O mito de O estudo da China
TraduΓ§Γ£o de The China Study Myth, de Denise Minger, marΓ§o de 2012.
(http://www.westonaprice.org/health-topics/abcs-of-nutrition/the-china-study-myth/)
Traduzido por Renato Alves.
Falhas na BΓblia vegana
O ano de 2006 foi marcado por um evento que sacodiu o mundo da nutriΓ§Γ£o (bem como as muralhas dos Alimentos Integrais): o lanΓ§amento do The China Study, por T. Colin Campbell. Impresso por uma pequena editora conhecida por outras obras cientΓficas esplΓͺndidas, como The Psychology of the Simpsons[A psicologia de Os Simpsons] e You Do Not Talk About Fight Club [NΓ£o venha falar do Clube da Luta], o livro de Campbell rapidamente passou de boca a boca e subiu em velocidade recorde para as alturas de campeΓ£o de vendagem, com suas vendas excedendo meio milhΓ£o de cΓ³pias atΓ© o momento.
A premissa Γ© de que todos os alimentos de origem animal, desde Chicken McNuggets a um filΓ© de salmΓ£o selvagem, sΓ£o responsΓ‘veis pelas enfermidades modernas, como doenΓ§as cardΓacas e cΓ’ncer. Tais doenΓ§as, alega o livro, podem genericamente ser prevenidas ou atΓ© mesmo curadas, abstendo-se de produtos de origem animal e consumindo uma alimentaΓ§Γ£o de alimentos de origem vegetal, integrais, nΓ£o processados.
Embora esta tese impressionante seja difΓcil de ser engolida, o livro parece convincente, por causa de suas referΓͺncias exaustivas e a lista de credenciais do autor, incluindo um PhD em Cornell, autoria de mais de trezentos artigos cientΓficos e dΓ©cadas de experiΓͺncia em pesquisa direta. Talvez nΓ£o surpreendentemente, O estudo da Chinafoi rapidamente absorvido pela comunidade vegana como uma bΓblia para todas as obras, a palavra final sobre o malefΓcio dos alimentos de origem animale a prova irrefutΓ‘vel de que uma alimentaΓ§Γ£o exclusivamente de produtos de origem vegetal Γ© melhor para a humanidade. Desespero aos adoradores de carne de todos os cantos (principalmente aos que gostam de discutir por passatempo), jΓ‘ que debates tΓ³rridos com veganos sΓ£o, agora, terminados com uma simples sentenΓ§a: βVΓ‘ ler O estudo da China!β
Entretanto, a despeito das declaraΓ§Γ΅es βpreto-no-brancoβ sobre os produtos de origem animal (e seus argumentos aparentemente bem referenciados), O estudo da ChinanΓ£o Γ© um trabalho com vigor cientΓfico. Como veremos neste artigo, as alegaΓ§Γ΅es mais amplamente repetidas no livro, principalmente as em relaΓ§Γ£o Γ pesquisa de Campbell sobre cΓ’ncer e os resultados do Projeto China-Cornell-Oxford, sΓ£o vΓtimas de viΓ©s seletivo, escolha por critΓ©rios muito duvidosos e mΓ‘ interpretaΓ§Γ£o terrΓvel de dados.
ProteΓna animal causa cΓ’ncer?
As sementes da dΓΊvida sobre alimento de origem animal foram plantadas, pela primeira vez, na carreira de Campbell, enquanto ele trabalhava nas Filipinas, em um projeto de auxΓlio a combate contra desnutriΓ§Γ£o. Um colega o informou a respeito de uma tendΓͺncia impressionante: cΓ’ncer de fΓgado afligia os filipinos mais abastados em uma taxa muito maior do que suas contrapartes menos prΓ³speras, um fenΓ΄meno que, nΓ£o obstante uma montanha de outras diferenΓ§as de estilo de vida, acreditouCampbell estar relacionado a seu maior consumo de proteΓna animal[1]. Fortalecendo suas suspeitas, Campbell tambΓ©m ficou sabendo de um estudo recente,na Γndia, mostrando que ingestΓ£o elevada de proteΓna incitava cΓ’ncer hepΓ‘tico em ratos, ao passo que baixa ingestΓ£o de proteΓna parecia preveni-lo[2]. Intrigado por esta pΓ©rola, vinda de muito pouca pesquisa, Campbell decidiu ele mesmo investigar o papel da nutriΓ§Γ£o no desenvolvimento do cΓ’ncer, uma empreita que terminou durando muitas dΓ©cadas e produzindo mais de cem publicaΓ§Γ΅es (nenhuma delas pertencente ao Clube da Luta[3]).
O estudo da China retomou as descobertas de Campbell com poderosa simplicidade. Em uma sΓ©rie de experimentos, Campbell e sua equipe expuseram ratos a nΓveis elevados de aflatoxina, um carcinogΓͺnio produzido por fungos que crescem em amendoim e milho, e, entΓ£o, alimentou os animais com comida contendo nΓveis variΓ‘veis de proteΓna caseΓna do leite. Estudo apΓ³s estudo, os ratos consumindo apenas 5% de suas calorias totais na forma decaseΓna nΓ£o desenvolveram tumor, enquanto que ratos consumindo 20% de suas calorias com caseΓna desenvolveram crescimentos anormais que marcaram o inΓcio de cΓ’ncer hepΓ‘tico. Como Campbell descreveu, ele poderia controlar o cΓ’ncer naqueles roedores, βcomo se operando um interruptor de luz, ligando-a e desligando-aβ, simplesmente alterando a quantia de caseΓna que eles ingeriam[4].
A despeito das descobertas perturbadoras, Campbell nΓ£o estava pronto para declarar toda proteΓna como uma ameaΓ§a Γ saΓΊde pΓΊblica e colar no corredor de pasta de amendoim o selo de Mr. Yuk . Acabou que a proteΓna animal, pelo que parecia, era a ΓΊnica vilΓ£ abominΓ‘vel. Em diversos de seus experimentos, quando os ratos expostos a aflatoxina eram alimentados com proteΓna de trigo ou de soja, no lugar da caseΓna, eles nΓ£o desenvolviam qualquer tipo de cΓ’ncer, mesmo em 20%de nΓvel, o que provou ser tΓ£o maligno, no caso da caseΓna[5].Parecia que estas proteΓnas de origem vegetal nΓ£o eram apenas aprovadas pela PETA, mas tambΓ©m, as menos provΓ‘veis a transformarem fΓgados de ratos em fΓ‘bricas de tumores.
Estas descobertas levaram Campbell a sua conclusΓ£o firme e famosa: toda proteΓna de origem animal, mas nΓ£o a de origem vegetal, poderia promover, bastante por si mesma, crescimento de cΓ’ncer. Fuja do espetinho! Corra para o tofu!Mas, conforme diversos crΓticos apontaram [6,7], tal declaraΓ§Γ£o era assentada em algumas cambalhotas de lΓ³gica (e, talvez, algumas piruetas de ilusΓ£o). Os efeitos da caseΓna, especialmente quando isolada, separada de outros componentes do laticΓnio que geralmente trabalham em sinergia, nΓ£o pode ser generalizada a todas as formas de proteΓna do leite, muito menos todas as formas de proteΓna de origem animal. Um nΓΊmero expressivo de estudos mostra que outra importante proteΓna do leite, o soro, suprime sistematicamente o crescimento tumoral ao invΓ©s de promovΓͺ-lo, provavelmente devido a sua habilidade de elevar os nΓveis de glutationa [8,9].Outro estudo de Campbell sugere que proteΓna de peixe atua como estimuladora de cΓ’ncer, quando comparada com o Γ³leo de milho, mas nΓ£o, quando comparada com o Γ³leo de peixe, salientando a importΓ’ncia do contexto alimentar (e a caracterΓstica dos Γ³leos vegetais de seremsempre terrΓveis) [10].
E o pulo-do-gato: um dos experimentos mais relevantes de Campbell, o qual, infelizmente, nΓ£o recebeu menΓ§Γ£o em in O estudo da China, mostrou que, quando glΓΊten de trigo Γ© suplementado com lisina, para compor uma proteΓna completa, ele se comporta exatamente como a caseΓna, na promoΓ§Γ£o de crescimento de tumor [11].Isto significa que a proteΓna de origem animal nΓ£o possui alguma espΓ©cie de habilidade mΓstica de estimular cΓ’ncer, por mera virtude de sua origem, vinda de uma criatura consciente, mas somente que uma gama completa de aminoΓ‘cidos fornece as unidades de construΓ§Γ£o corretas para crescimento, seja para cΓ©lulas malignas, seja para saudΓ‘veis. E, como qualquer vegano que for perguntado βDe onde vocΓͺ obtΓ©m suas proteΓnas?β pela octocentΓ©sima vez responderΓ‘, atΓ© mesmo a alimentaΓ§Γ£o composta exclusivamente de produtos de origem vegetal supre proteΓna de maneira completa, atravΓ©s das diversas misturas de legumes, grΓ£os, castanhas, verduras e outros itens considerados veganos. Teoricamente, uma refeiΓ§Γ£o de arroz com feijΓ£o oferece os mesmos assim chamados aminoΓ‘cidos estimuladores de cΓ’ncer que a proteΓna de origem animal o faz. Deveras, os experimentos de Campbell perdem sua relevΓ’ncia, no contexto de uma alimentaΓ§Γ£o normal, do mundo real, oposta ao cardΓ‘pio purificado, composto apenas de caseΓna, aΓ§ΓΊcar e Γ³leo de milho que seus ratos comeram.
Mas isto Γ© apenas a ponta do iceberg proteinΓ‘ceo. Em seu artigo de setembro de 2010, The Curious Case of Campbellβs Rats [O curioso caso dos ratos de Campbell] [12], Chris Masterjohn aventurou-se para alΓ©m das pΓ‘ginas bem iluminadas de O estudo da Chinapara explorar os cantos obscuros das publicaΓ§Γ΅es de Campbell em primeira mΓ£o. E o que ele encontrou, em relaΓ§Γ£o aos ratos alimentados com baixo teor de proteΓna, foi um clamor das descriΓ§Γ΅es do mundo das fantasias que lemos no livro. Embora os ratos consumindo uma alimentaΓ§Γ£o rica em caseΓna realmente desenvolvessem cΓ’ncer, conforme descrevera Campbell, aqueles nos grupos que consumiam baixa quantidade da mesma proteΓna do leite, retratados como com olhos francamente brilhantes e recobertos de luz em O estudo da China, estavam sofrendo de algo ainda pior. Na verdade, a pesquisa de Campbell mostrou que uma alimentaΓ§Γ£o pobre em proteΓna aumenta a toxicidade aguda da aflatoxina, resultando em genocΓdio celular e morte prematura. Pelo fato de a carΓͺncia protΓͺica impedir o fΓgado de realizar com Γͺxito suas funΓ§Γ΅es desintoxicantes, menos aflatoxina Γ© convertida em metabΓ³litos causadores de cΓ’ncer, mas o resultado final Γ© dano aos tecidosintenso (e, no final das contas, fatal).
Mesmo a pesquisa da Γndia que despertou o interesse de Campbell na relaΓ§Γ£o alimentaΓ§Γ£o-cΓ’ncer mostrou que ratos sob alimentaΓ§Γ£o com baixa quantia de caseΓna estavam morrendo em uma freqΓΌΓͺncia perturbadora, enquanto que aqueles sob alta quantia de proteΓna, embora eventualmente com tumores, estavam, ao menos, vivos [13] (Desta forma, Γ© de se espantar que O estudo da China promova uma alimentaΓ§Γ£o baseada em produtos de origem vegetal para prevenΓ§Γ£o de cΓ’ncer, quando a morte Γ© igualmente atuante e mais freqΓΌente).
Mais dicas para compreensΓ£o do caso caseΓna-cΓ’ncer vΓͺm de outro estudo indiano, publicado no final da dΓ©cada de 1980, examinando os efeitos da proteΓna, ao invΓ©s de em ratos, em macacos expostos a aflatoxina[14]. Assim como o experimento de Campbell, os macacos foram alimentados com comida contendo ou 5% ou 20% de caseΓna, mas com uma diferenΓ§a importante: ao invΓ©s de serem entuchados com uma dose astronomicamente alta (e irreal) de aflatoxina, os macacos eram expostos a doses menores, diΓ‘rias, simulando uma situaΓ§Γ£o do mundo real, onde a aflatoxina Γ© consumida rotineiramente em pequenas quantias, presentes em alimentos contaminados. Em um caso fabuloso de revertΓ©rio cientΓfico, este estudo mostrou que eram os macacos sob baixa quantia de proteΓna que desenvolviam cΓ’ncer, enquanto os macacos com quantia alta desfrutavam de ausΓͺncia de tumores.
Este aparente paradoxo destaca um problema maior na pesquisa de Campbell com ratos: o nΓvel de exposiΓ§Γ£o Γ aflatoxina Γ© fundamental em como a proteΓna afeta o crescimento de cΓ’ncer. Quando a dose de aflatoxina Γ© nas alturas, os animais consumindo alimentaΓ§Γ£o pobre em proteΓna nΓ£o desenvolvem cΓ’ncer, porque suas cΓ©lulas estΓ£o muito ocupadas, morrendo em massa, enquanto que animais consumindo quantia maior de proteΓna ainda estΓ£o se alimentando o suficiente para o provimento de unidades alimentares de construΓ§Γ£o para o crescimento de cΓ©lulas, seja saudΓ‘veis, seja cancerosas. Quando a dose de aflatoxinaΓ© mais moderada, os animais se alimentando com baixo teor protΓͺico desenvolvem cΓ’ncer, enquanto suas contrapartes com grande quantidade de proteΓna permanecem com saΓΊde muito boa.
Em sΓntese, a propaganda do medo da proteΓna animal emO estudo da ChinaadvΓ©m de ciΓͺncia brutalmente mal concebida. O que os experimentos com ratos de Campbell realmente mostrou nΓ£o foi que proteΓna de origem animal Γ© ummacro-nutriente vingativo, promotor de desgraΓ§as, mas o seguinte:
1. ProteΓna de alta qualidade promove crescimento celular, nΓ£o importa sua origem.
2. CarΓͺncia de proteΓna prejudica a capacidade de o fΓgado desintoxicar o organismo de substΓ’ncias perigosas.
3. Com doses mais realistas de aflatoxina, a proteΓna Γ©, na verdade, enormemente protetora contra cΓ’ncer, enquanto que alimentaΓ§Γ£o com restriΓ§Γ£o protΓͺica provou ser nociva.
O verdadeiro Estudo da China mostrou que alimentos de origem animal estΓ£o relacionados com doenΓ§as?
O estudo da Chinadedicou apenas um capΓtulo ao estudo que lhe dΓ‘ o nome, mas isto nΓ£o significa que nΓ£o foi aquela βmaravilhaβ. TambΓ©m conhecido como Projeto China-Cornell-Oxford, O estudo da Chinafoi um enorme empreendimento epidemiolΓ³gico, examinando alimentaΓ§Γ£o e padrΓ΅es de doenΓ§as na Γ‘rea rural da China, um projeto aclamado como βo ponto mΓ‘ximo da epidemiologiaβ pelo jornal The New York Times. Englobando sessenta e cinco condados e reunindo dados de colossais cento e sessenta e sete variΓ‘veis, gerou mais de oito mil correlaΓ§Γ΅es estatΓsticas significativas entre nutriΓ§Γ£o, fatores de estilo de vida e uma variedade de doenΓ§as[15].
Embora um projeto de tamanha envergadura encontre, inevitavelmente, algumas ligaΓ§Γ΅es contraditΓ³rias e sem nexo causal, Campbellassevera, em seu livro, que os dados genericamente apontam em uma direΓ§Γ£o: βPessoas que se alimentavam prioritariamente com alimentos de origem animal contraΓam, em maior parte, doenΓ§as crΓ΄nicasβe βPessoas que se alimentavam prioritariamente com alimentos de origem vegetal eram as mais saudΓ‘veis e tendiam a evitar doenΓ§as crΓ΄nicasβ [16]. NΓ£o obstante, como ecoa do Γ’mago dos estatΓsticos de todos os lugares, correlaΓ§Γ£o nΓ£o se equivale a causaΓ§Γ£o, tais associaΓ§Γ΅es, junto com a outra pesquisa de Campbell, supostamente estipulam a afirmaΓ§Γ£o convincente de que alimentos de origem animal sΓ£o incontestavelmente nocivos.
Mas os resultados de O estudo da Chinaforam realmente uma confirmaΓ§Γ£o faiscante em prol da alimentaΓ§Γ£o Γ base de produtos de origem vegetal?
Parece que esta conclusΓ£o se baseia, em grande parte, em variΓ‘veis do sangue questionΓ‘veis, ao invΓ©s de, na verdade, em alimentos. Em seu livro, Campbell declara que ele e sua equipe de pesquisa βdescobriram que um dos mais fortes preditores de doenΓ§as ocidentais era o colesterol sangΓΌΓneoβ [17] e prossegue, tratando o colesterol como um representante do consumo de alimentos de origem animal. Ao longo deste capΓtulo, vimos saber que os dados de O estudo da Chinaencontraram associaΓ§Γ΅es entre colesterol e muitos cΓ’nceres, assim como colesterol e ingestΓ£o de proteΓna de origem animal, implicando que proteΓna de origem animal e os referidos cΓ’nceres devem estar intimamente ligados um com o outro.
Mas, porque o colesterol pode ser influenciado por inΓΊmeros fatores nΓ£o relacionados a alimentaΓ§Γ£o e pode, ainda, elevar-se ou decair, em funΓ§Γ£o de doenΓ§as, examinar a relaΓ§Γ£o entre o alimento em si e suas conseqΓΌΓͺncias Γ saΓΊde Γ© provavelmente mais informativo do que usar colesterol como um intermediΓ‘rio sobrecarregado de trabalho e instΓ‘vel. Entretanto, a relaΓ§Γ£o direta entre proteΓna de origem animal e doenΓ§as nΓ£o Γ© debatida em O estudo da China, por uma razΓ£o monumental: tal relaΓ§Γ£o nΓ£o existe. Um exame dos dados do Estudo da China original mostra praticamente nenhuma correlaΓ§Γ£o estatisticamente significante entre qualquer tipo de cΓ’ncer e ingestΓ£o de proteΓna de origem animal [18]. Apenas proteΓna de peixe se correlaciona positivamente, mas, provavelmente, nΓ£o casuisticamente, com um pequeno nΓΊmero de cΓ’nceres: cΓ’ncer nasofarΓngeo, uma doenΓ§a rara que afeta uma em cada sete milhΓ΅es de pessoas; cΓ’ncer de fΓgado, que aparece em regiΓ΅es de consumo de peixe, porque a aflatoxina prolifera-se em Γ‘reas ΓΊmidas, prΓ³ximas a Γ‘gua; e leucemia, que estΓ‘ provavelmente relacionada a outros elementos do estilo de vida industrializado, associado a regiΓ΅es costeiras (e, portanto, ao consumo de peixe) em O estudo da China [19].
Ironicamente, quando olhamos uma proteΓna de origem vegetal, a qual O estudo da Chinaargumenta tΓ£o veementemente ser protetora contra cΓ’ncer, encontramos quase trΓͺs vezes mais correlaΓ§Γ΅es positivas com diversos cΓ’nceres do que o fazemos com proteΓna de origem animal, incluindo cΓ’ncer de cΓ³lon, retal e esofΓ‘gico [20]. De maneira semelhante, para os casos de doenΓ§as cardΓacas e derrame, proteΓna de origem vegetal possui correlaΓ§Γ£o positiva, enquanto que a de origem animal e de peixe possuem negativa ou prΓ³xima Γ neutralidade, significando que os consumidores de alimento de origem animal, nas Γ‘reas rurais da China, quando muito, tΓͺm menos doenΓ§as cardiovasculares do que seus amigos mais vegetarianos.
Mas o assunto se torna ainda mais interessante, quando olhamos alguns artigos cientΓficos revisados por especialistas, gerados pelos dados de O estudo da China, muitos dos quais sΓ£o co-escritos pelo prΓ³prio Campbell. Assim como a pesquisa sobre a caseΓna, as descobertas deO estudo da China, como descritas no livro de Campbell, sΓ£o um pulo, um salto e dezoito mil pequenos vΓ΄os de distΓ’ncia do que a pesquisa original diz. Embora o trigo nΓ£o receberaqualquer menΓ§Γ£o no capΓtulo de O estudo da China, Campbell, na verdade, descobriu que o consumo de trigo, em contraste absoluto com o arroz, estΓ‘ fortemente associado com Γndices mais altos de insulina, triglicΓ©rides, doenΓ§as cardΓacas coronΓ‘rias, derrame e doenΓ§a cardΓaca hipertensiva nos dados de O estudo da China, muito mais do que qualquer outro alimento [21,22]. Da mesma forma, em um artigo de 1990, Campbell concedeu que βnem colesterol total do plasma, nem colesterol LDL estΓ£o associados a doenΓ§as cardiovascularesβ nos dados de O estudo da China, e que βdiferenΓ§as geogrΓ‘ficas na mortalidade por doenΓ§as cardiovasculares na China sΓ£o causadas prioritariamente por outros fatores que nΓ£o colesterol consumido ou presente no plasmaβ, revelando que nem mesmo o amado intermediΓ‘rio colesterol poderia cumprir as expectativas de suas acusaΓ§Γ΅es como causa de doenΓ§as cardΓacas [23].
E, para salvar o melhor para o final, outro artigo do prΓ³prio Campbell, publicado meros dois anos antes de O estudo da Chinachegar Γ s estandes de vendas, declara categoricamente que, nΓ£o obstante as alegaΓ§Γ΅es de Campbell a respeito da saΓΊde superior de chineses rurais com hΓ‘bitos prΓ³ximos aos veganos, sΓ£o, em grande parte, comunidades vegetarianas, no interior do paΓs, que possuem os maiores de todos os riscos de mortalidades e morbidades e que possuem os mais baixos Γndices de colesterol LDL [24]. Talvez, a liΓ§Γ£o aqui Γ© a mesma que colhemos dos ratos de Campbell: Γ© extremamente ficar doente, quando vocΓͺ estΓ‘ morto!
Pontos principais
Apesar de sua crescente popularidade (econfirmaΓ§Γ΅es apaixonadas por convertidos veganos de alta notoriedade pΓΊblica, como Bill Clinton), O estudo da ChinaΓ©,de diversas formas, mais um trabalho de ficΓ§Γ£o do que um santo graal nutricional. O livro semeou diversos mitos sobre os perigos da proteΓna de origem animal e dos resultados verdadeiros do prΓ³prioO estudo da China, mitos que facilmente se ruem a um olhar mais examinador. Mas, apesar de tudo, continuam a escorrer para a tendΓͺncia predominante de opiniΓ£o e a ganhar crescente publicidade.
Se hΓ‘ algo de positivo a se extrair do livro de quatrocentos e dezessete pΓ‘ginas, Γ© a promoΓ§Γ£o da alimentaΓ§Γ£o integral e a conseqΓΌente eliminaΓ§Γ£o de Γ³leos vegetais, xarope de milho com alto teor de frutose, grΓ£os refinados e outros produtos industriais que tendem a desalojar comida de verdade de nossos cardΓ‘pios modernos. Mas aqueles procurando literatura cientΓfica de calibre mais elevado, A psicologia de Os Simpsons Γ©, provavelmente, uma leitura mais satisfatΓ³ria (e mais amistosa aos produtos de origem animal).
Adendo
O esquadrΓ£o mΓ©dico da alimentaΓ§Γ£o baseada em produtos de origem vegetal:
Dean Ornish, mΓ©dico: Limita aΓ§ΓΊcar, xarope de glicose, farinha refinada, margarina, Γ³leos vegetais, Γ‘lcool e alimentos processados com mais do que dois gramas de gordura. O programa tambΓ©m prega cessar de fumar, apoio de companheiros, controle de distresse e exercΓcios.
Caldwell Esselstyn, mΓ©dico: ProΓbe Γ³leos vegetais, grΓ£os refinados, farinha refinada, produtos feitos com farinha enriquecida, como pΓ£es, massas, biscoitos e massas assadas. Utiliza a estatina para levar o Γndice de colesterol dos pacientes abaixo de 150.
John McDougall, mΓ©dico: Restringe a farinha refinada, grΓ£os refinados, cereais aΓ§ucarados, refrigerantes, carboidratos processados, suco de frutas e Γ³leos vegetais.
Neal Barna R. D., mΓ©dico:ProΓbe Γ³leos vegetais, alimentos altamente glicΓͺmicos, xarope de milho com alto teor de frutose, adoΓ§antes calΓ³ricos e amidos fritos, como batatas fritas.
Joel Fuhrman, mΓ©dico: Elimina alimentos refinados, inclusive Γ³leos vegetais.
Livrar-se de alimentos de calorias vazias e refinados, principalmente Γ³leos vegetais, o denominador comum em todas estas prescriΓ§Γ΅es Γ base de alimentos de origem vegetal, trarΓ‘ melhoras para quase todo mundo. Em longo prazo, sem alimentos de origem animal ricos em nutrientes, surgirΓ£o carΓͺncias.
ReferΓͺncias:
1. Campbell, T. Colin, PhD, with Thomas M. Campbell II .O estudo da China: Startling Implications for Diet, Weight Loss, and Long-Term Health. Dallas: BenBella Books, 2004, p. 36.
2. Ibid, p.36.
3. Ibid, p. 48.
4. Ibid, p. 60.
5. Ibid, p. 59.
6. Masterjohn, Chris. βThe Truth About The China Study.β http://www.cholesterol-and-health.com/China-Study.html
7. Colpo, Anthony. βThe China Study: More Vegan Nonsense!β http://anthonycolpo.com/?p=129
8. Bounous G., et al. Whey proteins in cancer prevention. Cancer Lett. 1991 May 1;57(2):91-4.
9. Hakkak R., et al. Diets containing whey proteins or soy protein isolate protect against 7,12-dimethylbenz(a)anthracene-induced mammary tumors in female rats. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev. 2000 Jan;9(1):113-7.
10. OβConnor, T.P. et al. Effect of dietary intake of fish oil and fish protein on the development of L-azaserine-induced preneoplastic lesions in the rat pancreas. J Natl Cancer Inst. 1985 Nov;75(5):959-62.
11. Schulsinger, D.A., et al. Effect of dietary protein quality on development of aflatoxin B1- induced hepatic preneoplastic lesions. J Natl Cancer Inst. 1989 Aug 16;81(16):1241-5.
12. Masterjohn, Chris. βThe Curious Case of Campbellβs RatsβDoes Protein Deficiency Prevent Cancer?β September 22, 2010. http://www.westonaprice.org/blogs/cmasterjohn/2010/09/22/ the-curious-case-of-campbells-rats-does-protein-deficiency-prevent-cancer/
13. Madhavan, T.V. and C. Gopalan. βThe effect of dietary protein on carcinogenesis of aflatoxin.β Arch Pathol. 1968 Feb;85(2):133-7.
14. Mathur, M. and N.C. Nayak. βEffect of low protein diet on low dose chronic aflatoxin B1 induced hepatic injury in rhesus monkeys.β Toxin Reviews. 1989;8(1-2):265-273.
15. Campbell, p. 73.
16. Ibid, p. 7.
17. Ibid, p. 77.
18. Junshi C., et al. Life-style and Mortality in China: A Study of the Characteristics of 65 Chinese Counties. Oxford: Oxford University Press, 1990.
19. Minger, Denise. βA Closer Look at O estudo da China: Fish and Disease.β June 9, 2010. http://rawfoodsos.com/2010/06/09/a-closer-look-at-the-china-study-fish-and-disease/
20. Minger, Denise. βO estudo da China: Fact or Fallacy?β July 7, 2010. http://rawfoodsos.com/2010/07/07/the-china-study-fact-or-fallac/
21. Gates J.R., et al. βAssociation of dietary factors and selected plasma variables with sex hormone-binding globulin in rural Chinese women.β Am J Clin Nutr. 1996 Jan;63(1):22-31.
22. Fan W.X., et al. βErythrocyte fatty acids, plasma lipids, and cardiovascular disease in rural China.β Am J Clin Nutr. 1990 Dec;52(6):1027-36.
23. Ibid.
24. Wang Y., et al. βFish consumption, blood docosahexaenoic acid and chronic diseases in Chinese rural populations.β Comp Biochem Physiol A Mol Integr Physiol. 2003 Sep;136(1):127- 40.
This article appeared in Wise Traditions in Food, Farming and the Healing Arts, the quarterly magazine of the Weston A. Price Foundation, Spring 2012.


Leave a Reply