Vegetarianismo e deficiΓͺncias nutricionais
TraduΓ§Γ£o de Vegetarianism and Nutrient Deficiencies, de Christopher Masterjohn.
Traduzido por Renato Alves.
Decidi aderir ao vegetarianismo quando tinha 18 anos de idade; e ao veganismo, um pouco depois, acreditando que salvaria os animais, o meio-ambiente e minha saΓΊde. Eu pensava que minha baixa ingestΓ£o de gordura saturada me protegeria de doenΓ§as cardΓacas e que minha baixa ingestΓ£o de proteΓna animal e alta ingestΓ£o de isoflavonas da soja me protegeriam de cΓ‘rie dentΓ‘ria e perda Γ³ssea. Entretanto, ao invΓ©s disso, ao longo dos dois anos seguintes, minha saΓΊde sofreu uma sΓ©rie de golpes: minha digestΓ£o degringolou-se; a fadiga se instalou; a ansiedade dominou; e a cΓ‘rie dentΓ‘ria invadiu toda minha boca. Uma ΓΊnica consulta ao dentista me rendeu um plano de tratamento que levaria o ano todo seguinte para ser completado. Eu estava um caos e nΓ£o sabia por que.
Quando li o livro de Weston Price Nutrition and Physical Degeneration[1] [NutriΓ§Γ£o e degeneraΓ§Γ£o fΓsica], hΓ‘ cerca de trΓͺs anos, apΓ³s remover, pela primeira vez, produtos de origem animal de minha alimentaΓ§Γ£o, finalmente compreendi por que minha saΓΊde havia se degenerado. Eu sempre associara nutriΓ§Γ£o com frutas e legumes. A carne servia para proteΓna; leite, para cΓ‘lcio; mas as vitaminas eram algo que vocΓͺ obtinha dos produtos de origem vegetal. Todavia, os grupos populacionais que Price estudou possuΓam uma concepΓ§Γ£o diferente acerca de nutriΓ§Γ£o. Eles prezavam alimentos como fΓgado[2], frutos do mar e manteiga com coloraΓ§Γ£o forte, devido a suas propriedades que sustentam a vida. Price usava Γ³leo de fΓgado de bacalhau[3], Γ³leo de manteiga e carnes de Γ³rgΓ£os para suprimento das vitaminas lipossolΓΊveis a seus pacientes. Eram, na maior parte, alimentos que eu jamais havia comido, e aqueles exatamente com quantidade difΓceis de serem encontradas de nutrientes importantes de origem animal, como carne, ovos e leite, foram exatamente os que eu banira de minha alimentaΓ§Γ£o.
Nem todos os vegetarianos desenvolvem problemas de saΓΊde visΓveis, em tΓ£o pouco tempo de abstinΓͺncia de alimentos de origem animal, e alguns, principalmente os que comem ovos, leite e, ocasionalmente, peixe e frutos do mar[4], podem preservar boa saΓΊde por dΓ©cadas. Uma alimentaΓ§Γ£o estritamente vegetariana, entretanto, claramente carece de classes[5] nutricionais as quais uma alimentaΓ§Γ£o onΓvora possui. Se as pessoas mais sensΓveis a estes nutrientes sofrem os tipos de problemas pelos que passei, os menos sensΓveis e isentos de problemas evidentes podem, todavia, nΓ£o alcanΓ§arem a melhor saΓΊde possΓvel sem os melhores Γndices possΓveis de nutrientes advindos de fontes animais. Este artigo abordarΓ‘ tais nutrientes, suas funΓ§Γ΅es e suas fontes, a partir da primeira letra do alfabeto, com a vitamina A.
Vitamina A
As funΓ§Γ΅es da vitamina A para visΓ£o, crescimento, imunidade, reproduΓ§Γ£o e diferenciaΓ§Γ£o de cΓ©lulas e tecidos sΓ£o bem conhecidas[1]. A vitamina A tambΓ©m desempenha diversas funΓ§Γ΅es secundΓ‘rias: Γ© um poderoso antioxidante das membranas celulares [2,3,4], protege contra toxinas do ambiente[5], contribui para a regulaΓ§Γ£o do crescimento Γ³sseo[6], protege contra asma e alergias[7,8], previne a formaΓ§Γ£o de cΓ‘lculos renais[9] e protege contra esteatose hepΓ‘tica[6][10].
A βvitamina A lipossolΓΊvelβ estΓ‘ relacionada com a capacidade de a manteiga e ovos sustentar aumento de peso e prevenir mortalidade de ratos sob estudos em laboratΓ³rio. Um dos descobridores desta vitamina, Elmer Verner McCollum, atribuiu inicialmente a capacidade do Γ³leo de fΓgado de bacalhau de tratar xeroftalmia[7] e raquitismo a seu teor de vitamina A. Com o decorrer do tempo, pesquisadores reconheceram as vitaminas A e D como diferentes entre si, porque o aquecimento do Γ³leo de fΓgado de bacalhau destruΓa sua capacidade de curar xeroftalmia, mas nΓ£o a de curar raquitismo. Embora determinaram, com o tempo, o fato de o teor de vitamina D depender da estaΓ§Γ£o do ano e das condiΓ§Γ΅es de a vaca produzi-la, a constataΓ§Γ£o de que tanto o Γ³leo de fΓgado de bacalhau quanto a manteiga curavam xeroftalmia, mas apenas o Γ³leo de fΓgado de bacalhau curava raquitismo tambΓ©m contribuiu para a distinΓ§Γ£o entre aquelas duas vitaminas [11]. A vitamina A, entΓ£o, foi originalmente descoberta, por causa das propriedades mantenedoras de vida de trΓͺs gorduras animais.
Uma pesquisa realizada pouco tempo depois mostrou que a fraΓ§Γ£o lipΓdica amarelada, extraΓda de vegetais laranja-amarelados, possuΓa a mesma propriedade[12]. Estes vegetais contΓͺm betacaroteno e outros carotenΓ³ides que humanos e animais podem converter em retinol, a forma funcional da vitamina A encontrada em produtos de origem animal. Em 1949, Hume e Krebs induziram deficiΓͺncia de vitamina A em trΓͺs pessoas, durante em experimento cientΓfico. Uma delas foi tratada com retinol, e as duas outras com uma dose concentrada de betacaroteno diluΓdo em Γ³leo. Eles concluΓram que eram necessΓ‘rias 3,8 unidades de caroteno para se produzir uma unidade de retinol. Um experimento similar realizado em 1974 constatou fator de conversΓ£o de dois; e outros experimentos, fatores de conversΓ£o entre dois e quatro[13].
Em 1967, a OrganizaΓ§Γ£o para Comida e Agricultura[8], da ONU, e a OrganizaΓ§Γ£o Mundial de SaΓΊde (OMS) emitiram uma recomendaΓ§Γ£o em conjunto, estipulando que seis unidades de betacaroteno e doze unidades de outros carotenΓ³ides com a funΓ§Γ£o da vitamina A deveriam ser consideradas equivalentes a uma unidade de retinol, uma recomendaΓ§Γ£o que mantiveram ratificada em 1988. Isto levou H.P. Oomen, conhecido pesquisador que destacou, pela primeira vez, o problema da deficiΓͺncia de vitamina A no Terceiro Mundo, a escrever: βO processo inteiro de distribuiΓ§Γ£o vitamΓnica seria completamente supΓ©rfluo, se o caroteno adequado estivesse presente na alimentaΓ§Γ£o infantilβ. Oomen acreditava que apenas 30 gramas por dia de vegetais folhosos verde escuros seriam suficientes, por si mesmos, para fornecer vitamina A adequada para crianΓ§as subnutridas[14].
Entretanto, na dΓ©cada dos anos de 1990, esta concepΓ§Γ£o comeΓ§ou a mudar. Em 1994, Suharno e outros observaram que mulheres indonΓ©sias grΓ‘vidas consumiam carotenos suficientes para atender a trΓͺs vezes mais a quantia de vitamina A recomendada, com base no fator de conversΓ£o da OMS, e, assim mesmo, grande parte delas sofria de carΓͺncia marginal da vitamina. Estudos de intervenΓ§Γ£o posteriores, direcionados a crianΓ§as indonΓ©sias em idade escolar e mulheres em lactaΓ§Γ£o, no VietnΓ£, descobriram que o fator de conversΓ£o de carotenos para vitamina A era, respectivamente, 26 e 28, e 12, quando consumidos em frutas. Em 2002, o U.S. Institute of Medicine (IOM) estabeleceu um fator de conversΓ£o para vitamina A ativa de 12 para betacaroteno; de 24, para outros carotenΓ³ides; e 2, para betacaroteno dissolvido em Γ³leo. West e outros criticaram o uso seletivo de estudos utilizados pelo IOM e sugeriram que o betacaroteno de frutas e legumes, em uma dieta mista, possui fator de conversΓ£o prΓ³ximo a 21[14].
Em 2003, Tang e colegas mostraram que mesmo a eficΓ‘cia do betacaroteno diluΓdo em Γ³leo havia sido grosseiramente superestimada. Os pesquisadores ministraram uma dose concentrada de betacaroteno marcado radioativamente, diluΓda em Γ³leo, para 22 adultos voluntΓ‘rios e acompanharam sua conversΓ£o para vitamina A, tanto nos intestinos e apΓ³s a absorΓ§Γ£o intestinal. A taxa media de conversΓ£o total para o caroteno lipossolΓΊvel foi de 9,1, sendo que as taxas individuais variaram de 2,4 a 20,2[13].
A figura 1 compara os vegetais mais ricos em carotenos aos alimentos de origem animal mais ricos em vitamina A. Consumir fΓgado uma vez por semana ou ingerir meia colher de chΓ‘ de Γ³leo de fΓgado de bacalhau por dia fornece a dose diΓ‘ria recomendada de 3.000 IU. Para se conseguir a mesma quantia, a partir de alimentos de origem vegetal, devem-se consumir duas xΓcaras de cenouras, uma xΓcara de batatas-doces ou duas xΓcaras de couves cozidas, diariamente. A taxa de conversΓ£o estimada, entretanto, Γ© apenas uma mΓ©dia. Por definiΓ§Γ£o, muitas pessoas converterΓ£o carotenos de forma mais eficiente do que a mΓ©dia, e muitos converterΓ£o menos eficientemente do que ela. As pessoas que convertem carotenos de forma precΓ‘ria podem sofrer de carΓͺncia de vitamina A, mesmo se tomarem o cuidado de consumirem grande quantidade de alimentos ricos em caroteno todos os dias.
Muitas dietas tradicionais contΓͺm muito mais vitamina A do que a recomendaΓ§Γ£o do governo. Em 1953, por exemplo, os inuΓtes, da GroelΓ’ndia, preservando sua alimentaΓ§Γ£o tradicional, consumiam uma media de 30.000 IU por dia[15]. Uma vez que pesquisadores ainda estΓ£o descobrindo novas funΓ§Γ΅es para a vitamina A e ainda pouco compreendem muitas delas jΓ‘ descobertas, seria prudente assumir que uma quantidade 10 vezes maior do que a dose diΓ‘ria recomendada, encontrada nos hΓ‘bitos alimentares tradicionais, pode conter benefΓcios, jΓ‘ que ela Γ© acompanhada por um arranjo farto de outras vitaminas lipossolΓΊveis, principalmente a vitamina D, que protege contra sua toxicidade[16].
Seria praticamente impossΓvel de se obter esta quantia de vitamina A de alimentos de origem vegetal, sem lanΓ§ar mΓ£o do extrato do suco de vegetais ou o uso de suplementaΓ§Γ£o de betacaroteno. Todavia, mesmo tais mΓ©todos podem ser insuficientes, posto que doses mais elevadas de carotenos sΓ£o convertidas de maneira menos eficiente do que doses menores[13]. Ademais, grandes doses de betacaroteno aumentam os nΓveis de estresse oxidativo e estimulam a produΓ§Γ£o de enzimas que degradam a verdadeira vitamina A. Devido Γ induΓ§Γ£o de deficiΓͺncia de vitamina A nas cΓ©lulas, doses elevadas de betacaroteno causam alteraΓ§Γ΅es cancerosas no tecido pulmonar ainda piores do que as vistas pelo fumo de cigarro. Por este motivo, suplementaΓ§Γ£o de betacaroteno em altas doses levou a aumento da taxa de mortalidade por cΓ’ncer e da mortalidade total em dois estudos cientΓficos com seres humanos[17]. Embora nenhum estudo tenha demonstrado este tipo de malefΓcio no caso dos extratos dos sucos de vegetais, o suco de cenoura possui o potencial de elevar os nΓveis de betacaroteno sangΓΌΓneos a nΓveis extremamente altos, encontrados nos estudos anteriormente mencionados, e, teoricamente, grandes quantidades dele podem oferecer risco[18]. Em contrapartida, a quantidade de betacaroteno encontrada em uma alimentaΓ§Γ£o rica em vegetais protege contra estresse oxidativo e cΓ’ncer[17].
A melhor fonte de vitamina A de origem vegetal Γ© o azeite de dendΓͺ. Sua matriz oleosa deixa o betacaroteno com maior disponibilidade para ser convertido em vitamina A, e seu alto teor de vitamina E e baixo teor de Γ‘cido linolΓͺico poli-instaturado aumenta ainda mais a conversibilidade de seus carotenos e tambΓ©m protege contra seus efeitos potencialmente destrutivos. Entretanto, trata-se de especulaΓ§Γ£o pura supor que o azeite de dendΓͺ pode ser considerado, em termos funcionais, equivalente a alimentos ricos em vitamina A, como fΓgado e Γ³leos de fΓgado. Os vegetarianos devem usar azeite de dendΓͺ[9] em sua alimentaΓ§Γ£o, mas os que desejam incluir fΓgado e Γ³leos de fΓgado deveriam assim fazΓͺ-lo.
Vitamina D
A vitamina D Γ© mais bem conhecida por sua relaΓ§Γ£o com o metabolismo do cΓ‘lcio. Por participar do processo de absorΓ§Γ£o do cΓ‘lcio presente nos alimentos, ela previne e cura o raquitismo Γ³sseo infantil e sua contraparte em adultos, a osteomalΓ‘cia. TambΓ©m protege contra tΓ©tano, convulsΓ΅es e insuficiΓͺncia cardΓaca em recΓ©m nascidos, ajuda na prevenΓ§Γ£o de osteoporose em idosos, previne o desenvolvimento de diabetes tipo I. Alguns pesquisadores acreditam que desempenha funΓ§Γ£o adicional de proteΓ§Γ£o contra cΓ’ncer, doenΓ§as cardΓacas, hipertensΓ£o arterial, obesidade, artrite, esclerose mΓΊltipla e diversas outras doenΓ§as[19].
A vitamina D foi originalmente associada ao Γ³leo de fΓgado de bacalhau e exposiΓ§Γ£o Γ luz ultravioleta. Γ encontrada, em grande quantidade, em fΓgados de peixes, em carne de peixes gordurosos e no sangue de animais terrestres; e, em menor quantidade, na manteiga e banha de animais criados sob muita exposiΓ§Γ£o Γ luz solar. A pele contΓ©m um precursor de colesterol chamado 7-dehidro-colesterol que se converte em vitamina D, mediante exposiΓ§Γ£o ao espectro UV-B de luz solar, disponΓvel o ano todo, nas Γ‘reas tropicais, mas cada vez mais ausente em partes do ano, conforme maior a distΓ’ncia da Γ‘rea do equador do planeta[19].
Ao mesmo tempo em que humanos e animais sintetizam vitamina D3, uma segunda forma da vitamina, chamada D2, Γ© encontrada em alguns alimentos de origem vegetal, principalmente cogumelos que tenham sido expostos Γ luz ultravioleta. Embora a seguranΓ§a relativa e eficiΓͺncia destas duas formas ainda sejam controversas, a vitamina D2 parece ser de cinco a dez vezes menos eficaz no provimento de estado nutricional em longo prazo[19].
A dose diΓ‘ria recomendada de vitamina D Γ© 200 IU para crianΓ§as e adultos atΓ© 50 anos; 400 IU para adultos entre 50 e 70 anos; e 600 IU para adultos com idade acima de 70 anos. Entretanto, evidΓͺncias sugerem fortemente que a demanda real Γ© muito maior. Suplementos de 2.000 IU por dia para crianΓ§as abaixo de um ano de idade aniquila o risco, durante a vida toda, de diabetes tipos I, e suplementos de 800 IU ou mais altos sΓ£o necessΓ‘rios para reduzir o risco de fraturas em idosos. Residentes do Estado norte-americano de Nebraska necessitam suplementar com 1.000 IU ao dia, durante os seis meses mais frios do ano, para atingirem os nΓveis desta vitamina no sangue que possibilitem a maior absorΓ§Γ£o possΓvel de cΓ‘lcio e quase 5.000 IU ao dia, durante o mesmo perΓodo de tempo, para alcanΓ§ar os nΓveis dela no sangue semelhantes dos obtidos em condiΓ§Γ΅es de vida com farta exposiΓ§Γ£o a luz solar e sem suplementaΓ§Γ£o. Estas quantias de vitaminas D devem ser consumidas apenas mediante alimentaΓ§Γ£o rica em vitamina A e vitamina K2, para mΓ‘xima eficΓ‘cia e seguranΓ§a [19].
A figura 2 mostra a distribuiΓ§Γ£o de vitamina D nos alimentos. A forma mais fΓ‘cil de se obter vitamina D pela alimentaΓ§Γ£o Γ© consumir peixe gorduroso[10] ou suplementaΓ§Γ£o com Γ³leo de fΓgado de bacalhau[11]. Produtos pouco conhecidos de cogumelos podem prover grande quantidade de vitamina D2, mas a seguranΓ§a e eficiΓͺncia desta forma sΓ£o questionΓ‘veis. Para a maioria das pessoas vivendo alΓ©m dos 35ΒΊ de latitude do equador do globo terrestre, alimentos de origem animal fornecem a vitamina D necessΓ‘ria na alimentaΓ§Γ£o.
Vitamina K2
A vitamina K Γ© a rainha das vitaminas lipossolΓΊveis. As vitaminas A e D atuam em conjunto para dizer Γ s cΓ©lulas quais proteΓnas produzirem. A vitamina K Γ© responsΓ‘vel por ativar estas proteΓnas e por tornΓ‘-las funcionais, conferindo-lhes a capacidade de se ligarem ao cΓ‘lcio. Adicionalmente a sua funΓ§Γ£o classicamente compreendida na coagulaΓ§Γ£o sangΓΌΓnea, a vitamina K Γ© necessΓ‘ria para a deposiΓ§Γ£o e organizaΓ§Γ£o de sais de cΓ‘lcio nos ossos e dentes, para a proteΓ§Γ£o dos vasos sangΓΌΓneos, rins e outros tecidos moles contra calcificaΓ§Γ£o anormal[12] e para a sΓntese de lipΓdios importantes, relacionados ao metabolismo cerebral[20].
A vitamina K se apresenta de duas formas: K1 e K2. A vitamina K1 Γ© encontrada em plantas verdes; e a vitamina K2, em gorduras animais e alimentos fermentados. A vitamina K1 Γ© preferencialmente usada na ativaΓ§Γ£o de fatores de coagulaΓ§Γ£o sangΓΌΓnea, enquanto que a K2 Γ© preferencialmente usada para todas as demais funΓ§Γ΅es da vitamina K. As duas vitaminas K nΓ£o sΓ£o, portanto, intercambiΓ‘veis. A demonstraΓ§Γ£o mais clara disto Γ© o fato de que somente a vitamina K2 estΓ‘ associada Γ reduΓ§Γ£o de risco de doenΓ§as cardΓacas. No Estudo de RoterdΓ£[13], voluntΓ‘rios consumiram aproximadamente dez vezes mais K1 do que K2. IngestΓ£o elevada de K2 reduziu o risco de calcificaΓ§Γ£o arterial severa em 52% e de mortalidade por doenΓ§as cardΓacas em 57%, enquanto o consumo elevado de K1 nΓ£o apresentou qualquer efeito[21].
A figura 3 mostra o conteΓΊdo de K2 em determinados alimentos. Produtos de origem animal prevalecem na lista, principalmente, fΓgado e carne de ganso, queijos e gemas de ovos. Mas, na verdade, o natto, um alimento de soja fermentada com gosto pronunciado, comum na parte oriental do JapΓ£o, possui a quantidade mais elevada. O natto contΓ©m uma forma especΓfica de vitamina K2 chamada menaquinona 7 (MK-7), ao invΓ©s de MK-4, a forma encontrada em produtos de origem animal. A eficiΓͺncia relativa destas duas formas Γ© atualmente desconhecida. Portanto, Γ© possΓvel que a alimentaΓ§Γ£o vegetariana seja rica em vitamina K2. Entretanto, a maioria dos vegetarianos nΓ£o consome natto, e a maior parte da vitamina K2 consumida pelos participantes do Estudo de RoterdΓ£ adveio de carne, ovos e queijo.
Vitamina B12
A vitamina B12 Γ© necessΓ‘ria para a sΓntese de DNA novo, para a decomposiΓ§Γ£o de certos amino-Γ‘cidos, para a produΓ§Γ£o de energia, para a formaΓ§Γ£o de glΓ³bulos vermelhos sangΓΌΓneos e para a formaΓ§Γ£o da mielina, o invΓ³lucro que reveste os neurΓ΄nios. Sua carΓͺncia se manifesta em quatro estΓ‘gios, comeΓ§ando com o declΓnio dos nΓveis sangΓΌΓneos da vitamina (estΓ‘gio I), avanΓ§ando para concentraΓ§Γ΅es celulares menores da vitamina (estΓ‘gio II), aumento do nΓvel de homocisteΓna no sangue, decrΓ©scimo da taxa de sΓntese de DNA (estΓ‘gio III) e, finalmente, anemia perniciosa (estΓ‘gio IV). Ocorrem tambΓ©m degeneraΓ§Γ£o irreversΓvel do sistema nervoso em casos de carΓͺncia grave[24].
A anemia perniciosa Γ© um quadro no qual os glΓ³bulos vermelhos sΓ£o imaturos, de tamanho excessivo e nΓ£o podem atuar de forma apropriada. Devido ao comprometimento da sΓntese de DNA, as cΓ©lulas nΓ£o se dividem como deveriam. A doenΓ§a foi detectada pela primeira vez em 1824 e foi considerada incuravelmente fatal atΓ© a dΓ©cada dos anos 30, quando alguns mΓ©dicos descobriram que ela poderia ser tratada com fΓgado. Logo depois, eles descobriram que suco de estΓ΄mago poderia ser usado juntamente com o fΓgado, para acentuar seu efeito[25].
A sabedoria nutricional convencional considera a vitamina B12 como encontrada exclusivamente em produtos animais. Existem algumas bactΓ©rias no intestino delgado que sintetizam vitamina B12 assimilΓ‘vel, mas sua presenΓ§a nΓ£o Γ© garantida, e elas competem com bactΓ©rias que sintetizam anΓ‘logos inativos que disputam com a B12 a absorΓ§Γ£o[14][26]. A maioria dos suplementos provΓ©m ciano-cobalamina, na qual cada molΓ©cula de B12 estΓ‘ ligada a uma molΓ©cula de cianida. Uma vez que a vitamina B12 quela do organismo a cianida, ocasionando sua excreΓ§Γ£o pela urina, esta forma de vitamina B12 pode apresentar bio-disponiblidade muito precΓ‘ria para muitas pessoas. A cianida tambΓ©m pode ser eliminada no fΓgado pela enzima rodanase ou pelo amino-Γ‘cido cisteΓna[27], de forma que pessoas que apresentam baixa atividade desta enzima ou baixo consumo de proteΓna de origem animal para fornecimento de cisteΓna podem ser particularmente incapazes de obter qualquer benefΓcio da ciano-cobalamina. Portanto, mesmo vegetarianos que fazem uso de suplementos padronizados de B12 podem correr risco de carΓͺncia desta vitamina. Os que necessitam de suplemento de vitamina B12 deveriam consumir metil-cobalamina, dibencozida ou hidroxi-cobalamina, formas mais facilmente utilizadas pelo corpo. Algumas pessoas com determinados defeitos genΓ©ticos ou intoxicaΓ§Γ£o por metais pesados podem necessitar de metil-cobalamina especificamente.
A funΓ§Γ£o da vitamina B12 na sΓntese de DNA e na produΓ§Γ£o de glΓ³bulos vermelhos Γ©, primordialmente, reciclar o folato[15]. Todavia, alta ingestΓ£o de folato pode compensar a reciclagem deficiente do mesmo. Infelizmente, isto significa que uma alimentaΓ§Γ£o com alto teor de folato pode evitar o desenvolvimento de anemia, facilmente detectΓ‘vel por um simples teste sangΓΌΓneo, ao passo que degeneraΓ§Γ£o irreversΓvel do sistema nervoso progride sem dar sinais. Vegetarianos que consomem grande quantidade de vegetais folhosos ricos em folato podem, portanto, correr risco de uma forma de carΓͺncia de vitamina B12 nΓ£o considerada severa, atΓ© que seja tarde demais[24].
Um estudo recente, usando um teste sangΓΌΓneo bioquΓmico de deficiΓͺncia de B12 (um teste nΓ£o suscetΓvel a confusΓ£o do efeito de alimentaΓ§Γ£o rica em folato), descobriu que 16% das pessoas idosas, 43% dos ovo-lacto vegetarianos e 64% dos veganos apresentam carΓͺncia de B12[28]. Uma vez que a carΓͺncia pode levar dΓ©cadas para seu completo desenvolvimento, a proporΓ§Γ£o de veganos e vegetarianos que desenvolvem a carΓͺncia ao longo do tempo, se permanecem neste regime alimentar, Γ©, provavelmente, prΓ³xima de 100%.
Alguns vegetarianos e veganos sustentam que a alimentaΓ§Γ£o deve ser crua, para ser verdadeiramente saudΓ‘vel. Mas os cruvΓdoros nΓ£o estΓ£o em situaΓ§Γ£o melhor. AtΓ© hoje, o ΓΊnico estudo em escala ampla sobre crudΓvoros examinou o estado da vitamina B12 em mais de 200 homens e mulheres. Embora 58% dos voluntΓ‘rios consumissem algum tipo de carne e peixe, apenas 21% eram ovo-lactovegetarianos; e 21%, veganos. Um total de 97% de todos os alimentos consumidos era de origem vegetal. Os que praticavam uma alimentaΓ§Γ£o mista consumiam, portanto, pouca quantidade de alimento de origem animal. Entretanto, os vegetarianos eram 3,1 vezes; e veganos, 5,4 vezes de maior probabilidade de apresentarem nΓveis sangΓΌΓneos deficientes de vitamina B12. Doze por cento das pessoas avaliadas, todas veganas, apresentavam estΓ‘gio IV de carΓͺncia de B12[29]. Mesmo que o perΓodo mΓ©dio de tempo em que os voluntΓ‘rios seguiam alimentaΓ§Γ£o crudΓvora fosse de apenas 3,6 anos, mais da metade dos veganos estavam desenvolvendo anemia perniciosa. Se muitos deles comiam alimentos ricos em folato, a proporΓ§Γ£o de veganos desenvolvendo degeneraΓ§Γ£o irreversΓvel do sistema nervoso poderia ser ainda mais alta do que a proporΓ§Γ£o dos que estavam sofrendo de carΓͺncia severa, sugerida pelo estudo. Claramente, alimentos de origem animal devem ser usados, mesmo se em pequenas quantias, para se prevenir que a pior forma de deficiΓͺncia de B12 destrua a saΓΊde mental e fΓsica da pessoa.
Vitamina B6
A vitamina B6 contribui para inΓΊmeras funΓ§Γ΅es no corpo. Γ necessΓ‘ria para a produΓ§Γ£o de histamina, relacionada Γ inflamaΓ§Γ£o na maior parte do corpo, mas essencial para a vivacidade do cΓ©rebro, para a produΓ§Γ£o de dopamina, precursora da adrenalina e noroadrenalina, nas glΓ’ndulas supra-renais, precursora da melanina em tecidos pigmentados; ainda, estΓ‘ relacionada Γ memΓ³ria, atenΓ§Γ£o e resoluΓ§Γ£o de problemas pelo cΓ©rebro; ao armazenamento de carboidrato e glicogΓͺnio; Γ produΓ§Γ£o de versΓ΅es prolongadas de Γ‘cidos graxos essenciais, como o Γ‘cido araquidΓ΄nico (AA) e Γ‘cido docosohexaenΓ³ico (DHA); Γ sΓntese de cisteΓna, precursora da glutationa, principal antioxidante celular; Γ sΓntese de glicina, associada com a desintoxicaΓ§Γ£o realizada pelo fΓgado; Γ sΓntese de heme, que transporta o oxigΓͺnio ao longo do corpo, na hemoglobina, e Γ© um componente de enzimas metabolizadoras de remΓ©dios e esterΓ³ides, produtoras de energia e antioxidantes; Γ sΓntese de carnitina, que auxilia a queima de gorduras para produΓ§Γ£o de energia; e Γ sΓntese de taurina, que desempenha um papel no cΓ©rebro e nos olhos e auxilia a digestΓ£o de gordura e assimilaΓ§Γ£o de vitaminas lipossolΓΊveis pelos intestinos. A demanda de vitamina B6 Γ© diretamente proporcional Γ ingestΓ£o de proteΓna, com o uso de contraceptivos orais e sob condiΓ§Γ΅es de hipertiroidismo, doenΓ§as hepΓ‘ticas, traumas e estresse[24].
A vitamina B6 se apresenta de trΓͺs formas: piridoxina, piridoxamina e piridoxal. Alimentos de origem vegetal contΓͺm piridoxina; os de origem animal, uma mistura de piridoxal e piridoxamina. A maioria das reaΓ§Γ΅es dentro do corpo humano requer piridoxal; mas algumas, piridoxamina. A piridoxina, por outro lado, nΓ£o possui qualquer funΓ§Γ£o no corpo, mas pode ser convertida para as duas outras formas pelo fΓgado, utilizando-se a vitamina B2[24].
A forma vegetal da vitamina B6 possui trΓͺs pontos desfavorΓ‘veis contra ela, tornando-a inferior Γ s formas encontradas em alimentos de origem animal: sua conversΓ£o na forma ativa depende da situaΓ§Γ£o da vitamina B2, e os nΓveis de B2 tendem a ser maiores em alimentos de origem animal; a maior parte dos alimentos de origem vegetal simplesmente contΓ©m muito menos B6 do que alimentos de origem animal; e a maioria dos alimentos de origem vegetal contΓ©m muito de sua B6 ligada a aΓ§ΓΊcares que dificultam ou impossibilitam a absorΓ§Γ£o. A figura 4 mostra alguns dos alimentos mais ricos em vitamina B2. SuplementaΓ§Γ£o com levedos e uso de farinha refinada enriquecida podem aumentar a ingestΓ£o de vitamina B2, mas o Γndice encontrado em alimentos naturais de origem vegetal Γ© muito menor do que os encontrados em muitos alimentos de origem animal. A figura 5 compara os alimentos de origem vegetal mais ricos em B6 aos de origem animal mais ricos na mesma vitamina. Atum e fΓgado sΓ£o as melhores fontes, e, em geral, alimentos de origem animal contΓͺm o dobro da quantidade encontrada em alimentos de origem vegetal. A figura 6 mostra a proporΓ§Γ£o de piridoxina ligada a aΓ§ΓΊcares em diversos alimentos de origem vegetal, que varia de 0%, na amΓͺndoa, a 82%, na couve-flor.
Os aΓ§ΓΊcares que se ligam Γ piridoxina podem ser decompostos por enzimas microbianas, e tambΓ©m o intestino de mamΓferos parece produzir uma quantia limitada de enzima[30]. Estudos realizados com humanos sugerem que a forma da vitamina ligada a aΓ§ΓΊcares possui, no mΓ‘ximo, 50% de bio-disponibilidade e, no pior caso, 0%. Em um estudo realizado com homens com uma forma purificada de piridoxina ligada a glicose, por exemplo, examinou-se a saΓda pela urina de produtos provenientes da decomposiΓ§Γ£o da vitamina B6, e se descobriu que, a grosso modo, metade da piridoxina era absorvida. Todavia, um estudo mais realista, realizado com mulheres, examinou nΓ£o apenas a saΓda pela urina de produtos decompostos, mas tambΓ©m a concentraΓ§Γ£o da forma ativa nos glΓ³bulos vermelhos, bem como a atividade de enzimas dependente dela. Este estudo sugeriu que a porΓ§Γ£o de B6 proveniente de vegetais, na alimentaΓ§Γ£o, ligada a aΓ§ΓΊcares, nΓ£o possuΓa qualquer atividade[30].
O calor destrΓ³i a vitamina B6. O efeito Γ©, de certa forma, moderado, levando a apenas 5% de perda em ovos mexidos; 10% no leite aquecido por dez minutos; e 45% no leite aquecido por uma hora[31]. Entretanto, o verdadeiro efeito na atividade biolΓ³gica da B6 Γ© muito maior, porque a vitamina B6 danificada pelo calor pode interferir na B6 verdadeira, e a alimentaΓ§Γ£o com a forma purificada pode, na verdade, acelerar os sintomas da carΓͺncia da vitamina[32]. Cozer a maior parte de alimentos de origem animal leva a um declΓnio de 25 a 30% da atividade, enquanto que cozer grΓ£os de soja leva a um declΓnio de 40% da atividade[33]. Muitos alimentos de origem vegetal necessitam de cozimento mais prolongado do que produtos de origem animal, o que poderia reduzir ainda mais o rendimento da vitamina B6 ativa na alimentaΓ§Γ£o vegetariana.
Uma comparaΓ§Γ£o contundente entre mulheres vegetarianas nepalesas em lactaΓ§Γ£o e suas contrapartes onΓvoras norte-americanas exemplifica a baixa bio-disponibilidade da vitamina B6 em alimentos de origem vegetal. As mulheres nepalesas, nesta comparaΓ§Γ£o, consumiam 12% a mais de B6, mas apresentavam 35% a menos de nΓveis sΓ©ricos da forma ativa, apΓ³s trΓͺs meses de lactaΓ§Γ£o, e 77% a menos, apΓ³s seis meses. Seu leite possuΓa a mesma quantidade de B6 que das mulheres norte-americanas, mas grande parte dela era piridoxina ligada a glicose. A despeito do fato de as vegetarianas nepalesas terem consumido mais B6 em sua alimentaΓ§Γ£o e possuΓdo nΓveis equivalentes em seu leite, suas crianΓ§as apresentavam nΓveis 83% menores da forma ativa, em quatro meses, e 87% menores, em seis meses[33].
Os vegetarianos devem selecionar alimentos de origem vegetal que tenham a menor quantia de piridoxina ligada a complexos de aΓ§ΓΊcares. Bananas sΓ£o uma fonte excelente, porque a forma ligada a aΓ§ΓΊcar Γ© baixa, seu teor total Γ© comparΓ‘vel ao de muitas carnes, e sΓ£o tipicamente consumidas cruas. Entretanto, a maioria dos alimentos de origem vegetal sΓ£o fontes relativamente pobres, e a ingestΓ£o de B6 seria muito maior em uma alimentaΓ§Γ£o mesclada, incluindo carnes, frutos do mar[16] e carnes de Γ³rgΓ£os.
Zinco
O zinco Γ© um cofator para, literalmente, centenas de enzimas. Γ um componente estrutural essencial de todos os receptores hormonais nucleares, assim como alguns hormΓ΄nios em si, como a insulina. Atua como antioxidante em membranas celulares, desalojando metais prΓ³-oxidantes, como ferro e mercΓΊrio, e tambΓ©m Γ© cofator da enzima antioxidante superΓ³xido dismutase. Como uma pequena amostra de suas funΓ§Γ΅es biolΓ³gicas, citam-se crescimento das cΓ©lulas e tecidos, replicaΓ§Γ£o celular, formaΓ§Γ£o Γ³ssea, integridade cutΓ’nea, imunidade, digestΓ£o, tolerΓ’ncia a glicose, manutenΓ§Γ£o de taxa metabΓ³lica basal alta e acuidade a gostos[24].
A figura 7 mostra a distribuiΓ§Γ£o de zinco em alimentos. Embora presente em grΓ£os, legumes e vegetais, Γ© encontrado em quantias muito menores, comparadas Γ s em alimentos de origem animal, alΓ©m de estar muito menos bio-disponΓvel. Ostras contΓͺm entre quatro e vinte vezes mais do que carne bovina, e a carne bovina contΓ©m de duas a quatro vezes mais do que outros tipos de carne, quatro vezes mais do que ovos, dez vezes mais do que leite e quatro ou mais vezes do que praticamente qualquer produto de origem vegetal. E mais. A absorΓ§Γ£o de zinco Γ© inibida por componentes presentes nas plantas, como fitato, oxalato, polifenΓ³is e fibras, enquanto que acentuada por componentes presentes na carne. Sua absorΓ§Γ£o Γ© maior do que cinquenta por cento, na ausΓͺncia de inibidores, mas menor do que 15%, no que diz respeito a uma refeiΓ§Γ£o com alto teor de fitato[34]. Ao passo que uma alimentaΓ§Γ£o vegetariana bem planejada pode se esquivar de carΓͺncia detectΓ‘vel de zinco, seria praticamente impossΓvel manter uma condiΓ§Γ£o verdadeiramente saudΓ‘vel a respeito deste mineral, sem a inclusΓ£o de alimentos de origem animal.
Γcidos graxos essenciais
Os Γ‘cidos graxos essenciais, enquanto um grupo, sΓ£o uma espada de dois gumes. De um lado, pequena quantia deles Γ© necessΓ‘ria para a sΓntese de diversos hormΓ΄nios biologicamente importantes e molΓ©culas similares a hormΓ΄nios. De outro lado, sΓ£o altamente insaturados e suas mΓΊltiplas ligaΓ§Γ΅es quΓmicas duplas sΓ£o altamente vulnerΓ‘veis Γ oxidaΓ§Γ£o. Mesmo DHA, Γ‘cido eicosa-pentaenΓ³ico (EPA) e Γ³leo de Perilla frutescens[17] (rico em Γ΄mega-3), frescos, isentos de oxidaΓ§Γ£o, aumentam os marcadores de estresse oxidativo, quando ingeridos por ratos[35].
Uma vez que sΓ£o as formas prolongadas dos Γ‘cidos graxos essenciais especialmente importantes, incluindo o AA, DHA, EPA e o Γ‘cido diomo-gama-linolΓͺico (DGLA), e uma vez que a conversΓ£o de precursores em Γ³leos vegetais Γ© ineficiente, faz sentido consumir pequenas quantias destes Γ‘cidos graxos prΓ©-formados em alimentos de origem animal, de forma que podemos reduzir a quantia total de Γ‘cidos graxos poli-insaturados (PUFA) de que necessitamos para obtΓͺ-los. Ademais, algumas pessoas com nΓveis particularmente baixos de enzimas que realizam tais conversΓ΅es podem ser vulnerΓ‘veis a uma carΓͺncia efetiva de formas prolongadas, mesmo enquanto consumida quantidade significativa de PUFA prΓ³-oxidante dos Γ³leos vegetais.
Vegetarianos possuem nΓveis de EPA e DHA 30% mais baixos do que os de onΓvoros; enquanto veganos, nΓveis de EPA com porcentagem maior do que 50% abaixo e quase 60% mais baixos de DHA[18]. Em contrapartida, vegetarianos possuem nΓveis de Γ‘cido linolΓͺico (o precursor do Γ‘cido graxo Γ΄mega-6) 10% mais altos; e veganos, mais de 20%[36]. Se tal quadro Γ© caracterΓstico de onΓvoros que consomem uma alimentaΓ§Γ£o padrΓ£o de Γ³leos poli-insaturados, podemos imaginar como seria a comparaΓ§Γ£o entre veganos e vegetarianos com uma populaΓ§Γ£o que evita Γ³leos vegetais ricos em PUFA e consome carne de fΓgado rica em Γ‘cidos graxos essenciais de cadeia prolongada, gemas de ovos e pequenas quantias de Γ³leo de fΓgado de bacalhau. Esta alimentaΓ§Γ£o nΓ£o permite carΓͺncia destes Γ‘cidos graxos e fornece uma quantidade mΓnima de PUFA total e, portanto, um mΓnimo de estresse oxidativo e de danos relacionados ao envelhecimento.
Amino-Γ‘cidos condicionalmente essenciais
Existem alguns amino-Γ‘cidos e compostos correlatos que nΓ£o sΓ£o tecnicamente essenciais, mas ΓΊteis em uma alimentaΓ§Γ£o, possivelmente essenciais, sob determinadas condiΓ§Γ΅es, e encontrados exclusivamente ou quase exclusivamente em produtos de origem animal. Incluem-se a carnitina, taurina, creatina e carnosina[37].
A carnitina transfere Γ‘cidos graxos para o interior da mitocΓ΄ndria, a chamada βcasa-de-forΓ§a da cΓ©lulaβ, para ser transformada em energia, e recicla o Γ‘cido pantotΓͺnico, uma importante vitamina do complexo B. A alimentaΓ§Γ£o onΓvora provΓ©m entre dois a doze vezes mais carnitina, da carne, do que o corpo consegue produzir por sΓntese endΓ³gena. Ademais, sua sΓntese necessita de vitamina C, B12 e B6. A alimentaΓ§Γ£o vegetariana tende a ser rica em vitamina C, mas pobre naquelas vitaminas BB, de forma que a sΓntese pode ser comprometida. Uma taxa reduzida de sΓntese e pouca ou nenhuma ingesta sua poderia levar a debilitaΓ§Γ£o da capacidade de utilizar gordura para produΓ§Γ£o de energia e diminuir a atuaΓ§Γ£o do Γ‘cido pantotΓͺnico[37].
A taurina e a glicina sΓ£o agregadas aos Γ‘cidos biliares, mas estes, que agregam a taurina, sΓ£o absorvidos mais abaixo, nos intestinos, e sΓ£o, portanto, muito mais eficazes em promover a maior absorΓ§Γ£o possΓvel de gorduras e vitaminas lipossolΓΊveis. A taurina tambΓ©m se relaciona com a prevenΓ§Γ£o de arritmia cardΓaca induzida por drogas, com a manutenΓ§Γ£o da atividade elΓ©trica da retina e com a sustentaΓ§Γ£o do desenvolvimento do cΓ©rebro. O cΓ©rebro em desenvolvimento contΓ©m de trΓͺs a quatro vezes mais a concentraΓ§Γ£o de taurina do que em cΓ©rebros adultos, de maneira que a taurina Γ© especialmente importante para crianΓ§as na fase de amamentaΓ§Γ£o. Γ encontrada quase exclusivamente em produtos de origem animal, e sua sΓntese endΓ³gena necessita de vitamina B6. As concentraΓ§Γ΅es sΓ©ricas em crianΓ§as veganas, em fase de amamentaΓ§Γ£o, sΓ£o menores do que as de suas contrapartes onΓvoras, o que pode comprometer o desenvolvimento do sistema nervoso[37].
A creatina Γ© necessΓ‘ria para a manutenΓ§Γ£o do suprimento de energia celular, principalmente durante exercΓcios de explosΓ£o[19] e atividade fΓsica, sendo sua suplementaΓ§Γ£o, portanto, ΓΊtil para desempenho de atletas. A sΓntese endΓ³gena Γ© de um a dois gramas por dia, enquanto que a carne fornece um grama por porΓ§Γ£o, de sorte que alimentaΓ§Γ£o na qual se inclua carne contribui de forma substancial Γ cretina total. Ao mesmo tempo em que vegetarianos podem estar em risco de carΓͺncia efetiva de creatina, o acrΓ©scimo dela, proveniente da carne, poderia ser ΓΊtil para melhorar o desempenho fΓsico[37].
A carnosina, como neurotransmissor, Γ© um poderoso inibidor de um processo chamado glicaΓ§Γ£o, atravΓ©s do qual aΓ§ΓΊcares e PUFA se ligam a proteΓnas e geram produtos finais de glicaΓ§Γ£o avanΓ§ada (AGEs), os quais acredita-se participarem de efeitos adversos do envelhecimento. Γ encontrada exclusivamente em produtos de origem animal, o que pode ser uma razΓ£o por que vegetarianos e veganos possuem nΓveis maiores de AGEs do que onΓvoros[37, 38].
Colesterol
A maioria das pessoas produz colesterol suficiente para satisfazer as necessidades de seus corpos. O colesterol nΓ£o Γ©, portanto, considerado um nutriente essencial. Entretanto, existem milhΓ΅es de pessoas com defeito genΓ©tico no que concerne a sua sΓntese, sendo ele, para estas pessoas, como se um nutriente essencial.
A sΓndrome de Smith-Lemli-Opitz (SLOS) Γ© a sΓndrome de deficiΓͺncia de colesterol mais bem compreendida. Ela resulta de defeito genΓ©tico relacionado Γ enzima que converte 7-deidro-colesterol (um precursor comum de vitamina D e colesterol) em colesterol. Mais comumente, tem como conseqΓΌΓͺncia aborto espontΓ’neo dentro das primeiras dezesseis semanas de gestaΓ§Γ£o, de forma que se apresenta em apenas um em cada 60.000 nascimentos com a crianΓ§a viva. As crianΓ§as que nascem com este defeito podem sofrer de retardo mental, autismo, mΓ‘ formaΓ§Γ£o facial e esquelΓ©tica, disfunΓ§Γ΅es visuais e prejuΓzos em seu desenvolvimento. O tratamento atual Γ© inclusΓ£o de colesterol em sua alimentaΓ§Γ£o[39].
Porque ambos os pais forneceram uma cΓ³pia defeituosa do gene para que a SLOS se manifestasse e porque a maioria das gestaΓ§Γ΅es que resultariam em uma crianΓ§a com SLOS Γ© espontaneamente interrompida, o nΓΊmero de pessoas que carregam uma cΓ³pia ΓΊnica do gene defeituoso Γ© muito maior do que o nΓΊmero de pessoas com a sΓndrome em plena manifestaΓ§Γ£o. Um em cada cem caucasianos norte-americanos e um em cada cinquenta, ou, atΓ© mesmo, um em cada trinta centro-europeus portam o gene defeituoso. Tais pessoas, chamadas βportadores de SLOSβ, possuem taxa reduzida de sΓntese de colesterol, mas, ainda assim, sintetizam o suficiente para escaparem de riscos graves e anormalidades que caracterizam a SLOS clΓnica[40].
Um pequeno estudo examinou os possΓveis efeitos Γ saΓΊde mental em 105 portadores de SLOS. Os portadores apresentaram mais do que trΓͺs vezes maior propensΓ£o a tentativas de suicΓdio do que aqueles que nΓ£o carregam o gene, e os mΓ©todos para realizaΓ§Γ£o do suicΓdio eram mais violentos. Infelizmente, o estudo nΓ£o foi estatisticamente forte o suficiente para determinar conclusivamente se tais correlaΓ§Γ΅es eram devido a oportunidade, mas foi forte o suficiente para mostrar uma relaΓ§Γ£o conclusiva entre portar o gene e possuir parentes biolΓ³gicos que tentaram suicΓdio. Os portadores apresentaram propensΓ£o maior de quatro vezes do que o grupo de controle a ter, ao menos, um parente biolΓ³gico e quase seis vezes mais a ter um parente de primeiro grau que tentou cometer ou cometeu suicΓdio[41].
Talvez seja o caso, entΓ£o, de o colesterol consumido na alimentaΓ§Γ£o ser um nutriente essencial para um a trΓͺs por cento da populaΓ§Γ£o. TambΓ©m talvez seja ainda outros defeitos genΓ©ticos ou variaΓ§Γ΅es na sΓntese de colesterol que possa tornar o colesterol consumido na alimentaΓ§Γ£o essencial. Para estes grupos, alimento de origem animal sΓ£o absolutamente necessΓ‘rios.
The essencialidade de alimentos de origem animal
Quando Weston Price viajou para as South Sea Islands, no PacΓfico, ele esperava encontrar βplantas e frutas que, juntas, sem o uso de produtos de origem animal, fossem capazes de prover tudo necessΓ‘rio ao corpo para crescimento e manutenΓ§Γ£o de uma boa saΓΊde e um estado elevado de eficiΓͺncia fΓsicaβ. Ele se decepcionou. Ao invΓ©s daquilo, ele encontrou na ilha de Viti Levu grupos de residentes mais ao interior da ilha se aproveitando de produtos de origem vegetal, mas que achavam tΓ£o essencial consumir frutos do mar a cada intervalo de alguns meses que eles trocavam alimentos vegetais das montanhas por frutos do mar com grupos de moradores costeiros, mesmo quando estes grupos estavam guerreando entre si. Os frutos do mar sΓ£o particularmente repletos de nutrientes de origem animal. Uma porΓ§Γ£o de moluscos por mΓͺs fornece a mesma quantia de vitamina B12 do que duas porΓ§Γ΅es de salmΓ£o por semana. Igualmente, uma porΓ§Γ£o de ostras por semana fornece a mesma quantia de zinco que 113g de carne bovina por dia. Seria melhor Γ s pessoas que desejarem reduzir sua ingestΓ£o de produtos de origem animal consumirem pequenas quantias de frutos do mar, para obterem estes nutrientes. Para aqueles que nΓ£o desejam consumir frutos do mar, a necessidade de produtos de origem animal pode ser muito maior.
A pesquisa de Price o levou Γ seguinte conclusΓ£o acerca do vegetarianismo: βAtΓ© o momento, nΓ£o encontrei um ΓΊnico grupo Γ©tnico que construa e mantenha corpos excelentes, vivendo inteiramente de alimentos de origem vegetal. Encontrei, em muitas partes do mundo, os mais devotos representantes dos sistemas Γ©ticos modernos preconizando restriΓ§Γ΅es de comidas em favor dos produtos de origem vegetal. Em todos os casos onde estes grupos viviam, hΓ‘ muito, sob tais ensinamentos, encontrei evidΓͺncias de degeneraΓ§Γ£o, na forma de desde arcadas dentΓ‘rias anormais a uma extensΓ£o muito maior do que em grupos primitivos que nΓ£o estavam sob tal influΓͺnciaβ.
Portanto, podemos concluir dos estudos do Dr. Price e de grande corpo de pesquisas posteriores que alimentos de origem animal devem ser usados ao longo de todo o desenvolvimento infantil, especialmente os alimentos de origem animal mais ricos em vitaminas e minerais, como fΓgado, frutos do mar, gemas de ovos, caldo de mocotΓ³ e laticΓnios de alta qualidade. Dependendo de sua constituiΓ§Γ£o individual, os adultos podem ter necessidades variΓ‘veis por produtos de origem animal, e aqueles que se objetam a usar carne deveriam ou consumir frutos do mar, semanal ou mensalmente, ou laticΓnios de alta qualidade e ovos, diariamente. Ademais, azeite de dendΓͺ e bananas deveriam ser respectivamente utilizados como fonte de carotenΓ³ides e de vitamina B6.
Muitas pessoas podem permanecer por muito tempo em uma alimentaΓ§Γ£o que nΓ£o contenha quantidade melhor possΓvel de produtos de origem animal, enquanto outras, como meu caso, podem desenvolver problemas de saΓΊde muito rapidamente. Dado todos os nutrientes mais facilmente obtidos de produtos de origem animal, nΓ£o Γ© de se surpreender que algumas pessoas que adotam alimentaΓ§Γ£o vegetariana ou vegana possam desenvolver carΓͺncias muito rapidamente. Cada pessoa precisa prestar atenΓ§Γ£o cuidadosa em seu prΓ³prio corpo e provΓͺ-lo com os nutrientes de que necessita. E, para muitas pessoas, isto significa se livrar dos mitos do vegetarianismo e consumir produtos de origem animal de que naturalmente precisamos.
Anexos
Figura 1. Vitamina A: quantidade obtida a partir de alimentos de origem vegetal e animal.
Todos os valores foram extraΓdos do USDA National Nutrient Database for Standard Release 17, com exceΓ§Γ£o do Γ³leo de fΓgado de bacalhau, extraΓdo da informaΓ§Γ£o fornecida por fabricantes. Todos os valores de quantidade obtida de vitamina A sΓ£o expressos por 100 gramas de alimento, exceto o Γ³leo de fΓgado de bacalhau, expresso na quantia presente em cada colher de chΓ‘. Os valores da quantidade obtida de vitamina A seguem West et al. (2002), assumindo que os nΓΊmeros de atividade equivalente de retinol (RAE) de vegetais sobrestima a verdadeira taxa de conversΓ£o em 75%. Todavia, estes valores representam um fator de conversΓ£o mΓ©dia de uma alimentaΓ§Γ£o mista e, portanto, nΓ£o representa diferenΓ§as na bio-disponibilidade entre alimentos especΓficos (os carotenΓ³ides, nas cenouras, por exemplo, sΓ£o cinco vezes mais bio-disponΓveis do que no espinafre).
| Alimentos de origem vegetal | Quantidade (em UI) obtida de vitamina A em 100g | Alimentos de origem animal | Quantidade (em UI) obtida de vitamina A em 100g |
| Batatas-doces | 1.500 | MiΓΊdos de peru | 35.800 |
| Cenouras | 1.145 | FΓgado bovino | 25.800 |
| Couve | 1.295 | Γleo de fΓgado de bacalhau com alto teor de vitamina (1 colher de chΓ‘) | 5.750 |
| Espinafre | 997 | Ovos comerciais | 570 |
| Couve-manteiga | 770 | Manteiga comercial | 330 |
Figura 2. ConteΓΊdo de vitamina D de determinados alimentos.
Estes nΓΊmeros foram obtidos do capΓtulo de Reinhold Vieth, da segunda ediΓ§Γ£o do livro Vitamin D [Vitamina D], editado por Feldman e outros, com exceΓ§Γ£o do Γ³leo de fΓgado de bacalhau, obtido da informaΓ§Γ£o fornecida por fabricantes, e do sangue suΓno e bovino, estimado com case nas concentraΓ§Γ΅es sangΓΌΓneas esperadas em um ambiente rico em luz solar. Assumiram-se todos os valores serem de vitamina D3, salvo especificaΓ§Γ£o em contrΓ‘rio.
| Alimento (100g, salvo especificaΓ§Γ£o em contrΓ‘rio) | Vitamina D (IU) | Alimento (100g, salvo especificaΓ§Γ£o em contrΓ‘rio) | Vitamina D (IU) |
| Fungo orelha-de-Γ‘rvore (ou orelha-prateada) desidratado | 16.000 (D2) | Biquara e truta-arco-Γris | 600 |
| FΓgado de tamboril | 4.400 | Enguia | 200 β 560 |
| Sangue suΓno ou bovino no verΓ£o (1 xΓcara) | 4.000 | Pargo do Mar Vermelho de cativeiro | 520 |
| Γleo de fΓgado de bacalhau com alto teor de vitamina (1 colher de chΓ‘) | 3.450 | Cavala | 345 β 440 |
| Marlin do Indo-PacΓfico | 1.400 | SalmΓ£o | 360 |
| SalmΓ£o-cΓ£o | 1.300 | Sardinhas enlatadas | 270 |
| Γleo de fΓgado de bacalhau padrΓ£o (1 colher de chΓ‘) | 1.200 | Ovo de galinha | 120 |
| Arenque | 1.100 | Cogumelo comum | 100 (D2) |
| Halibute-bastardo de cativeiro | 720 | FΓgado de porco | 50 |
| Atum-rabilho gordo | 720 | Leite coletato no verΓ£o nΓ£o enriquecido (1 litro) | 40 |
| Ovo de pata | 720 | FΓgado bovino | 30 |
| Cogumelo shiitake desidratado | 640 (D2) | Carne suΓna | 28 |
Figura 3. ConteΓΊdo de vitamina K2 de determinados alimentos.
Valores extraΓdos das referΓͺncias [22] e [23]. A MK-4 Γ© um tipo de vitamina K2 sintetizada por animais a partir da K1. Ainda nΓ£o foi determinado se ela possui valor especial Γ parte das demais formas de vitamina K2.
| Alimento | Vitamina K2 (mcg/100g) | Porcentagem de MK-4 | Alimento | Vitamina K2 (mcg/100g) | Porcentagem de MK-4 |
| Natto | 1.103,4 | 0% MK-4 | FΓgado de frango | 14,1 | 100% MK-4 |
| PatΓͺ de fΓgado de ganso | 369,0 | 100% MK-4 | Salame | 9,0 | 100% MK-4 |
| Queijos de pasta dura | 76,3 | 6% MK-4 | Peito de frango | 8,9 | 100% MK-4 |
| Queijos de pasta mole | 56,5 | 6,5% MK-4 | Pata de frango | 8,5 | 100% MK-4 |
| Gema de ovo (Holanda) | 32,1 | 98% MK-4 | Carne moΓda (gordura mΓ©dia) | 8,1 | 100% MK-4 |
| Pata de ganso | 31,0 | 100% MK-4 | Bacon | 5,6 | 100% MK-4 |
| RequeijΓ΅es | 24,8 | 1,6% MK-4 | FΓgado de bezerro | 5,0 | 100% MK-4 |
| Gema de ovo (EUA) | 15,5 | 100% MK-4 | Chucrute | 4,8 | 8% MK-4 |
| Manteiga | 15,0 | 100% MK-4 | SalmΓ£o | 0,5 | 100% MK-4 |
| Cavala | 0,4 | 100% MK-4 |
Figura 4. ConteΓΊdo de vitamina B2 de determinados alimentos.
A vitamina B2 Γ© necessΓ‘ria para a conversΓ£o de piridoxina encontrada em alimentos de origem vegetal em piridoxal, a forma ativa de B6, encontrada prΓ©-formada em alimentos de origem animal. Dados do USDA National Nutrient Database for Standard Release 17.
| Alimento | Riboflavina (mg/100g) | Alimento | Riboflavina (mg/100g) |
| Levedura de padaria | 5,47 | Costelas de porco | 0,38 |
| FΓgado bovino | 3,42 | Carne de vitela | 0,35 |
| FΓgado de frango | 1,99 | Cogumelos escaldados | 0,30 |
| Salsicha de fΓgado de porco | 1,53 | Folhas de beterrabas escaldadas | 0,29 |
| MiΓΊdos de peru | 1,50 | GrΓ£os de soja escaldados | 0,28 |
| MiΓΊdos de frango | 1,05 | Espinafre escaldado | 0,24 |
| CamarΓ£o frito | 0,55 | Iogurte de leite desnatado | 0,23 |
| Farinha branca enriquecida | 0,51 | Queijo ricota | 0,20 |
| Ovos | 0,48 | Leite | 0,18 |
| Pato tostado | 0,47 | SalmΓ£o | 0,17 |
| Mariscos | 0,43 | PurΓͺ de tomate | 0,15 |
Figura 5. ConteΓΊdo de vitamina B6 de determinados alimentos.
Os alimentos de origem animal mais ricos tendem a ser aproximadamente duas vezes mais ricos do que os mais ricos dos alimentos de origem vegetal. Embora nΓ£o apresentado na tabela, os alimentos de origem vegetal contΓͺm mais piridoxina do que piridoxal e piridoxamina, que deve ser convertida nas formas ativas, no fΓgado, e a contΓͺm, em quantia significativa, ligada a aΓ§ΓΊcares, tornando-a indisponΓvel. Dados extraΓdos do USDA National Nutrient Database for Standard Release 17.
| Alimentos de origem vegetal | B6 mcg/100g | Alimentos de origem animal | B6 mcg/100g |
| Farinha de trigo sarraceno | 582 | Atum fresco (defumado) | 1.038 |
| Castanhas tostadas | 497 | FΓgado bovino (frito na panela) | 1.027 |
| GrΓ£o-de-bico enlatado | 473 | Parte superior do lombo bovino (grelhado) | 631 |
| Batatas picadas e fritas | 472 | Costelas de porcos (com os ossos) | 513 |
| Banana (crua) | 367 | Bacalhau do PacΓfico (defumado) | 462 |
| Farinha de trigo integral | 340 | Peru assado | 460 |
| PimentΓ£o doce | 291 | Carneiro assado | 449 |
| Couve-de-Bruxelas | 289 | Halebute (defumado) | 435 |
| Espinafre (escaldado) | 242 | Truta arco-Γris (defumada) | 435 |
| GrΓ£os de soja (escaldados) | 234 | Peito de frango com pele | 430 |
| FeijΓ΅es | 229 | Peixe-espada (defumado) | 381 |
| Suco de ameixa | 218 | Hadoque (defumado) | 346 |
| Suco de cenoura (enlatado) | 217 | Sebaste do PacΓfico (defumado) | 270 |
| PurΓͺ de tomate | 216 | Pato tostado | 250 |
Figura 6. Porcentagem de vitamina B6, em alimentos de origem vegetal, na forma de glicosΓdeo de piridoxina, a forma ligada a aΓ§ΓΊcares possui pouca ou nenhuma bio-disponibilidade para seres humanos. Dados extraΓdos da referΓͺncia [33].
| Alimento | % de glucosΓdeo de piridoxina | Alimento | % de glucosΓdeo de piridoxina |
| Couve-flor, congelada | 63-82 | Pasta de amendoim | 18 |
| Cenouras | 51-75 | PΓ£o de trigo integral | 17 |
| Suco de laranja, fresco | 37-69 | Bananas | 3-16 |
| GrΓ£os de soja, cozidos | 57-67 | Ervilhas, congeladas | 15 |
| BrΓ³colis, congelado | 65 | Damasco, desidratado | 14 |
| Uvas-passas | 65 | Arroz (branco), cozido | 14 |
| FeijΓ΅es-verdes, enlatados | 28-58 | Farinha de trigo integral | 11 |
| BrΓ³colis, cru | 35-57 | FeijΓ΅es-verdes, cru | 10 |
| Suco de laranja, concentrado | 47-53 | Milho, congelado | 6 |
| Repolho | 46 | PΓ£o branco | 6 |
| FeijΓ£o-branco, cozido | 42 | Cereal matinal de trigo enriquecido | 5 |
| Farelo de trigo | 37-36 | Couve-flor, crua | 5 |
| Espinafre | 35 | Farelo de arroz | 4 |
| Suco de tomate | 32 | AvelΓ£, cru | 4 |
| Cereal matinal de trigo triturado | 28-31 | Abacates, frescos | 3 |
| PΓ£o escuro de centeio | 23 | Nozes | 1 |
| PΓͺssegos, enlatados | 21 | AmΓͺndoas, cruas | 0 |
Figura 7. ConteΓΊdo de zinco em determinados alimentos.
O conteΓΊdo de zinco em alimentos de origem animal nΓ£o Γ© apenas muito mais bio-disponΓvel do que o em alimentos de origem vegetal, mas tambΓ©m em quantidade muito maior. Dados extraΓdos da referΓͺncia [24].
| Alimentos de origem animal | Zinco (mg/100g) | Alimentos de origem vegetal | Zinco (mg/100g) |
| Ostras | 17,0-91,0 | Legumes (cozidos) | 0,6-1,0 |
| Carne de caranguejo | 3,8 β 4,3 | Arroz e macarrΓ£o (cozidos) | 0,3-0,6 |
| CamarΓ£o | 1,1 | PΓ£o de trigo integral | 1,0 |
| Atum | 0,5 β 0,8 | PΓ£o branco | 0,6-0,8 |
| FΓgado | 3,1 β 3,9 | Vegetais (Todos) | 0,1-0,7 |
| Carne de frango | 1,0 β 2,0 | Frutas (Todos) | <0,1 |
| Carne moΓda | 3,9 β 4,1 | ||
| Carne de vitela | 3,1 β 3,2 | ||
| Carne de porco | 1,6 β 2,1 | ||
| Ovos | 1,1 | ||
| Leite | 0,4 | ||
| Queijos | 2,8 β 3,2 |
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This article appeared in Wise Traditions in Food, Farming and the Healing Arts, the quarterly journal of the Weston A. Price Foundation, Spring 2008.
[1] DisponΓvel em http://www.naturalhealingtools.com/articles/weston_a_price.pdf. (Nota do tradutor: NT)
[2] Devido Γ alta concentraΓ§Γ£o de substΓ’ncias tΓ³xicas no fΓgado dos animais de criaΓ§Γ£o pecuΓ‘ria, principalmente os submetidos a regime de confinamento, recomenda-se o consumo de fΓgado apenas das carnes provenientes de produΓ§Γ£o orgΓ’nica. (NT)
[3] Atualmente, o consumidor deve permanecer atento na escolha da marca do Γ³leo de fΓgado de bacalhau a ser comprada, porquanto a grande maioria, disponΓvel no mercado, oferece tal Γ³leo misturado ao Γ³leo de soja. (NT)
[4] Obviamente, pessoas que, mesmo esporadicamente, consomem carne de peixe e frutos do mar nΓ£o podem ser classificadas como vegetarianas propriamente ditas. (NT)
[5] No original, qualities. (NT)
[6] DistΓΊrbio caracterizado pelo acΓΊmulo adiposo anormal no fΓgado. (NT)
[7] Xeroftalmia ou olho seco Γ© uma doenΓ§a caracterizada pela nΓ£o-produΓ§Γ£o de lΓ‘grimas e por dificuldades de enxergar, principalmente durante a noite. (Fonte: WikipΓ©dia.com. NT)
[8] The United Nations Food and Agriculture Organization (FAO). (NT)
[9] No Brasil, Γ© muito difΓcil encontrar este produto que nΓ£o esteja misturado a grande quantidade de Γ³leo de soja, apesar da omissΓ£o desta informaΓ§Γ£o nos rΓ³tulos de suas embalagens. (NT)
[10] Devido Γ forte contaminaΓ§Γ£o as Γ‘guas, com toda sorte de substΓ’ncias altamente tΓ³xicas, venenosas e, atΓ© mesmo, radioativas, o consumo de carne de peixe, principalmente os de Γ‘gua doce, merece muito cuidado. (NT)
[11] Vale o observado na nota anterior. (NT)
[12] Como a ocorrida na glΓ’ndula pineal, devido Γ aΓ§Γ£o do flΓΊor presente na Γ‘gua e produtos odontolΓ³gicos. (NT)
[13] O Estudo de RoterdΓ£ (Rotterdam Study) Γ© um estudo cientΓfico coorte, com base na populaΓ§Γ£o, prospectivo. Tem como investigar fatores que determinam a ocorrΓͺncia de doenΓ§as cardiovasculares, neurolΓ³gicas, oftalmolΓ³gicas, endocrinolΓ³gicas e psiquiΓ‘tricas em pessoas idosas. O estudo foi estabelecido em 1990 pelo professor Albert Hofman do departamento de Epidemiologia e BioestatΓstica, do Erasmus Medical Center, em RoterdΓ£, Holanda. Os habitantes de Ommoord, subΓΊrbio de RoterdΓ£, foram convidados a participarem com regularidade do estudo. (Fonte: WikipΓ©dia.com. NT)
[14] Muitos afirmam que a suposta presenΓ§a, defendida por alguns vegetarianos, em especial, os veganos, de vitamina B12 em alimentos de origem vegetal, como no caso da alga chlorella, trata-se destes anΓ‘logos. (NT)
[15] Vitamina B9, conhecida principalmente nas formas de Γ‘cido fΓ³lico, folato de sΓ³dio e folato de magnΓ©sio. (NT)
[16] Ater-se Γ contaminaΓ§Γ£o e conseqΓΌente perigo do consumo de frutos do mar. (NT)
[17] Similar ao manjericΓ£o. (NT)
[18] Ressaltamos a importΓ’ncia do DHA para o cΓ©rebro. (NT)
[19] No original, bursts. (NT)
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