUA, nΓ£o podem realizar tal conversΓ£o. As crianΓ§as a fazem muito precariamente, e os bebΓͺs nΓ£o a fazem de forma alguma. Devem obter seus preciosos estoques de vitamina A de gorduras animais [6], nΓ£o obstante a alimentaΓ§Γ£o com baixo teor de gordura ser comumente recomendada para crianΓ§as. ExercΓcios fΓsicos intensos, consumo elevado de Γ‘lcool e de ferro (principalmente contido na farinha refinada βenriquecidaβ e cereais matinais), uso de diversas drogas populares, consumo excessivo de Γ‘cidos graxos poli-instaturados, carΓͺncia de zinco e atΓ© mesmo clima frio podem prejudicar a conversΓ£o de carotenos em vitamina A [7], assim como o faz a alimentaΓ§Γ£o com baixo teor de gordura.
Os carotenos sΓ£o convertidos por aΓ§Γ£o dos sais biliares, e pouca quantidade de bile chega ao intestino, quando a refeiΓ§Γ£o Γ© pobre em gordura. O gastrΓ΄nomo que acrescenta manteiga em suas hortaliΓ§as e nata em sua sopa de componentes vegetais Γ© mais sΓ‘bio do que ele possa se dar conta. Γleo de manteiga estimula a secreΓ§Γ£o de bile, necessΓ‘ria para converter carotenos de vegetais em vitamina A, e ao mesmo tempo, provΓ©m com vitamina A verdadeira, muito facilmente absorvida. Γleos poli-insaturados tambΓ©m estimulam a secreΓ§Γ£o de sais biliares, mas podem causar degeneraΓ§Γ£o rΓ‘pida dos carotenos, a nΓ£o ser que anti-oxidantes estejam presentes.
Portanto, nΓ£o Γ© prudente depender de fontes de origem vegetal para vitamina A. Este nutriente vital Γ© necessΓ‘rio para o crescimento e reparo de tecidos orgΓ’nicos; ajuda a proteger as membranas mucosas da boca, nariz, garganta e pulmΓ΅es; estimula a secreΓ§Γ£o de sucos gΓ‘stricos necessΓ‘rios para a digestΓ£o adequada de proteΓna; ajuda a construir ossos e dentes fortes e sangue rico; Γ© essencial para boa visΓ£o; auxilia na produΓ§Γ£o de RNA; e contribui para a saΓΊde do sistema imunolΓ³gico. CarΓͺncia de vitamina A em mulheres gestantes resulta em prole com olhos defeituosos, rins desalojados, lΓ‘bio leporino, palato fendido e anormalidades do coraΓ§Γ£o e vasos sangΓΌΓneos distendidos. Os depΓ³sitos de vitamina A sΓ£o rapidamente exauridos durante exercΓcio, febre e perΓodos de distresse. Mesmo pessoas que podem converter eficientemente caroteno em vitamina A nΓ£o podem, de maneira rΓ‘pida e adequada, reabastecer os estoques de vitamina A atravΓ©s de alimentos de origem vegetal.
Alimentos ricos em vitamina A sΓ£o especialmente importantes para diabΓ©ticos e aqueles que sofrem de problemas tireoidianos. De fato, a glΓ’ndula tirΓ³ide necessita de mais vitamina A do que as outras glΓ’ndulas e nΓ£o pode funcionar sem ela [8]. Uma alimentaΓ§Γ£o rica em vitamina A ajudarΓ‘ a proteger o diabΓ©tico de problemas degenerativos relacionados a enfermidades, como problemas com a retina e com a cura.
Weston Price considerou as vitaminas lipossolΓΊveis, principalmente a vitamina A, como as catalisadoras de que outros processos biolΓ³gicos dependem [9]. Γ necessΓ‘ria quantia suficiente de vitamina A na alimentaΓ§Γ£o para absorΓ§Γ£o e utilizaΓ§Γ£o eficazes de vitaminas hidrossolΓΊveis. Sua pesquisa demonstrou que quantias generosas de vitamina A asseguram reproduΓ§Γ£o saudΓ‘vel e prole com rostos com Γ’ngulos atraentes, dentes corretos e corpos fortes e vigorosos. Ele descobriu que os primitivos saudΓ‘veis estimavam especialmente alimentos ricos em vitamina A para crianΓ§as em fase de crescimento e mulheres gestantes. A diferenΓ§a de dez vezes a menor que Price descobriu entre a alimentaΓ§Γ£o primitiva e a norte-americana na dΓ©cada de 40 Γ© quase que, com certeza, maior atualmente, uma vez que os norte-americanos renegaram a manteiga e o Γ³leo de fΓgado de bacalhau, a favor de poli-insaturados processados.
Em populaΓ§Γ΅es do Terceiro Mundo que tiveram contato com o Ocidente, a carΓͺncia de vitamina A Γ© amplamente propagada e uma das causas responsΓ‘veis pela alta taxa de mortalidade infantil, cegueira, atrofia, deformidades Γ³sseas e suscetibilidade a infecΓ§Γ΅es [10]. Tal ocorre atΓ© mesmo em populaΓ§Γ΅es que possuem acesso a abundΓ’ncia de carotenos em hortaliΓ§as e frutas. A escassez de laticΓnios de boa qualidade, rejeiΓ§Γ£o a carne de Γ³rgΓ£os como antiquado ou nΓ£o saudΓ‘vel e substituiΓ§Γ£o de gordura animal por Γ³leo vegetal para cozimento sΓ£o causas da degeneraΓ§Γ£o fΓsica e sofrimento das pessoas daquela parcela do mundo.
Suprimento de vitamina A Γ© tΓ£o vital ao organismo que os seres humanos sΓ£o capazes de armazenar grande quantidade desta vitamina no fΓgado e outros Γ³rgΓ£os. Portanto, Γ© possΓvel a um adulto subsistir com uma alimentaΓ§Γ£o isenta de gordura por um perΓodo considerΓ‘vel de tempo, antes de sintomas visΓveis de carΓͺncia surgirem. Entretanto, durante momentos de distresse, os depΓ³sitos de vitamina A sΓ£o rapidamente exauridos. ExercΓcio fΓsico intenso, fases de crescimento fΓsico, gravidez, lactaΓ§Γ£o e infecΓ§Γ£o sΓ£o estresses que rapidamente esgotam os depΓ³sitos de vitamina A. CrianΓ§as com sarampo rapidamente exaurem a vitamina A, podendo resultar em cegueira irreversΓvel. Intervalo de trΓͺs anos entre gestaΓ§Γ΅es permite mΓ£es refazerem seus estoques de vitamina A, de forma que o filho seguinte nΓ£o sofra de reduΓ§Γ£o de vitalidade.
Um aspecto da vitamina A que merece maior destaque Γ© sua funΓ§Γ£o na utilizaΓ§Γ£o da proteΓna. Kwashiorkor[4] Γ© uma doenΓ§a devido a carΓͺncia de vitamina A, levando a comprometimento de absorΓ§Γ£o de proteΓna, uma vez que Γ© resultado de ausΓͺncia de proteΓna na alimentaΓ§Γ£o. AlimentaΓ§Γ£o com alto teor de proteΓna e baixo de gordura Γ© particularmente perigosa, porque o consumo de proteΓna exaure rapidamente os depΓ³sitos de vitamina A. CrianΓ§as criadas sob alimentaΓ§Γ£o rica em proteΓna e pobre em gordura comumente crescem de forma rΓ‘pida. Resultado: pessoas altas, mΓopes, lΓ’nguidas, com dentes encavalados entre si, estrutura Γ³ssea precΓ‘ria e um tipo de sΓndrome de Ichabod Crane[5] sΓ£o lugar-comum nos Estados Unidos. AlimentaΓ§Γ£o com muita proteΓna e pouca gordura pode atΓ© causar cegueira, como ocorrido, certa vez, na Guatemala, onde quantidades enormes de leite sem gordura de preparo instantΓ’neo foram doadas em um programa de donativos [11]. As pessoas que consumiram o leite em pΓ³ ficaram cegas. Povos primitivos compreenderam este princΓpio instintivamente, sendo por que nunca consomem carne magra e sempre comem carnes de Γ³rgΓ£os dos animais que lhes servem como alimento.
CrianΓ§as em fase de crescimento realmente se beneficiam de uma alimentaΓ§Γ£o contendo consideravelmente mais calorias na forma de gordura do que de proteΓna [12]. AlimentaΓ§Γ£o rica em gordura Γ© rica em vitamina A, resultando em estrutura fΓsica forte, vigorosa, mesmo apΓ³s de crescida, com alta imunidade a doenΓ§as.
A grande discrepΓ’ncia entre o que a ciΓͺncia descobrira acerca da vitamina A e o que escritores sobre nutriΓ§Γ£o promovem nos meios de comunicaΓ§Γ£o Γ© uma das causas de momentos embaraΓ§osos. O jornal The New York Times Γ© forte defensor de alimentaΓ§Γ£o com baixo teor de gordura, mesmo para crianΓ§as, embora um artigo recente deste jornal tenha observado que alimentos ricos em vitamina A, como fΓgado, gema de ovo, nata e frutos do mar conferem resistΓͺncia contra doenΓ§as infecciosas em crianΓ§as e previnem cΓ’ncer em adultos [13]. Um artigo do Washington Post laureou a vitamina A com βbarata e eficiente, com maravilhas ainda por serem (re)descobertasβ, observando que estudos recentes descobriram que suplementos de vitamina A ajudam a prevenir mortalidade infantil nos paΓses do Terceiro Mundo, protegem vΓtimas de sarampo contra complicaΓ§Γ΅es graves e previnem transmissΓ£o do vΓrus HIV de mΓ£e para filho [14]. O artigo lista manteiga, gema de ovo e fΓgado como fontes importantes de vitamina A, mas alega, infelizmente, que carotenos de vegetais sΓ£o βigualmente importantesβ.
O capricho da vitamina A confunde o pΓΊblico e se torna uma causas de aceitaΓ§Γ£o perene do dogma do baixo teor de gordura, mesmo entre escritores cientΓficos.
A safadeza da vitamina A
Pior ainda do que o capricho da vitamina A Γ© a safadeza da vitamina A, na forma de preocupaΓ§Γ΅es de que esta vitamina seja tΓ³xica em quantias maiores do que a minΓΊscula recomendada pelo RDA[6]. De fato, tΓ£o grande Γ© a propaganda contra esta vitamina que obstetras e pediatras atualmente advertem pacientes a evitar alimentos contendo vitamina A!
Recentemente, um grupo de mΓ©dicos especialistas sugeriu a reduΓ§Γ£o da dose diΓ‘ria recomendada de vitamina A de 5.000 IU para em torno de 2.500 IU e estabeleceu limite superior em cerca de 10.000 IU para mulheres. Tal grupo mΓ©dico era liderado por Dr. Robert Russell, da Tufts University, que advertiu que a ingestΓ£o acima do βlimite superiorβ pode causar dano irreversΓvel ao fΓgado e defeitos congΓͺnitos, uma declaraΓ§Γ£o disparatada, em vista ao fato de que, apenas poucas dΓ©cadas atrΓ‘s, rotineiramente aconselhavam-se mulheres grΓ‘vidas a tomar diariamente Γ³leo de fΓgado de bacalhau e a consumir fΓgado diversas vezes durante a semana. Uma colher de sopa de Γ³leo de fΓgado de bacalhau contΓ©m, ao menos, 15.000 IU, e uma porΓ§Γ£o de fΓgado pode conter atΓ© 40.000 IU de vitamina A. Russell sintetiza a concepΓ§Γ£o da comunidade mΓ©dica em geral, quando insiste em que a necessidade de vitamina A pode ser satisfeita com meia xΓcara de cenouras por dia.
A campanha anti-vitamina A comeΓ§ou em 1995, com a publicaΓ§Γ£o de um estudo da Boston University School of Medicine, no New England Journal of Medicine [15]. βTeratogenicity of High Vitamin A Intakeβ [βTeratogenicidade devido Γ ingestΓ£o de grande quantidade de vitamina Aβ], de Kenneth J. Rothman e colegas, relacionando o consumo de vitamina A entre mais de 22.000 mulheres grΓ‘vidas com defeitos congΓͺnitos ocorridos na prole seguinte. O estudo recebeu vasta cobertura da mΓdia, nas mesmas publicaΓ§Γ΅es que, anteriormente, haviam enaltecido os benefΓcios da vitamina A. βStudy Links Excess Vitamin A and Birth Defectsβ [βEstudo liga excesso de vitamina A a defeitos de nascenΓ§aβ], de Jane Brody, apareceu na pΓ‘gina frontal do New York Times, em 7 de outubro de 1995. Em 24 de novembro de 1995, o Washington Times reportou: βHigh doses of vitamin A linked to babiesβ brain defectsβ [βDoses elevadas de vitamina A ligadas a defeitos cerebrais em bebΓͺsβ].
Quando um ΓΊnico estudo recebe cobertura de primeira pΓ‘gina, Γ© importante olhΓ‘-lo bem de perto, principalmente porquanto pesquisa anterior descobrira a importΓ’ncia da vitamina A na prevenΓ§Γ£o de defeitos congΓͺnitos. De fato, os defeitos listados como mais frequentes com o aumento da dosagem de vitamina A (lΓ‘bio e palato fendidos, hidrocefalia e malformaΓ§Γ£o cardΓaca) sΓ£o tambΓ©m defeitos por carΓͺncia de vitamina A.
No estudo, os pesquisadores solicitaram a mais de 22.000 mulheres responderem questionΓ‘rios sobre seus hΓ‘bitos alimentares e ingestΓ£o de suplementos, antes e durante a gestaΓ§Γ£o. Suas respostas foram usadas para determinar a conjuntura da vitamina A. Conforme descrito nos jornais, os pesquisadores descobriram que defeitos de crista neural craniana eram maiores com o aumento das doses de vitamina A. O que os jornais nΓ£o relataram foi o fato de que defeitos de tubo neural diminuΓam com o aumento do consumo de vitamina A e que nenhuma tendΓͺncia a defeitos mΓΊsculos-esquelΓ©ticos, urogenitais ou outras foi evidenciada. A tendΓͺncia foi muito menos pronunciada e estatisticamente menos significante, quando defeitos da crista neural craniana foram relacionados com o consumo de vitamina A advinda apenas de alimentos.
O estudo Γ© viciado por uma sΓ©rie de falhas. A situaΓ§Γ£o da vitamina A foi estimada por mΓ©todo impreciso de recordaΓ§Γ£o e questionΓ‘rio. NΓ£o foram realizados exames de sangue, para determinar-se o real quadro de vitamina A aproveitΓ‘vel das mΓ£es. Os pesquisadores nΓ£o quantificaram defeitos congΓͺnitos de acordo com sua gravidade, portanto, nΓ£o sabemos se os defeitos nos bebΓͺs nascidos de mΓ£es tomando dosagem alta de vitamina A eram sΓ©rios ou nΓ£o, comparados com os das mΓ£es tomando quantias menores.
A falha mais grave foi que os pesquisadores nΓ£o fizeram distinΓ§Γ£o entre a vitamina A manufaturada na forma de retinol, encontrada em suplementos e adicionada em alimentos fabricados, e o complexo natural da vitamina A, presente junto com numerosos cofatores, da vitamina A contida em alimentos. Sabe-se muito bem que vitaminas sintΓ©ticas sΓ£o menos ativas biologicamente e, portanto, menos eficazes, do que as vitaminas naturais. Isto Γ© verdadeiro, principalmente para vitaminas lipossolΓΊveis, como a vitamina A, porque tendem a ser molΓ©culas mais complexas, com numerosas ligaΓ§Γ΅es duplas e uma diversidade de formas. A vitamina A natural ocorre como uma mistura de diversos isΓ΄meros, aldeΓdos, Γ©steres, Γ‘cidos e Γ‘lcoois. Γcido retinΓ³ico puro, um metabΓ³lito da vitamina A, usado para tratar de acne em adultos, Γ© bem conhecido por causar defeitos congΓͺnitos. Aparentemente, retinol puro possui propriedades teratogΓͺnicas em quantias altas tambΓ©m.
Pesquisadores descobriram que defeitos de crista neural craniana aumentam na proporΓ§Γ£o da quantia de retinol em suplementos consumidos durante o primeiro trimestre de gestaΓ§Γ£o (embora o nΓΊmero total de defeitos permaneceu estΓ‘vel atΓ© 15.000 IU diΓ‘rias). Pesquisa com a vitamina A indicou que muitos fatores interferem em sua absorΓ§Γ£o e utilizaΓ§Γ£o. Gorduras inadequadas na alimentaΓ§Γ£o, produΓ§Γ£o debilitada de sais biliares, conjuntura de baixa quantidade de enzima e funΓ§Γ£o hepΓ‘tica comprometida podem influenciar na absorΓ§Γ£o e uso da vitamina A, principalmente quando ministrada como suplemento, na forma de retinol, ao invΓ©s de como um componente de alimentos integrais. Pode ser que os efeitos teratogΓͺnicos das fΓ³rmulas comerciais de vitamina A sejam exacerbados em mulheres cuja prΓ‘tica alimentar e estado geral de saΓΊde sΓ£o precΓ‘rios. Alguns pesquisadores acreditam que a vitamina A sintΓ©tica interfere na utilizaΓ§Γ£o apropriada da vitamina A natural provinda dos alimentos.
Retinol puro Γ© adicionado a muitos alimentos fabricados, como margarina, cereais matinais e pizza. O estudo nΓ£o fez distinΓ§Γ£o entre mulheres que praticavam a suplementaΓ§Γ£o de vitamina A por alimentos integrais de origem animal e aquelas que ingeriam retinol adicionado a margarina, farinha refinada e cereais matinais extrusados, alimentos que contΓͺm muitos outros componentes que podem causar defeitos congΓͺnitos. A vitamina A natural, provida por fΓgado, ovos, manteiga e Γ³leo de fΓgado de bacalhau Γ© muito bem conhecida como excelente proteΓ§Γ£o contra defeitos congΓͺnitos.
As diferenΓ§as entre vitamina A sintΓ©tica e natural estiveram completamente ausentes na cobertura midiΓ‘tica extensa deste estudo. Em contrapartida, houve matΓ©rias de jornais indicando avisos para mulheres grΓ‘vidas evitarem o consumo de fΓgado, laticΓnios, carne e ovos, mas nenhum contra o consumo de alimentos industrializados, como margarina e cereais matinais, aos quais a vitamina A sintΓ©tica Γ© acrescentada. E nΓ£o houve qualquer cobertura da mΓdia a estudos posteriores, descobrindo que Γndices altos de vitamina A nΓ£o aumentavam o risco de defeitos congΓͺnitos. Um estudo realizado em Roma, na ItΓ‘lia, nΓ£o observou malformaΓ§Γ΅es congΓͺnitas entre 120 bebΓͺs expostos a mais do que 50.000 IU de vitamina A por dia [16]. Um estudo suΓΓ§o examinou os Γndices sangΓΌΓneos de vitamina A em mulheres gestantes e descobriu que dose de 30.000 IU diΓ‘rias resultava em Γndices sangΓΌΓneos que nΓ£o apresentavam associaΓ§Γ£o a defeitos de nascenΓ§a [17].
A escravidΓ£o da vitamina A
Enquanto, nos EUA, criam-se confusΓ£o e medo sobre a vitamina A, os programas de distribuiΓ§Γ£o desta vitamina, realizados pela OMS e UNICEF, na Γfrica e Γsia, tΓͺm sido muito bem sucedidos na reduΓ§Γ£o de cegueira e morte de crianΓ§as e adultos. Em termos de custo, a vitamina A Γ© muito mais eficiente para se salvarem vidas e se prevenir sofrimento do que vacinaΓ§Γ΅es e remΓ©dios e pode ser administrada pelo valor de 2 centavos por comprimido. O programa nΓ£o desvirtua tradiΓ§Γ΅es culturais ou alimentares e Γ© facilmente executado em Γ’mbito de vilas.
Mas este tipo de sucesso nΓ£o Γ© bem quisto pela indΓΊstria alimentar e farmacΓͺutica, porque fortalece o estilo de vida das vilas e reduz o mercado consumidor para remΓ©dios e alimentos processados. Excessivas com louvor, as βgrandes poderosas[7] do sistema de fornecimento alimentar internacionalβ se juntaram em uma βparceria entre setores pΓΊblico e privadoβ para ingressarem no programa [18]. Kellogg, Cargill, Monsanto e Procter & Gamble foram as pioneiras na adiΓ§Γ£o de vitamina A na margarina, Γ³leo vegetal, farinha de trigo, aΓ§ΓΊcar e cereais matinais. AtΓ© mesmo ao glutamato monossΓ³dico! Em um almoΓ§o formal organizado por Hillary Clinton, os executivos das empresas e chefes de diversos grupos de ajuda humanitΓ‘ria anunciaram sua meta de mostrar a βempresas alimentΓcias nativas… como adicionar vitamina A a alimentos consumidos por pessoas de baixo poder aquisitivoβ. Em outras palavras, para usar vitamina A para promover alimentos processados aos aldeΓ΅es da Γfrica e Γsia, Γ guisa de ajuda humanitΓ‘ria. Pessoas com baixa renda na AmΓ©rica do Norte consomem margarina e outros alimentos processados, mas pessoas com baixa renda, no Terceiro Mundo, consomem alimentos cultivados por produtores e processados localmente por artesΓ£os.
E, para o caso de as pessoas se recusam a consumir alimentos processados, as βgrandes poderosasβ planejaram outro estratagema: arroz geneticamente modificado para produzir carotenos. Quem promove o assim chamado arroz βdouradoβ como soluΓ§Γ£o para o problema da vitamina A ou Γ© terrivelmente ignorante ou descaradamente corrupto. Arroz dourado contendo carotenos nΓ£o pode fornecer vitamina A verdadeira Γ s crianΓ§as do mundo, mas intensificarΓ‘ a tendΓͺncia de retirar seus pais de Γ‘reas rurais e alojΓ‘-los em favelas deplorΓ‘veis.
No processo de se mostrar a βempresas alimentΓcias nativas… como adicionar vitamina A a alimentos…β e de se inserirem genes para produΓ§Γ£o de carotenos no arroz, as empresas multinacionais fortalecerΓ£o seu domΓnio no fornecimento de alimentos ao mundo, levando Γ destruiΓ§Γ£o do estilo de vida nas vilas e ao que o escritor indiano Vandana Shiva chama de βditadura alimentarβ. Se os conglomerados conseguirem uma forma de agir, os programas para produΓ§Γ£o do arroz dourado e alimentos βenriquecidosβ substituirΓ£o os programas de distribuiΓ§Γ£o dos comprimidos de vitamina A, aumentando o sofrimento de crianΓ§as e a escravidΓ£o econΓ΄mica em escala mundial.
O que nΓ³s, ocidentais, podemos fazer para evitar os planos nefastos do complexo alimentar e farmacΓͺutico junto a naΓ§Γ΅es menos prΓ³speras do que as nossas? A resposta Γ© simples: cortar-lhe o recurso financeiro diretamente na fonte, recusando-se a comprar seus produtos. Boicote alimentos processados. Evite remΓ©dios farmacΓͺuticos. A melhor forma para atingir saΓΊde fΓsica e econΓ΄mica Γ© atravΓ©s de alimentos contendo vitamina A.
Adendo
O sucesso da vitamina A
Um dos programas mais bem sucedidos da histΓ³ria da ciΓͺncia nutricional Γ© a campanha global de distribuiΓ§Γ£o de comprimidos de dose alta de vitamina A para crianΓ§as da Γfrica e Γsia. LanΓ§ada em 1997, a campanha global Γ© uma parceria entre a UNICEF e a OrganizaΓ§Γ£o Mundial de SaΓΊde (OMS), bem como os governos do CanadΓ‘, Reino Unido, Holanda, JapΓ£o e a AgΓͺncia de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos[8]. O programa foi particularmente exitoso no Nepal, onde grupos de mulheres locais, conhecidos como Comunidade de Mulheres VoluntΓ‘rias da SaΓΊde[9] ajudam a distribuir os comprimidos ao longo de todo o territΓ³rio acidentado. Em 2000, mais de 90% das crianΓ§as nepalesas receberam sua dosagem anual de vitamina A.
Embora a vitamina A distribuΓda seja sintΓ©tica e nΓ£o a forma natural, derivada de Γ³leos de peixe, Γ© a forma animal de vitamina A (retinol), nΓ£o carotenos. CrianΓ§as de seis a doze meses de idade recebem duas doses de 100.000 unidades ao ano; crianΓ§as acima de 12 meses recebem duas doses de 200.000 ao ano. De acordo com Werner Schultink, chefe da SeΓ§Γ£o de NutriΓ§Γ£o da sede da UNICEF em Nova Iorque, a taxa de mortalidade de bebΓͺs e crianΓ§as decai em acerca de 23%, quando os Γndices de vitamina A sΓ£o adequados. O programa no Nepal custa um pouco mais do que 2 milhΓ΅es de dΓ³lares ao ano, menos do que US$1 por crianΓ§a (Reuterβs 2/12/01).
ConversΓ£o de carotenos em vitamina A
Dentre os muitos fatores que podem interferir na conversΓ£o de carotenos presentes em alimentos de origem vegetal em vitamina A estΓ£o:
- ser bebΓͺ ou crianΓ§a;
- diabetes;
- baixa funΓ§Γ£o tiroidiana;
- baixa ingestΓ£o de gordura;
- nematΓ³deos intestinais;
- diarrΓ©ia;
- doenΓ§a pancreΓ‘tica;
- doenΓ§a celΓaca;
- jito[10].
O mito da toxicidade da vitamina A
TΓpica da visΓ£o mΓ©dica ortodoxa sobre a vitamina A Γ© a seguinte declaraΓ§Γ£o, publicada no WebMD.com: βA vitamina A pode ser muito tΓ³xica, quando tomada em suplementos com alta dosagem por perΓodos longos de tempo e pode afetar quase todas as partes do corpo, incluindo olhos, ossos, sangue, pele, sistema nervoso central, fΓgado, genitais e trato urinΓ‘rio. Incluem-se nos sintomas tontura, nΓ‘usea, vΓ΄mito, cefalΓ©ia, danos Γ pele, distΓΊrbios mentais e, em mulheres, rareamento menstrual. Toxicidade grave pode causar cegueira e atΓ© mesmo risco de morte. Danos hepΓ‘ticos podem ocorrer em crianΓ§as que tomam a dose diΓ‘ria recomendada e aprovada a adultos por perΓodos longos de tempo ou em adultos que tomam quantia cinco vezes maior do que a dose diΓ‘ria recomendada e aprovada, por sete a dez anos. Em crianΓ§as, sobredose crΓ΄nica pode causar acΓΊmulo de fluido cerebral e outros sintomas semelhantes aos encontrados em adultos. Mulheres gestantes que tomam quantias nem tanto mais altas do que a dose diΓ‘ria recomendada tΓͺm o risco de defeitos congΓͺnitos aumentados em suas crianΓ§as. Consumo de grande quantia de vitamina A pode, ainda, aumentar o risco de cΓ’ncer gΓ‘strico, de osteoporose e de fraturas em mulheresβ.
O Manual da Merck descreve a toxicidade da vitamina A de uma forma menos histΓ©rica. Envenenamento agudo por vitamina A pode ocorrer em crianΓ§as, apΓ³s tomarem uma dose ΓΊnica de vitamina A sintΓ©tica em torno de 300.000 IU ou uma dosagem diΓ‘ria de 60.000 IU por algumas semanas. Foram registrados dois Γ³bitos infantis devido a envenenamento agudo por esta vitamina, com manifestaΓ§Γ£o de aumento de pressΓ£o intracraniana e vΓ΄mitos. Todavia, para a grande maioria dos casos, a recuperaΓ§Γ£o apΓ³s a descontinuaΓ§Γ£o Γ© βespontΓ’nea, sem danos residuaisβ.
Em adultos, de acordo com o Manual da Merck, relatou-se caso de toxicidade da vitamina A em exploradores Γ‘rticos que desenvolveram torpor, irritabilidade, cefalΓ©ias e vΓ΄mitos, seguidos de descamaΓ§Γ£o da pele, poucas horas apΓ³s o consumo de muitos milhΓ΅es de unidades de vitamina A, provenientes de carne de urso polar ou foca marinha. Mais uma vez, tais sintomas se dissiparam, pela descontinuaΓ§Γ£o do uso de alimento rico naquela vitamina. AlΓ©m deste exemplo incomum, apenas a vitamina A de βtabletes mega-vitamΓnicos, contendo vitamina A… quando ingeridos por perΓodo prolongadoβ induziu toxicidade aguda, ou seja, 100.000 IU de vitamina A diΓ‘rias, tomadas por muitos meses.
A nΓ£o ser que vocΓͺ seja um explorador Γ‘rtico, Γ© praticamente impossΓvel vocΓͺ se intoxicar por vitamina A de alimentos. A suposta dosagem tΓ³xica de 100.000 IU ao dia seria obtida de 3 colheres de sopa de Γ³leo de fΓgado de bacalhau com alto teor de vitamina, 6 colheres de sopa de Γ³leo de fΓgado de bacalhau comum, duas porΓ§Γ΅es e meia de 100 g cada de fΓgado de pato, cerca de trΓͺs porΓ§Γ΅es de fΓgado bovino de 100 g cada porΓ§Γ£o, mais de 3 kg de manteiga ou 309 gemas de ovos. Mesmo a vitamina A sintΓ©tica nΓ£o Γ© tΓ³xica, quando ministrada em dose ΓΊnica ou em pequenas quantias diΓ‘rias. Em Γ‘reas de populaΓ§Γ£o carente do mundo, sΓ£o comumente administradas duas doses de 100.000 unidades de retinol por ano para bebΓͺs e duas dozes de 200.000 unidades para crianΓ§as acima de 12 meses de idade.
O trΓ‘gico Γ© que a preocupaΓ§Γ£o desproporcional sobre a toxicidade da vitamina A levou mΓ©dicos a advertirem mulheres grΓ‘vidas a evitarem alimentos contendo aquela vitamina e pais a evitarem dar Γ³leo de fΓgado de bacalhau para seus bebΓͺs, embora livros anteriores a respeito de alimentaΓ§Γ£o de gestantes e bebΓͺs recomendassem doses generosas de Γ³leo de fΓgado de bacalhau e consumo freqΓΌente de fΓgado para mulheres grΓ‘vidas e duas colheres de chΓ‘ de Γ³leo de fΓgado de bacalhau ao dia para bebΓͺs com trΓͺs meses ou mais de idade. A maioria dos problemas mΓ©dicos seria resolvida rapidamente, se o povo voltasse a comer fΓgado e retomasse o uso do Γ³leo de fΓgado de bacalhau (nossos superalimentos maravilhosos).
Entendendo de maneira errada
βA vitamina A pode ser encontrada em Γ³leo de fΓgado de peixes, fΓgado de animais e frutas verdes e amarelas e hortaliΓ§asβ. β Prescription for Nutritional Healing [PrescriΓ§Γ£o para cura natural], de James F. Balch, MD e Phillis A. Balch, CNC. (Entretanto, os autores incluem o seguinte aviso, no final da seΓ§Γ£o sobre vitamina A: βDiabΓ©ticos e pessoas com hipotereoidismo devem evitar betacaroteno, porque nΓ£o podem convertΓͺ-lo em vitamina Aβ).
βCostumava-se tomar Γ³leo de fΓgado de bacalhau rotineiramente como fonte de vitamina A. Mas muitos especialistas atualmente acreditam que, como auxΓlio nutricional, este Γ³leo Γ© obsoleto. Podemos consumir vitamina A diretamente apenas de carne de animais, sendo o fΓgado a fonte mais rica. Entretanto, frutas lustrosas alaranjadas e legumes e verduras folhosas escuras contΓͺm betacaroteno que nosso organismo converte naquela vitamina… Anteriormente ao tempo dos caminhΓ΅es refrigerados e distribuiΓ§Γ£o em massa de produtos, a carΓͺncia de vitamina A era um problema imenso… Mas, atualmente, a maioria das pessoas possui acesso a ampla gama de produtos disponΓveis o ano todo. Ademais, suplementos de betacaroteno tambΓ©m estΓ£o fartamente disponΓveisβ. β Artigo no WebMD.com, de Karen Cullen, RD, PhD.
βA vitamina A Γ© encontrada em produto de origem animal e betacaroteno, um composto do gΓͺnero desta vitamina. Γ encontrada em pigmentos amarelos de vegetais… Se nΓ£o necessΓ‘rio, permanece como betacaroteno; se necessΓ‘rio, Γ© convertido em vitamina A… Suplementos de vitamina A nΓ£o [sΓ£o] necessΓ‘riosβ. βEnhancing Fertility Naturally [Aumentando a fertilidade naturalmente], de Nicky Wesson.
βA vitamina A Γ© encontrada na forma de betacaroteno em vegetais verdes folhosos, cenouras, batadas-doces, abobrinha-de-inverno e cantalupo, em quantias adequadas para suprir as necessidades diΓ‘rias das crianΓ§as…β. β Dr. Attwoodβs Low-Fat Prescription for Kids [PrescriΓ§Γ£o de baixo teor de gordura para crianΓ§as], de Dr. Charles R. Attwood.
βA toxicidade da vitamina A depende de sua forma. Apenas o retinol e outras variedades encontradas em alimentos de origem animal sΓ£o capazes de fazer mal. Os carotenΓ³ides, as fontes de origem vegetal de vitamina A, nΓ£o parecem ser tΓ³xicos, mesmo quando quantidades extraordinariamente grandes sΓ£o consumidasβ. βThe University of California San Diego Nutrition Book [Livro nutricional da Universidadade da CalifΓ³rnia, campus de San Diego], de Paul Saltman, PhD, Joel Gurin e Ira Mothner.
βOs carotenos… sΓ£o a fonte principal de vitamina Aβ. Basic Food Chemistry [QuΓmica alimentar bΓ‘sica], de Frank E. Lee, PhD.
βVegetais amarelos, bem laranjas e bem vermelhos, hortaliΓ§as verdes-escuros e frutas… sΓ£o ricas em vitamina A…β. βThe Breast Cancer Survival Manual [Manual de sobrevivΓͺncia ao cΓ’ncer de mama], de John Link, MD.
βSe tomada em demasia, a vitamina A pode ser tΓ³xica, uma vez que Γ© armazenada no fΓgado. O betacaroteno, entretanto, nΓ£o Γ© convertido em vitamina A, a nΓ£o ser que o corpo demande isto, e nΓ£o tem como sofrer de taxas tΓ³xicas deleβ. βThe Endometriosis Answer Book [Livro de respostas de endometriose], de Niels H. Lauersen e Constance deSwaan.
Vitamina A: o nutriente milagroso
A suplementaΓ§Γ£o de vitamina A para crianΓ§as na Γsia e Γfrica foi extremamente eficiente na reduΓ§Γ£o de infecΓ§Γ£o, diarrΓ©ia, anemia e cegueira. (Reuterβs 2/12/01).
CrianΓ§as africanas e asiΓ‘ticas, recebendo suplementos de vitamina A, cresceram mais rapidamente, possuem mediΓ§Γ΅es de hemoglobina melhores e morrem de 30% a 60% com menor freqΓΌΓͺncia do que suas contrapartes que nΓ£o recebem suplemento (J Nutr Jan 1989 119(1):96-100).
A suplementaΓ§Γ£o de vitamina A pode reduzir a incidΓͺncia de malΓ‘ria. CrianΓ§as da Papua Nova-GuinΓ© que receberam CrianΓ§as doses altas de vitamina A apresentaram incidΓͺncia 30% menor de malΓ‘ria em relaΓ§Γ£o Γ quelas que receberam placebo (The Lancet, 1999, 354:203-9).
A vitamina A desempenha funΓ§Γ£o vital na regulaΓ§Γ£o do sistema imunolΓ³gico. A carΓͺncia de vitamina A leva a perda de cΓ©lulas ciliadas dos pulmΓ΅es, uma primeira linha de defesa importante contra patΓ³genos. A vitamina A promove secreΓ§Γ£o de mucina e formaΓ§Γ£o de microvilosidades pelas mucosas, incluindo a do trato gastrointestinal. Aquela vitamina regula a produΓ§Γ£o de cΓ©lulas-T e apoptose (morte celular programada) (Nutrition Reviews 1998;56:S38-S48).
A transmissΓ£o de HIV estΓ‘ fortemente relacionada com os Γndices de vitamina A nas mΓ£es. Um estudo em Malawi, na Γfrica, descobriu que mΓ£es com os mais altos Γndices de vitamina A apresentavam taxa de transmissΓ£o de apenas 7,2% (Celia Farber, βA Timely Firestormβ, www.ironminds.com).
Tratamento com mega-doses de vitamina A (100.000 IU por dia) resultaram em taxa de cura de 92% de menorragia (fluxo menstrual excessivo) no Johannesburg General Hospital, na Γfrica do Sul (S Afr Med J 1977).
Falta de vitamina A influencia no desempenho da funΓ§Γ£o do hipocampo, a sede principal do aprendizado. Cientistas do Salk Institute for Biological Studies, em San Diego, CalifΓ³rnia, descobriram que, eliminando-se a vitamina A da alimentaΓ§Γ£o de camundongos, diminuem-se alteraΓ§Γ΅es quΓmicas no cΓ©rebro, consideradas as marcas patentes do aprendizado e da memΓ³ria (Proc Natl Acad Sci, Sep 25, 2001 98(20):11714-9).
A vitamina A natural ajuda a reconectar receptores retinΓ³ides fundamentais para a visΓ£o, percepΓ§Γ£o sensorial, processamento de linguagem e atenΓ§Γ£o em crianΓ§as autistas. O uso do Γ³leo de fΓgado de bacalhau auxilia as crianΓ§as a se recuperarem do autismo causado pela vacina DPT. A toxina da coqueluche influencia nos receptores retinΓ³ides do cΓ©rebro (Med Hypothesis, Jun 2000 54(6):979-83).
A vitamina A pode ser ΓΊtil no tratamento de psorΓase. Pesquisadores descobriram que pacientes sofrendo de psorΓase severa apresentavam Γndices sangΓΌΓneos baixos de vitamina A (Acta Derm Venereol Jul 1994 74(4):298-301).
As vΓtimas de derrame com Γndices mais elevados de vitamina A sΓ£o mais propensas a se recuperarem sem danos (The Lancet, Mar 25, 1998, pp 47-50).
A vitamina A protege contra cΓ’nceres de pulmΓ£o e de bexiga em homens (Alt Cancer Inst Monogr Dec 1985 69:137-42).
Quatorze de vinte pacientes com cΓ’ncer de prΓ³stata obtiveram remissΓ£o total; e cinco, remissΓ£o parcial, usando vitamina A como parte de terapia natural contra cΓ’ncer na Alemanha (Drugs Exp Clin Res 2000;26(65-6):249-52).
A vitamina A foi usada com sucesso pelo Dr. L. J. A. Loewenthal para combater ΓΊlceras tropicais em Uganda (S Afr Med J Dec 24 1983 64(27):1064-7).
A vitamina A teve seu uso bem sucedido no tratamento de problema cutΓ’neo chamado doenΓ§a de Kyrle (Cutis Dec 1982 30(6):753-5, 759).
Idosos que consumem quantia adequada de vitamina A sΓ£o menos propensos a ΓΊlceras de perna (Veris Newsletter Dec 1999;15(4):5).
CarΓͺncia crΓ΄nica de vitamina A causa degeneraΓ§Γ£o das estruturas da orelha. DeclΓnio da funΓ§Γ£o auditiva em seres humanos estΓ‘ associado a baixos Γndices de vitamina A. (Arch Otorhinolaryngol 1982;234(2):167-73).
A vitamina A inibe os efeitos do Γ‘cido fΓtico e aumenta a absorΓ§Γ£o de ferro do trigo integral. (Arch Latinoam Nutr Sep 2000;50(3):243-8).
A suplementaΓ§Γ£o de vitamina A aumenta a absorΓ§Γ£o de ferro e Γ‘cido fΓ³lico em mulheres de Bangladesh (Am J Clin Nutr Jul 2001;74(1):108-15).
O uso de suplementos de vitamina A reduz o risco de cataratas (Am J Ophthalmol Jul 2001;132(1):19-26).
Fontes de vitamina A
Abaixo, a quantia aproximada de vitamina A em alimentos comuns, em IU por 100 g:
- Γ³leo de fΓgado de bacalhau com alto teor de vitaminas: 230.000;
- Γ³leo de fΓgado de bacalhau comum: 100.000;
- fΓgado de pato: 40.000;
- fΓgado bovino: 35.000;
- fΓgado de ganso: 31.000;
- lingΓΌiΓ§a de fΓgado de porco: 28.000;
- fΓgado de carneiro: 25.000.
Notar que tais quantias variam, de acordo com a forma com que os animais sΓ£o alimentados. Weston Price observou imensa variaΓ§Γ£o do teor de vitamina A da manteiga, conforme a estaΓ§Γ£o do ano. Adicionalmente, a absorΓ§Γ£o de vitamina A varia de acordo com o alimento. Uma pesquisa realizada durante a dΓ©cada de 1940 indicou que a vitamina A Γ© absorvida mais facilmente da manteiga do que de outros alimentos.
A dose diΓ‘ria recomendada nos Estados Unidos de vitamina A Γ© atualmente 5.000 IU por dia (e pode, possivelmente, ser reduzida para 2.500 IU diΓ‘rias). Com base nos trabalhos de Weston Price, podemos assumir que a quantia desta vitamina na alimentaΓ§Γ£o antiga era aproximadamente 50.000 IU por dia, que poderia ser alcanΓ§ada na alimentaΓ§Γ£o moderna, consumindo-se quantias generosas de leite integral, nata, manteiga e ovos de animais criados no campo e no pasto; fΓgado de boi ou de pato, vΓ‘rias vezes na semana; e uma colher de sopa de Γ³leo de fΓgado de bacalhau normal ou 1/2 colher de sopa de Γ³leo de fΓgado de bacalhau com alto teor de vitaminas diariamente.
Os betacarotenos sΓ£o seguros?
Em doses grandes, os betacarotenos sΓ£o seguros, conforme se alega? A dependΓͺncia de carotenos para obtenΓ§Γ£o de vitamina A demanda grandes reservas de enzimas para sua conversΓ£o. Em seu livro fascinante, Nutrition and Evolution [NutriΓ§Γ£o e evoluΓ§Γ£o], Michael Crawford e David Marsh observam que, em animais, βse qualquer funΓ§Γ£o pode ser delegada a outro organismo, isto deixa o espaΓ§o do disco livre para executar alguma funΓ§Γ£o nova ou uma antiga de maneira melhorβ. Os gatos nΓ£o sintetizam vitamina A de carotenos. βSe tivessem que sintetizar sua prΓ³pria vitamina A… isto tomaria uma porΓ§Γ£o significativa do espaΓ§o de seu discoβ. Os gatos obtΓͺm vitamina A de suas presas, cuja habilidade de sintetizar vitamina A de carotenos comprometem outras funΓ§Γ΅es, como visΓ£o noturna e agilidade de movimento. Enquanto a ortodoxia mΓ©dica alega que o consumo de grandes quantias de carotenos nΓ£o apresenta um lado negativo, Γ© possΓvel que tal dependΓͺncia a carotenos para obtenΓ§Γ£o de vitamina A, mesmo naqueles que sΓ£o bons conversores, compromete outras funΓ§Γ΅es bioquΓmicas, por vias nΓ£o tΓ£o evidentes.
Os assim considerados suplementos atΓ³xicos de betacaroteno contΓͺm uma forma sintΓ©tica deste elemento, de apenas um dos 50 ou 60 tipos de carotenos encontrados na alimentaΓ§Γ£o tΓpica. A atividade biolΓ³gica do betacaroteno sintΓ©tico Γ© muito menor do que a dos complexos naturais de carotenos e, de fato, podem gerar distresse no sistema imunolΓ³gico. Descobriu-se por estudos com seres humanos e ratos que consumiram betacaroteno sintΓ©tico aumento nos glΓ³bulos brancos. Em experimentos com cΓ’ncer, betacarotenos sintΓ©ticos nΓ£o se mostraram protetores. De fato, em um estudo, os pacientes a quem fora ministrado betacaroteno sintΓ©tico apresentaram resultados piores do que os dos grupos de controle (NEJM April 1994 330:(15);891-895).
ReferΓͺncias:
- Price, Weston A. Nutrition and Physical Degeneration. Price-Pottenger Nutrition Foundation, San Diego, CA, p 280.
- The history outlined here has been expertly compiled by G Wolf. βA History of Vitamin A and Retinoids.β The FASEB Journal, July 1996, 10:1102-1107.
- Gerson, M., MD. A Cancer Therapy: Results of Fifty Cases. Totality Books, Del Mar, CA, 1958.
- Griffin, G. E. World Without Cancer. American Media, Westlake Village, CA, 1974, pp 462-3.
- Solomons, N. W. and J. Bulus. βPlant sources of provitamin A and human nutriture.β Nutrition Review, Springer Verlag New York, Inc, July 1993, 51:1992-4.
- Jennings, I. W. Vitamins in Endocrine Metabolism. Charles C. Thomas Publisher, Springfield, Illinois.
- Dunne, L. J. Nutrition Almanac, Third Edition, McGraw-Hill Publishing Company, 1990.
- Jennings, Op Cit.
- Price, Op Cit.
- Solomons, Op Cit.
- Personal Communication, Ruth Rosevear
- Protein calories should comprise about 15 percent of the diet. Fat calories in childrenβs diets should be greater than 40 percent of total calories.
- Angler, Natalie. βVitamins Win Support as Potent Agents of Health,β New York Times, March 10, 1992.
- Brown, David. βItβs Cheap and Effective, With Wonders Still Being (Re)discovered.β The Washington Post, November 7,1994.
- Rothman, K. J. and others. βTeratogenicity of high vitamin A intake.β New England Journal of Medicine. November 23, 1995 333(21):1414-5.
- Mastroiacovo, P. and others. βHigh vitamin A intake in early pregnancy and major malformations: a multicenter prospective controlled study.β Teratology. January 1999 59(1):1-2.
- Wiegand, U. W. and others. βSafety of vitamin A: recent results.β International Journal of Vitamin and Nutrition Research. 1998, 68(6):411-6.
- Mann, J. βSaving Young Lives With a 2-Cent Capsule.β The Washington Post, March 17, 1999.
Artigo publicado na Wise Traditions in Food, Farming and the Healing Arts, revista trimestral da Weston A. Price Foundation, Inverno de 2001.
[1] Newfoundland. (Nota do Tradutor: NT)
[2] Who does not at night see right
Eats the liver of goat
He will then see better at night. (NT)
[3] Food and Drug Administration. AgΓͺncia governamental norte-americana, equivalente Γ ANVISA brasileira, que regula e fiscaliza a fabricaΓ§Γ£o de comestΓveis, drogas e cosmΓ©ticos. (Fonte: WikiΓ©dia.com. NT)
[4] Kwashiokor ou desnutriΓ§Γ£o intermediΓ‘ria Γ© um tipo de doenΓ§a decorrente da falta de proteΓnas e vitaminas, geralmente associada a consumo elevado de carboidratos (arroz, batata, milho, salgadinhos, doces etc.). (Fonte: WikipΓ©dia.com. NT)
[5] Ichabod Crane Γ© um personagem fictΓcio e protagonista da curta estΓ³ria de Washington Irving, The Legend of Sleepy Hollow [A lenda de Sleepy Hollow; no Brasil, conhecida como A lenda do cavaleiro sem cabeΓ§a], publicada originalmente em 1820. Apesar de magricela, Γ© capaz de comer quantias impressionantes de comida e estΓ‘ sempre Γ procura disto. Ademais, Γ© excessivamente supersticioso, freqΓΌentemente ao ponto de acreditar em todos os mitos, lendas, contos fantasiosos etc. Como conseqΓΌΓͺncia, vive assustado com tudo que o lembre de fantasmas e demΓ΄nios. (Fonte: WikipΓ©dia.com. NT)
[6] Recommended Daily Allowance (Dosagem DiΓ‘ria Recomendada). RecomendaΓ§Γ΅es da AssociaΓ§Γ£o de drogas e alimentos norte-americana, no que diz respeito ao consumo de vitaminas, minerais e nutrientes bΓ‘sicos em geral. (Fonte: WikipΓ©dia.com. NT)
[7] No original, big guns. (NT)
[8] United States Agency for International Development (USAID). (NT)
[9] Female Community Health Volunteers. (NT)
[10] DoenΓ§a tropical, caracterizada por anemia e emagrecimento. (Fonte: Wikipedia.com. NT)
π¨οΈ Print post

Leave a Reply